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Foram encontradas 25 questões.

2438509 Ano: 2012
Disciplina: TI - Redes de Computadores
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Considere as afirmativas a seguir:

I. Um servidor de páginas web, por necessitar de um serviço orientado a conexão, utiliza o protocolo UDP na camada de transporte.

II. O protocolo SMTP deve ser substituído pelo protocolo SNMP para aumentar a segurança no serviço de correio eletrônico.

III. O protocolo HTTP deve ser usado em conjunto com o SSL para permitir a implementação de transferência da informação usando criptografia.

IV. O DNS reverso é usado para evitar que alguém use um domínio que não lhe pertence para enviar mensagens de spam.

É CORRETO o que se afirma, apenas, em:

 

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2438508 Ano: 2012
Disciplina: TI - Banco de Dados
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Considere as seguintes tabelas de um Banco de Dados Relacional e seus relacionamentos:

Enunciado 2950884-1

Assinale a alternativa que NÃO retorna, para cada disciplina, a média das notas dos alunos que cursam 'Ciência da Computação' ou 'Matemática':

 

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2438507 Ano: 2012
Disciplina: TI - Banco de Dados
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Considere as seguintes tabelas de um Banco de Dados Relacional e seus relacionamentos:

Enunciado 2950883-1

Dada a consulta SQL:

SELECT E.Nome, COUNT(F.CodFuncionario), AVG(F.Salario)
FROM Empresa E INNER JOIN Funcionario F

ON E.CodEmpresa = F.CodEmpresa

WHERE F.Cargo IN ('Programador')
GROUP BY E.Nome
HAVING COUNT(F.CodFuncionario) > 5

Assinale a alternativa que apresenta, na ORDEM CORRETA, a informação, em cada linha, resultante desta consulta:

 

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2438506 Ano: 2012
Disciplina: TI - Banco de Dados
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma atribuição de um Administrador de Banco de Dados (DBA):

 

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2438505 Ano: 2012
Disciplina: TI - Organização e Arquitetura dos Computadores
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Considere a aplicação de um sistema RAID sobre 4 HD's, sendo cada um deles com a capacidade de armazenamento de 200 GB. Assinale a alternativa que apresenta uma relação INCORRETA entre a configuração RAID e sua capacidade final de armazenamento:

 

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SOMOS NÓS MESMOS

[...]

Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.

Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.

Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.

Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.

Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.

O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.

Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.

(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)

Das alterações processadas em passagens do texto, assinale aquela em que há ERRO de concordância verbal:

 

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SOMOS NÓS MESMOS

[...]

Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.

Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.

Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.

Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.

Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.

O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.

Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.

(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)

“O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos [...], são também a gente [...].” (§ 6) Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que o emprego da preposição em destaque CONTRARIA a norma culta da língua é:

 

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SOMOS NÓS MESMOS

[...]

Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.

Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.

Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.

Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.

Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.

O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.

Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.

(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)

"Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros.” (§ 2) “[...] quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós [...].” (§ 6)

É frequente a confusão que se faz entre mal e mau, bem como entre porque e por que. Assinale a alternativa em que a palavra em destaque aparece grafada INCORRETAMENTE:

 

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SOMOS NÓS MESMOS

[...]

Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.

Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.

Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.

Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.

Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.

O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.

Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.

(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)

“[...] mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo [...].” (§ 4) O trecho sublinhado na passagem acima pode ser substituído, sem que haja substancial alteração de sentido, por:

 

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SOMOS NÓS MESMOS

[...]

Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.

Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.

Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.

Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.

Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.

O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.

Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.

(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)

O autor se vale de palavras ou expressões altamente sugestivas, de valor conotativo. Assinale a alternativa em que a conotação atribuída à palavra ou expressão sublinhada NÃO condiz com o sentido geral do texto:

 

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