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O sêmen em busca de uma ética
O moço israelense está morto. Todavia, ele ainda pode gerar uma vida. Seus pais estão de posse de seu semen e querem a autorização da justiça de Israel para terem um neto. A Ciência permite, mas a lei não endossa. A notícia está na Folha de S.Paulo de 10.02.11.
(...)
As leis de Israel, segundo uma boa parte dos seus juízes, dizem que a inseminação não poderá ser efetuada. Não há qualquer documento que o morto tenha deixado escrito dizendo que gostaria de ter um filho após sua morte e com uma mulher escolhida pelos pais. Mas os pais argumentam que, se o filho era um doador de órgãos, por qual razão o que é expelido por um órgão do seu corpo também não poderia ser utilizado em favor da vida?
Com efeito, nem todos os juízes pendem para o mesmo lado. Assim, eis que os magistrados não poderão ficar somente com o código nas mãos. (...)
O que os magistrados enfrentarão será um problema típico de filosofia prática, ou seja, de ética. Eles estarão enredados na decisão sobre se o ethos* do povo, os costumes e hábitos, pedem ou não para que a lei mude.
* ethos: conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.
I. A Ciência permite a inseminação, mas a lei não a endossa.
II. A Ciência permite que seja feita a inseminação, mas a lei não endossa-a.
III. A Ciência permite que se realize a inseminação, mas a lei não lhe endossa.
De acordo com a norma padrão, está correto apenas o contido em
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Entre os sinais que marcam um país como subdesenvolvido, ninguém mais discute, há muito tempo, que o baixo nível da educação está na linha de frente. Não dá para disfarçar; é uma ferida bem no meio da testa. Há muitas outras marcas desse tipo, claro, todas visíveis quando se presta um mínimo de atenção à paisagem pública, e nenhuma delas está em falta no Brasil que se pode ver à nossa volta. São coisas muito simples. Todo país subdesenvolvido, por exemplo, tem mosca; não há exceções. Os aeroportos, em vez de terem à sua volta hotéis operados pelas grandes cadeias internacionais, são cercados por favelas. Homicidas confessos podem começar o cumprimento de suas penas onze anos após o crime que cometeram, quando não são "cidadãos comuns". É uma estrada que vai longe. A cada realidade dessas, é como se uma placa de sinalização avisasse: "Atenção: você está num país subdesenvolvido". Não adianta, aí, ter um PIB que passa dos 2 trilhões de dólares, assistir ao lançamento de imóveis com preços de Manhattan ou anotar o que diz a máquina de propaganda do governo. O atraso continua do mesmo tamanho, indiferente a tudo isso - e não vai mudar, por mais que se avance aqui ou ali, enquanto esses sinais estiverem presentes. Não vai mudar, para começo de conversa, enquanto a educação pública no Brasil for o que é hoje.
(J. R. Guzzo. O ministro não conta. Veja, 8 de junho de 2011)
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O sêmen em busca de uma ética
O moço israelense está morto. Todavia, ele ainda pode gerar uma vida. Seus pais estão de posse de seu semen e querem a autorização da justiça de Israel para terem um neto. A Ciência permite, mas a lei não endossa. A notícia está na Folha de S.Paulo de 10.02.11.
(...)
As leis de Israel, segundo uma boa parte dos seus juízes, dizem que a inseminação não poderá ser efetuada. Não há qualquer documento que o morto tenha deixado escrito dizendo que gostaria de ter um filho após sua morte e com uma mulher escolhida pelos pais. Mas os pais argumentam que, se o filho era um doador de órgãos, por qual razão o que é expelido por um órgão do seu corpo também não poderia ser utilizado em favor da vida?
Com efeito, nem todos os juízes pendem para o mesmo lado. Assim, eis que os magistrados não poderão ficar somente com o código nas mãos. (...)
O que os magistrados enfrentarão será um problema típico de filosofia prática, ou seja, de ética. Eles estarão enredados na decisão sobre se o ethos* do povo, os costumes e hábitos, pedem ou não para que a lei mude.
* ethos: conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.
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O sêmen em busca de uma ética
O moço israelense está morto. Todavia, ele ainda pode gerar uma vida. Seus pais estão de posse de seu semen e querem a autorização da justiça de Israel para terem um neto. A Ciência permite, mas a lei não endossa. A notícia está na Folha de S.Paulo de 10.02.11.
(...)
As leis de Israel, segundo uma boa parte dos seus juízes, dizem que a inseminação não poderá ser efetuada. Não há qualquer documento que o morto tenha deixado escrito dizendo que gostaria de ter um filho após sua morte e com uma mulher escolhida pelos pais. Mas os pais argumentam que, se o filho era um doador de órgãos, por qual razão o que é expelido por um órgão do seu corpo também não poderia ser utilizado em favor da vida?
Com efeito, nem todos os juízes pendem para o mesmo lado. Assim, eis que os magistrados não poderão ficar somente com o código nas mãos. (...)
O que os magistrados enfrentarão será um problema típico de filosofia prática, ou seja, de ética. Eles estarão enredados na decisão sobre se o ethos* do povo, os costumes e hábitos, pedem ou não para que a lei mude.
* ethos: conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região.
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Ismael odiava beijos em público. Era uma coisa que o deixava perturbado desde a infância na casa dos seus pais. Mas vibrava de alegria ao ficar sabendo de eventual repressão a algum beijoqueiro. A notícia que ouviu pelo rádio, na casa de um vizinho, sobre o jogador de vôlei que havia sido repreendido por um membro da organização do Mundial de Clubes de Vôlei por beijar em público sua mulher, após a conquista de um título, deixou-o simplesmente eufórico.
