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TEXTO


Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)


Para responder às questões 53 e 54, leia o fragmento a seguir

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que mora e leciona em universidades de Portugal desde os tempos de Collor presidente. Ele me diz que nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como nós fazemos. Não mais se referem ao ano que entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros, portanto, de uma cápsula do tempo linguística.” (Linhas 67-75)

As formas verbais sublinhadas no trecho acima estão no presente do indicativo e exprimem, respectivamente (a primeira – “interrogo” e as segundas – “mora” e “leciona”):

 

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TEXTO


Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida, desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom” não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos conversados. A implacável lógica lusitana que nós, os espertinhos, achamos que é burrice de anedota. (Linhas 78-84)

As palavras sublinhadas no fragmento acima se formam, respectivamente, pelos processos de:

 

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Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos. Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se transformarem em votos.” (Linhas 58-60)

Uma das características funcionais e semânticas de “substantivos” e “adjetivos” é:

 

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Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)

“Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro, mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais. Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um vocabulário que, a outros, podia soar estranho. Lembro-me de um colega de colégio perguntando se eu era brasileiro.” (Linhas 44-49)

A alternativa que justifica a pergunta do colega do autor da crônica é:

 

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Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)


Para responder às questões 48 e 49, leia o fragmento abaixo:

“Na França, em verdade, mesmo parte dos cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade em concluir as atualizações do dia a dia. A tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou sílabas no final das palavras, faz parte do idioma Francês. E as novas gerações, essas então apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia idade boiar.” (Linhas 32-39)

A alternativa que pode substituir a frase – “ E as novas gerações essas estão apocopando adoidado, a ponto de o pessoal de meia idade boiar” (Linhas 37-39) – SEM alterar-lhe o sentido é:

 

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Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)


Para responder às questões 48 e 49, leia o fragmento abaixo:

“Na França, em verdade, mesmo parte dos cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade em concluir as atualizações do dia a dia. A tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou sílabas no final das palavras, faz parte do idioma Francês. E as novas gerações, essas então apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia idade boiar.” (Linhas 32-39)

As formas sublinhadas no fragmento em questão expressam, respectivamente, as idéias de:

 

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TEXTO


Ano-Bom

Aconteceu num mês de fevereiro,

provavelmente o de 1984. Eu e dois amigos da

universidade, um do curso de Jornalismo, outro da

Engenharia, viajamos de carro para passar o

5 carnaval em Laguna. Como eu não dirigia, fiquei

responsável pela animação cultural, gravando fitas

cassete. Nunca tínhamos visto – visto – tanta

mulher bonita.

Depois do Carnaval, descemos para Porto

10 Alegre e retornamos a Santa Catarina, passando

pela Serra Gaúcha. Na subida, almoçamos num

restaurante chamado Colina Verde, que lá está até

hoje, em Nova Petrópolis. Servia-nos uma

garçonete em traje típico alemão. Um dos meus

15 amigos estudava o idioma e puxou assunto com a

moça.

Descobriu que ela falava um alemão que

não existia mais na Alemanha, um dialeto de um

canto da antiga Prússia Oriental que era parte da

20 Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de

imigrantes o preservava, como uma cápsula do

tempo. A conversa, assim, não avançou muito.

Como se diz “você é uma gata” em pomerânio?

Tenho outro amigo que se aborrece cada

25 vez que volta ao país onde nasceu. Ele é francês,

filho de francês e fluente no idioma. Porém, como

passou apenas a primeira metade da vida na

França, não baixou as atualizações do dia a dia.

Pede algo no bistrô, e o garçom retruca em inglês

30 ao perceber uma inflexão que lhe soa estrangeira.

Saco.

Na França, em verdade, mesmo parte dos

cidadãos que lá reside tem tido alguma dificuldade

em concluir as atualizações do dia a dia. A

35 tendência a apocopar, ou seja, a suprimir letras ou

sílabas no final das palavras, faz parte do idioma

francês. E as novas gerações, essas então

apocopam adoidado, a ponto de o pessoal de meia

idade boiar.

40 A família de minha mãe era de portugueses.

Meu avô nasceu em Vila Verde, ao norte de Braga.

Ele trabalhava numa loja de calçados no centro do

Rio. Não o conheci.

