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O ORGULHO DA IGNORÂNCIA
Entrei no carro da produção e notei que a trava do cinto de segurança estava presa debaixo do assento. O trajeto era curto, minha companheira de cena já estava acomodada no banco de trás e eu achei por bem não criar problema.
Pedi ao motorista, no entanto, que, na volta, liberasse o cinto.
O que me parecia um pedido honesto foi mal recebido pelo condutor. Ele respondeu que um amigo havia morrido queimado porque não tinha conseguido se soltar e, desde então, nunca mais usou o cinto. Calei-me, era uma razão nobre. Mas a camareira, sentada no banco da frente e já afivelada, argumentou que o filho havia saído vivo de uma capotagem porque estava preso ao assento.
A descrença do homem só fez aumentar. Ele sorriu, desdenhoso, disse que nós éramos muito pessimistas e ensinou que, na vida, é preciso pensar positivo. “Não ultrapasso a velocidade, dirijo com cuidado e não há nada no mundo que me faça usar cinto”, respondeu, contrafeito.
Cumprimos o curto percurso em silêncio, constrangidos com as convicções de cada um. Descemos do carro vivas e aliviadas. Prevendo que voltaríamos no mesmo veículo, pedi com gentileza a ele que liberasse as travas na volta.
Acabada a filmagem, a produção designou o mesmo motorista para nos trazer e, por uma questão de princípios, ele não havia atendido ao pedido. O produtor ajudou a levantar o banco, soltamos as travas e voltamos seguras, apesar da revolta muda do comandante. Havíamos ofendido o orgulho que ele nutria da própria ignorância.
Não é um caso isolado. Raros são os táxis que mantêm os cintos em ordem no banco de trás. A maioria encara o dispositivo como frescura.
Quando eu era pequena, meu pai guiava uma Kombi de São Paulo, onde morávamos, até o sítio, em Teresópolis, com a família a bordo. Dava mais de dez horas de viagem, sem cinto. Eu e meu irmão dormíamos no chão sem pensar em tragédia. Éramos incautos e otimistas, como o motorista de agora.
Na época, também se fumava sem pensar nas consequências, tomava-se antibiótico como se fosse homeopatia e regava-se a horta com pesticida. O avô de uma amiga passava ácido nas pedras de sua propriedade em Angra dos Reis porque achava bonito vê-las lisas. Não havia aquecimento global nem crise de recursos energéticos. O homem ainda era senhor absoluto do próprio destino.
Hoje, a consciência extremada nos obriga ao pessimismo.
As campanhas antifumo, as mutações oriundas de pesticidas, o buraco na camada de ozônio, a seca e as superbactérias tiraram muito da confiança pueril de outrora.
O cinto talvez seja das exigências mais simples da nova era. Ele não impõe que o fumante abandone seu vício, que a mãe tenha paciência com a febre do filho, que o agricultor conviva com as pestes da lavoura nem que se feche a torneira na hora de escovar os dentes.
Puxar a fivela, no meu caso, tornou-se uma ação automática, como virar a chave ou ligar os faróis. O que me tira do sério é ter de levantar o banco para puxar a trava cada vez que entro com meus filhos num táxi.
Fernanda Torres (Veja Rio, ano 24, nº 41, de 8 de outubro de 2014.)
No trecho “Éramos incautos e otimistas, como o motorista de agora.”, a palavra em destaque pode ser substituída, sem prejuízo do sentido empregado no texto, por:
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Para que a administração não seja prejudicada pela ausência de servidores, a Lei nº 8.112/90 prevê ferramentas de controle de faltas e atrasos.
É INCORRETO afirmar que:
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Por ser muito versátil, o sistema de impressão offset utiliza variados tipos de substratos a fim de atender diversos campos de aplicação. Sobre o sistema de entintagem das máquinas de impressão offset, é correto afirmar que:
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Sobre o processo de impressão offset, é correto afirmar que:
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A sobreposição de ângulos incorretos nos padrões de retículas gera um problema na impressão. Esse efeito é conhecido como:
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O ORGULHO DA IGNORÂNCIA
Entrei no carro da produção e notei que a trava do cinto de segurança estava presa debaixo do assento. O trajeto era curto, minha companheira de cena já estava acomodada no banco de trás e eu achei por bem não criar problema.
Pedi ao motorista, no entanto, que, na volta, liberasse o cinto.
O que me parecia um pedido honesto foi mal recebido pelo condutor. Ele respondeu que um amigo havia morrido queimado porque não tinha conseguido se soltar e, desde então, nunca mais usou o cinto. Calei-me, era uma razão nobre. Mas a camareira, sentada no banco da frente e já afivelada, argumentou que o filho havia saído vivo de uma capotagem porque estava preso ao assento.
A descrença do homem só fez aumentar. Ele sorriu, desdenhoso, disse que nós éramos muito pessimistas e ensinou que, na vida, é preciso pensar positivo. “Não ultrapasso a velocidade, dirijo com cuidado e não há nada no mundo que me faça usar cinto”, respondeu, contrafeito.