Os amigos ficavam espantados diante dessa insólita situação, mesmo porque, aos 17 anos, poderia facilmente arrumar uma namorada - e beijá-la à vontade, se fosse o caso.
Não era o caso, ele achava o beijo em público uma conduta afrontosa. Jurava para si próprio que jamais casal algum se beijaria perto dele. Mas como evitar que isso acontecesse? Não poderia, claro, recorrer à violência, conforme conselho recebido de alguns professores que elogiavam essa sua ideia sobre o beijo. Eles evitavam atos de violência. Teria de recorrer a algum meio eficiente, mas não agressivo para expressar a sua repulsa. E aí lhe ocorreu: a tosse! Uma forma fácil de advertir pessoas inconvenientes. Naquele mesmo dia fez a primeira experiência. Avistou, na escola, um jovem casal se beijando. Colocou-se atrás dos jovens e começou a tossir escandalosamente - até que eles pararam.
O rapaz, depois de uma breve reclamação, levantou-se e saiu resmungando. Mas a moça, que, aliás, já conhecia, Sofia, moradora da sua rua, olhou-o até com simpatia. Ele estranhou. Deu as costas e foi embora.
À noite, estava sozinho em casa, quando alguém bateu à porta. Abriu, era Sofia. Sorrindo, ela lhe estendeu um frasco: era xarope contra a tosse. Num impulso, ele puxou-a para si e deu-lhe um doce e apaixonado beijo. O primeiro e decisivo beijo de sua vida.
Estão namorando (e beijando muito). Quanto ao xarope, deu-o a um amigo. Descobriu o que é bom para a tosse, ao menos para a tosse que nasce da neurose: é o beijo. Grande, grande remédio!
(Moacyr Scliar, Folha de S.Paulo, 16.11.09. Adaptado)
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Ismael odiava beijos em público. Era uma coisa que o deixava perturbado desde a infância na casa dos seus pais. Mas vibrava de alegria ao ficar sabendo de eventual repressão a algum beijoqueiro. A notícia que ouviu pelo rádio, na casa de um vizinho, sobre o jogador de vôlei que havia sido repreendido por um membro da organização do Mundial de Clubes de Vôlei por beijar em público sua mulher, após a conquista de um título, deixou-o simplesmente eufórico.
Os amigos ficavam espantados diante dessa insólita situação, mesmo porque, aos 17 anos, poderia facilmente arrumar uma namorada - e beijá-la à vontade, se fosse o caso.
Não era o caso, ele achava o beijo em público uma conduta afrontosa. Jurava para si próprio que jamais casal algum se beijaria perto dele. Mas como evitar que isso acontecesse? Não poderia, claro, recorrer à violência, conforme conselho recebido de alguns professores que elogiavam essa sua ideia sobre o beijo. Eles evitavam atos de violência. Teria de recorrer a algum meio eficiente, mas não agressivo para expressar a sua repulsa. E aí lhe ocorreu: a tosse! Uma forma fácil de advertir pessoas inconvenientes. Naquele mesmo dia fez a primeira experiência. Avistou, na escola, um jovem casal se beijando. Colocou-se atrás dos jovens e começou a tossir escandalosamente - até que eles pararam.
O rapaz, depois de uma breve reclamação, levantou-se e saiu resmungando. Mas a moça, que, aliás, já conhecia, Sofia, moradora da sua rua, olhou-o até com simpatia. Ele estranhou. Deu as costas e foi embora.
À noite, estava sozinho em casa, quando alguém bateu à porta. Abriu, era Sofia. Sorrindo, ela lhe estendeu um frasco: era xarope contra a tosse. Num impulso, ele puxou-a para si e deu-lhe um doce e apaixonado beijo. O primeiro e decisivo beijo de sua vida.
Estão namorando (e beijando muito). Quanto ao xarope, deu-o a um amigo. Descobriu o que é bom para a tosse, ao menos para a tosse que nasce da neurose: é o beijo. Grande, grande remédio!
(Moacyr Scliar, Folha de S.Paulo, 16.11.09. Adaptado)
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Entre os sinais que marcam um país como subdesenvolvido, ninguém mais discute, há muito tempo, que o baixo nível da educação está na linha de frente. Não dá para disfarçar; é uma ferida bem no meio da testa. Há muitas outras marcas desse tipo, claro, todas visíveis quando se presta um mínimo de atenção à paisagem pública, e nenhuma delas está em falta no Brasil que se pode ver à nossa volta. São coisas muito simples. Todo país subdesenvolvido, por exemplo, tem mosca; não há exceções. Os aeroportos, em vez de terem à sua volta hotéis operados pelas grandes cadeias internacionais, são cercados por favelas. Homicidas confessos podem começar o cumprimento de suas penas onze anos após o crime que cometeram, quando não são "cidadãos comuns". É uma estrada que vai longe. A cada realidade dessas, é como se uma placa de sinalização avisasse: "Atenção: você está num país subdesenvolvido". Não adianta, aí, ter um PIB que passa dos 2 trilhões de dólares, assistir ao lançamento de imóveis com preços de Manhattan ou anotar o que diz a máquina de propaganda do governo. O atraso continua do mesmo tamanho, indiferente a tudo isso - e não vai mudar, por mais que se avance aqui ou ali, enquanto esses sinais estiverem presentes. Não vai mudar, para começo de conversa, enquanto a educação pública no Brasil for o que é hoje.
(J. R. Guzzo. O ministro não conta. Veja, 8 de junho de 2011)
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