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O mundo não vai acabar. Mas vai.
O Rio Grande do Sul está enfrentando o pior desastre natural de sua história. (...) O volume de chuvas inédito – em uma semana,
já caiu metade de toda a precipitação prevista para 2024 – é, em grande parte, culpa de uma sequência de frentes frias que deveriam
ter cruzado os céus gaúchos só de passagem, mas acabaram estacionando em cima do estado e derramando toda a água ali.
O trânsito de nuvens na atmosfera congestionou porque, em pleno outono, uma onda de calor atingiu o Sudeste e o
Centro-Oeste e bloqueou o caminho dessas frentes para latitudes mais altas.
E essa onda não foi a primeira, é claro. O outro surto de temperaturas extremas que o Centro-Sul do Brasil encarou no
meio de março, dias antes do início do outono, foi um marco na série histórica. A cidade de São Paulo bateu um recorde de
temperatura para o mês: 37,4°C em 16 de março. Um dia depois, o município do Rio registrou sensação térmica de 62,3°C.
Parte do crédito por esse caos, você sabe, é do El Niño, uma mudança na circulação dos ventos e das águas no Pacífico que
ocorre de maneira cíclica e sempre acentua o verão brasileiro.
Mas a culpa também é nossa. O calor é consequência da emissão desmedida de gases de efeito estufa pelo ser humano
desde o início da era industrial, no século 18. A temperatura média global no El Niño de 1998 foi 0,64°C acima da média. Em
2005, 0,69°C. Em 2010, 0,71°C. Em 2016, 0,99°C. O Menino está cada vez mais quente.
Pouca gente, porém, parece desesperada. Uma reportagem do Jornal Hoje exibida em 18 de março descreveu o último
final de semana do verão como “caprichado”, e mostra uma banhista feliz com o prospecto de tomar uma dose cavalar de
radiação UV: “amo calor, amo verão, espero que nunca acabe”. Por que sofremos de uma incapacidade crônica de entender a
gravidade das mudanças climáticas?
Deslizamentos de terra e enchentes como no Rio Grande do Sul (2024), no litoral norte de São Paulo (2023) e em Petrópolis
(2022) geram comoção no noticiário, mas logo desaparecem da memória de todos, com exceção dos diretamente afetados. É
muito difícil entender fatos afastados no tempo como capítulos de um mesmo processo gradual de degradação ecológica. Mas
eles são: com um aumento de 1°C na temperatura média global, que já aconteceu, chuvas extremas têm 6,7% mais água e
inundações se tornam 30% mais comuns.
Além de uma percepção inadequada do tempo geológico, há o problema de que somos péssimos em fazer sacrifícios em
curto-prazo para colher benefícios em longo-prazo. Sair de carro alivia minha preguiça agora, enquanto pressionar as
autoridades por políticas públicas para melhorar o transporte público salvará meus netos – além de ser uma ação de resultado
incerto, que depende de algum grau de ação coletiva.
São obstáculos psicológicos, acima de tudo, que precisamos transpor para combater com eficácia as mudanças climáticas.
Nossos cérebros não evoluíram para entender como ameaça o que não nos afeta perceptivelmente.
Em suma: não é o mundo que vai acabar se deixarmos as mudanças climáticas rolarem soltas. Só o mundo como o
conhecemos. E o que é o mundo senão o que você conhece? Pense em cada casa, escola, restaurante etc. que estão debaixo
d’água no Rio Grande do Sul: nós somos os lugares em que vivemos, as memórias que cultivamos, as pessoas que amamos e
até nossos objetos favoritos. O aquecimento global pode parecer um problema abstrato, mas já estamos experimentando suas
consequências reais. Para as vítimas de tragédias ambientais, o mundo já acabou. E agora elas precisam reconstruí-lo.
(VAIANO, Bruno. O mundo não vai acabar. Mas vai. Revista Superinteressante, 2024. Adaptado.)
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O mundo não vai acabar. Mas vai.
O Rio Grande do Sul está enfrentando o pior desastre natural de sua história. (...) O volume de chuvas inédito – em uma semana,
já caiu metade de toda a precipitação prevista para 2024 – é, em grande parte, culpa de uma sequência de frentes frias que deveriam
ter cruzado os céus gaúchos só de passagem, mas acabaram estacionando em cima do estado e derramando toda a água ali.
O trânsito de nuvens na atmosfera congestionou porque, em pleno outono, uma onda de calor atingiu o Sudeste e o
Centro-Oeste e bloqueou o caminho dessas frentes para latitudes mais altas.
E essa onda não foi a primeira, é claro. O outro surto de temperaturas extremas que o Centro-Sul do Brasil encarou no
meio de março, dias antes do início do outono, foi um marco na série histórica. A cidade de São Paulo bateu um recorde de
temperatura para o mês: 37,4°C em 16 de março. Um dia depois, o município do Rio registrou sensação térmica de 62,3°C.