Cumprimos o curto percurso em silêncio, constrangidos com as convicções de cada um. Descemos do carro vivas e aliviadas. Prevendo que voltaríamos no mesmo veículo, pedi com gentileza a ele que liberasse as travas na volta.
Acabada a filmagem, a produção designou o mesmo motorista para nos trazer e, por uma questão de princípios, ele não havia atendido ao pedido. O produtor ajudou a levantar o banco, soltamos as travas e voltamos seguras, apesar da revolta muda do comandante. Havíamos ofendido o orgulho que ele nutria da própria ignorância.
Não é um caso isolado. Raros são os táxis que mantêm os cintos em ordem no banco de trás. A maioria encara o dispositivo como frescura.
Quando eu era pequena, meu pai guiava uma Kombi de São Paulo, onde morávamos, até o sítio, em Teresópolis, com a família a bordo. Dava mais de dez horas de viagem, sem cinto. Eu e meu irmão dormíamos no chão sem pensar em tragédia. Éramos incautos e otimistas, como o motorista de agora.
Na época, também se fumava sem pensar nas consequências, tomava-se antibiótico como se fosse homeopatia e regava-se a horta com pesticida. O avô de uma amiga passava ácido nas pedras de sua propriedade em Angra dos Reis porque achava bonito vê-las lisas. Não havia aquecimento global nem crise de recursos energéticos. O homem ainda era senhor absoluto do próprio destino.
Hoje, a consciência extremada nos obriga ao pessimismo.
As campanhas antifumo, as mutações oriundas de pesticidas, o buraco na camada de ozônio, a seca e as superbactérias tiraram muito da confiança pueril de outrora.
O cinto talvez seja das exigências mais simples da nova era. Ele não impõe que o fumante abandone seu vício, que a mãe tenha paciência com a febre do filho, que o agricultor conviva com as pestes da lavoura nem que se feche a torneira na hora de escovar os dentes.
Puxar a fivela, no meu caso, tornou-se uma ação automática, como virar a chave ou ligar os faróis. O que me tira do sério é ter de levantar o banco para puxar a trava cada vez que entro com meus filhos num táxi.
Fernanda Torres (Veja Rio, ano 24, nº 41, de 8 de outubro de 2014.)
O emprego das aspas no 4º parágrafo do texto indica:
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Segundo o artigo 116 da Lei nº 8.112/90, é dever do servidor:
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O termo “ganho de ponto” define-se, basicamente, na diferente condição apresentada pelo ponto impresso em relação às dimensões originais encontradas nas chapas ou nos filmes. As bordas dos pontos e dos traços ficam deformadas. Esse aumento de ponto pode acontecer durante:
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DENUNCIADOS PELA LINGUAGEM
Fabiane era inocente. Nós, ao exaltarmos a sua inocência como principal razão para que ela não fosse assassinada, somos culpados
O linchamento de Fabiane Maria de Jesus nos denuncia pela palavra. Há um horror, o linchamento. E há o horror por trás do horror, que é a exacerbação da inocência da vítima. É preciso que este também nos espante, porque ainda mais entranhado, suas unhas cravadas fundo numa forma de pensar como indivíduos e de funcionar como sociedade. Nem todos são capazes de pegar um pedaço de pau para bater na cabeça de uma mulher até a morte por considerá-la culpada de um crime, mas é grande o número daqueles que, ao contarem o caso na última semana, enfatizaram: “Ela era inocente”. Não como uma informação a mais no horror, mas como a mais importante. Essa também foi a frase escolhida para ilustrar as camisetas dos que protestavam contra a sua morte: “A dor da inocência”. Mas talvez seja na exaltação da inocência que nossa violência se revele em sua face mais odiosa. O que pensamos ser luz, prova de nossa boa índole, é feito da matéria de nossas trevas mais íntimas. É a exacerbação da inocência que mostra o quanto nós – mesmo os que não lincham pessoas na rua – somos perigosos.
E se ela fosse culpada?, como provoca o título da matéria de Marina Rossi, aqui no El País Brasil. E se ela fosse uma mulher que praticasse magia negra com crianças? Seu assassinato por um bando de pessoas na rua estaria justificado? Então alguém poderia agarrá-la, outro arrastá-la e um terceiro passar com a roda da bicicleta sobre a sua cabeça? É isso o que estamos dizendo quando nos espantamos mais com a inocência de Fabiane do que com o seu assassinato?
BRUM, E. Denunciados pela linguagem. El País. Brasil, 12 maio 2014. (Texto adaptado)
O conectivo que pode ser usado entre as duas frases do subtítulo, confirmando a ideia defendida no texto, é:
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O processo de impressão offset utiliza um tipo de tinta específica. Sobre a tinta utilizada no processo de impressão offset e sobre a sua utilização, é correto afirmar que:
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