Minha avó já nasceu no Rio de Janeiro,

45 mas fez parte dos estudos na Lisboa de seus pais.

Tais fatos nos legaram uma sintaxe e um

vocabulário que, a outros, podia soar estranho.

Lembro-me de um colega de colégio perguntando

se eu era brasileiro.

50 Uma das palavras que usávamos lá em

casa é essa aí do título, “ano-bom”. Significa “ano

novo” e, como esta, mais especificamente, o

primeiro dia de um ano. Existe em Guiné Equatorial

até uma ilha batizada Ano-Bom porque foi

55 descoberta em 1º de janeiro de 1473 pelo

navegador português Fernão do Pó, a caminho das

Índias.

“Ano-Bom e “ano-novo” são substantivos.

Precisam de um adjetivo, digamos “feliz”, para se

60 transformarem em votos. Se “ano-novo” é uma

mera constatação astronômica e cronológica, “anobom”

traz embutida a ideia de que os 365 ou 366

dias não teriam como não ser bons. “Vou comprar

um ventilador no ano-bom”, diria minha mãe em

65 algum dezembro que, percebo hoje, era até

bastante ameno.

Interrogo a respeito um amigo brasileiro que

mora e leciona em universidades de Portugal desde

os tempos de Collor presidente. Ele me diz que

70 nunca ouviu a palavra “ano bom” nessas duas

décadas d’além mar. Seus hoje conterrâneos

desejam-lhe “bom ano” ou “feliz ano novo”, como

nós fazemos. Não mais se referem ao ano que

entra como “ano bom”. Sou um dos herdeiros,

75 portanto, de uma cápsula do tempo linguística.

Um desejo sempre é também a admissão

de que aquilo que se deseja pode não ocorrer.

“Feliz ano novo” subentende a existência virtual de

um “infeliz ano novo” etc. Em contrapartida,

80 desacompanhada de adjetivos, a palavra “ano-bom”

não dá margem a dúvidas heréticas. Há nela algo

das certezas da fé. Vai ser bom, e estamos

conversados. A implacável lógica lusitana que nós,

os espertinhos, achamos que é burrice de anedota.

Creio que a palavra “ano bom” desapareceu

de minha vida com a morte de minha mãe, há 20

anos. Não me lembro de minha tia, criada pelos

mesmos pais, usá-la em seus últimos anos de vida.

Assim sendo, não sei por que “ano-bom” voltou-me

90 à cabeça justamente no final de 2015. Se desde

Collor haverá uma passagem de ano em que a

palavra portuguesa soará tão inapropriada, tão

antiquada, será a que se avizinha.

Seja como for, “ano-bom” é hoje uma

95 palavra que não consigo escrever sem as aspas,

apenas um verbete nos dicionários, um tema para

uma última coluna do ano, uma memória de tempos

que só se tornam melhores porque já feriram o que

tinham de ferir.

(Arthur Dapieve, O Globo, 25 de dezembro de 2015,

Segundo Caderno, página 6)

“Descobriu que ela falava um alemão que não existia mais na Alemanha, um dialeto de um canto da antiga Prússia Oriental que era parte da Polônia desde a Segunda Guerra. Sua colônia de imigrantes o preservava, como uma cápsula do tempo.” (Linhas 17-22)

A forma sublinhada no fragmento acima tem função coesiva. Identifique, na sequência, a classe gramatical da forma sublinhada e o elemento que ela recupera.

 

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265500 Ano: 2016
Disciplina: Enfermagem
Banca: UFF
Orgão: UFF

O método de anticoncepção chamado de MUCO CERVICAL ou BILLINGS baseia-se na identificação do período fértil por meio da autoobservação das características do muco cervical e da sensação por ele provocada na vulva. Uma vez em uso desse método, a mulher que não deseja engravidar deve ser orientada para:

 

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265499 Ano: 2016
Disciplina: Enfermagem
Banca: UFF
Orgão: UFF

A correta indicação para o uso de anticoncepção de emergência (AE), em caso de estupro, é para todas as mulheres expostas à gravidez:

 

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265498 Ano: 2016
Disciplina: Enfermagem
Banca: UFF
Orgão: UFF

Com relação à adolescência, é correto afirmar que:

 

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