Parte do crédito por esse caos, você sabe, é do El Niño, uma mudança na circulação dos ventos e das águas no Pacífico que
ocorre de maneira cíclica e sempre acentua o verão brasileiro.
Mas a culpa também é nossa. O calor é consequência da emissão desmedida de gases de efeito estufa pelo ser humano
desde o início da era industrial, no século 18. A temperatura média global no El Niño de 1998 foi 0,64°C acima da média. Em
2005, 0,69°C. Em 2010, 0,71°C. Em 2016, 0,99°C. O Menino está cada vez mais quente.
Pouca gente, porém, parece desesperada. Uma reportagem do Jornal Hoje exibida em 18 de março descreveu o último
final de semana do verão como “caprichado”, e mostra uma banhista feliz com o prospecto de tomar uma dose cavalar de
radiação UV: “amo calor, amo verão, espero que nunca acabe”. Por que sofremos de uma incapacidade crônica de entender a
gravidade das mudanças climáticas?
Deslizamentos de terra e enchentes como no Rio Grande do Sul (2024), no litoral norte de São Paulo (2023) e em Petrópolis
(2022) geram comoção no noticiário, mas logo desaparecem da memória de todos, com exceção dos diretamente afetados. É
muito difícil entender fatos afastados no tempo como capítulos de um mesmo processo gradual de degradação ecológica. Mas
eles são: com um aumento de 1°C na temperatura média global, que já aconteceu, chuvas extremas têm 6,7% mais água e
inundações se tornam 30% mais comuns.
Além de uma percepção inadequada do tempo geológico, há o problema de que somos péssimos em fazer sacrifícios em
curto-prazo para colher benefícios em longo-prazo. Sair de carro alivia minha preguiça agora, enquanto pressionar as
autoridades por políticas públicas para melhorar o transporte público salvará meus netos – além de ser uma ação de resultado
incerto, que depende de algum grau de ação coletiva.
São obstáculos psicológicos, acima de tudo, que precisamos transpor para combater com eficácia as mudanças climáticas.
Nossos cérebros não evoluíram para entender como ameaça o que não nos afeta perceptivelmente.
Em suma: não é o mundo que vai acabar se deixarmos as mudanças climáticas rolarem soltas. Só o mundo como o
conhecemos. E o que é o mundo senão o que você conhece? Pense em cada casa, escola, restaurante etc. que estão debaixo
d’água no Rio Grande do Sul: nós somos os lugares em que vivemos, as memórias que cultivamos, as pessoas que amamos e
até nossos objetos favoritos. O aquecimento global pode parecer um problema abstrato, mas já estamos experimentando suas
consequências reais. Para as vítimas de tragédias ambientais, o mundo já acabou. E agora elas precisam reconstruí-lo.
(VAIANO, Bruno. O mundo não vai acabar. Mas vai. Revista Superinteressante, 2024. Adaptado.)
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O mundo não vai acabar. Mas vai.
O Rio Grande do Sul está enfrentando o pior desastre natural de sua história. (...) O volume de chuvas inédito – em uma semana,
já caiu metade de toda a precipitação prevista para 2024 – é, em grande parte, culpa de uma sequência de frentes frias que deveriam
ter cruzado os céus gaúchos só de passagem, mas acabaram estacionando em cima do estado e derramando toda a água ali.
O trânsito de nuvens na atmosfera congestionou porque, em pleno outono, uma onda de calor atingiu o Sudeste e o
Centro-Oeste e bloqueou o caminho dessas frentes para latitudes mais altas.
E essa onda não foi a primeira, é claro. O outro surto de temperaturas extremas que o Centro-Sul do Brasil encarou no
meio de março, dias antes do início do outono, foi um marco na série histórica. A cidade de São Paulo bateu um recorde de
temperatura para o mês: 37,4°C em 16 de março. Um dia depois, o município do Rio registrou sensação térmica de 62,3°C.
Parte do crédito por esse caos, você sabe, é do El Niño, uma mudança na circulação dos ventos e das águas no Pacífico que
ocorre de maneira cíclica e sempre acentua o verão brasileiro.
Mas a culpa também é nossa. O calor é consequência da emissão desmedida de gases de efeito estufa pelo ser humano
desde o início da era industrial, no século 18. A temperatura média global no El Niño de 1998 foi 0,64°C acima da média. Em
2005, 0,69°C. Em 2010, 0,71°C. Em 2016, 0,99°C. O Menino está cada vez mais quente.
Pouca gente, porém, parece desesperada. Uma reportagem do Jornal Hoje exibida em 18 de março descreveu o último
final de semana do verão como “caprichado”, e mostra uma banhista feliz com o prospecto de tomar uma dose cavalar de
radiação UV: “amo calor, amo verão, espero que nunca acabe”. Por que sofremos de uma incapacidade crônica de entender a
gravidade das mudanças climáticas?
Deslizamentos de terra e enchentes como no Rio Grande do Sul (2024), no litoral norte de São Paulo (2023) e em Petrópolis
(2022) geram comoção no noticiário, mas logo desaparecem da memória de todos, com exceção dos diretamente afetados. É
muito difícil entender fatos afastados no tempo como capítulos de um mesmo processo gradual de degradação ecológica. Mas
eles são: com um aumento de 1°C na temperatura média global, que já aconteceu, chuvas extremas têm 6,7% mais água e
inundações se tornam 30% mais comuns.
Além de uma percepção inadequada do tempo geológico, há o problema de que somos péssimos em fazer sacrifícios em
curto-prazo para colher benefícios em longo-prazo. Sair de carro alivia minha preguiça agora, enquanto pressionar as
autoridades por políticas públicas para melhorar o transporte público salvará meus netos – além de ser uma ação de resultado
incerto, que depende de algum grau de ação coletiva.
São obstáculos psicológicos, acima de tudo, que precisamos transpor para combater com eficácia as mudanças climáticas.
Nossos cérebros não evoluíram para entender como ameaça o que não nos afeta perceptivelmente.
Em suma: não é o mundo que vai acabar se deixarmos as mudanças climáticas rolarem soltas. Só o mundo como o
conhecemos. E o que é o mundo senão o que você conhece? Pense em cada casa, escola, restaurante etc. que estão debaixo
d’água no Rio Grande do Sul: nós somos os lugares em que vivemos, as memórias que cultivamos, as pessoas que amamos e
até nossos objetos favoritos. O aquecimento global pode parecer um problema abstrato, mas já estamos experimentando suas
consequências reais. Para as vítimas de tragédias ambientais, o mundo já acabou. E agora elas precisam reconstruí-lo.
(VAIANO, Bruno. O mundo não vai acabar. Mas vai. Revista Superinteressante, 2024. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada em I, quando substituída pelo termo destacado em II, acarreta sensível alteração de sentido.
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Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Questão presente nas seguintes provas
Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Questão presente nas seguintes provas
Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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Questão presente nas seguintes provas
Texto para responder à questão.
Ao homem do sertão afiguram-se tais momentos incomparáveis acima de tudo quanto possa idear a imaginação no mais
vasto círculo de ambições.
Satisfeita a sede que lhe secara as fauces, e comidas umas colheres de farinha de mandioca ou de milho, adoçada com
rapadura, estira-se a fio comprido sobre os arreios desdobrados e contempla descuidoso o firmamento azul, as nuvens que se
espacejam nos ares, a folhagem lustrosa e os troncos brancos das pindaíbas, a copa dos ipês e as palmas dos buritis a ciciar a
modo de harpas eólias, músicas sem conta com o perpassar da brisa.
Como são belas aquelas palmeiras!
O estípite liso, pardacento, sem manchas mais que pontuadas estrias, sustenta denso feixe de pecíolos longos e canulados,
em que assentam flabelas abertas como um leque, cujas pontas se acurvam flexíveis e tremulantes.
Na base em torno da coma, pendem, amparados por largas espatas, densos cachos de cocos tão duros, que a casca luzidia,
revestida de escamas romboidais e de um amarelo alaranjado, desafia por algum tempo o férreo bico das araras.
Também, com que vigor trabalham as barulhentas aves antes de conseguir a apetecida e saborosa amêndoa! Em grupos
juntam-se elas, umas vermelhas como chispas soltas de intensa labareda, outras versicolores, outras, pelo contrário, de todo
azuis, de maior viso e que, por parecerem negras em distância, têm o nome de araraúnas. Ali ficam alcandoradas, balouçando-se gravemente e atirando de espaço a espaço, às imensidades das dilatadas campinas notas estridentes, quando não seja um
clamor sem fim, ao quererem muitas disputar o mesmo cacho. Quase sempre, porém, estão a namorar-se aos pares, pousadas
uma bem encostadinha à outra.
Vê tudo aquilo o sertanejo com olhar carregado de sono. Caem-lhe pesadas as pálpebras; bem se lembra de que por ali
podem rastejar venenosas alimárias, mas é fatalista; confia no destino e, sem mais preocupação, adormece com serenidade.
Correm as horas, vem o sol descambando; refresca a brisa, e sopra rijo o vento. Não ciciam mais os buritis; gemem, e
convulsamente agitam as flabeladas palmas.
É a tarde que chega.
Desperta então o viajante; esfrega os olhos; distende preguiçosamente os braços; boceja; bebe um pouco d'água; fica uns
instantes sentado, a olhar de um lado para outro, e corre afinal a buscar o animal, que de pronto encilha e cavalga.
Uma vez montado, lá vai ele a passo ou a trote, bem disposto de corpo e de espírito, por aqueles caminhos além, em
demanda de qualquer pouso onde pernoite.
Quanta melancolia baixa à terra com o cair da tarde!
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Brasil, FTD Educação, 1998. Págs. 24-25.)
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