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Foram encontradas 115 questões.

2039971 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV

Leia o texto abaixo e responda às questões de 10 a 15.


TEXTO 2

Bendito incômodo

Martha Medeiros


1º§ asdOutro dia escutei uma música antiga gravada por amigos meus. Antiga mesmo, fez sucesso há uns 30 anos. Não vou dar o serviço (nome, autores) porque estamos em fase de intensa patrulha e eles são muito talentosos e gente boa, não merecem agressões retroativas. Tenho certeza que hoje eles não comporiam os dois versos simplórios que soavam engraçados, mas que agora doeram nos meus ouvidos — claro que estou falando sobre machismo.

2º § asdJá soube de escritor que está reescrevendo o próprio livro, publicado há 20 anos, para relançá-lo numa versão politicamente correta. Se olharmos para trás, encontraremos inúmeras obras racistas, machistas e homofóbicas que não nos incomodavam tanto (Monteiro Lobato e as alusões à tia Anastácia é o exemplo mais notório), mas que hoje não resistiriam a uma boa grita.

3º § asdEu mesma já escrevi bobagens que não repetiria (nada como cometer erros novos), porém acho inútil reescrever, regravar, revisar o que já foi publicado e divulgado. São registros de uma época que passou e que hoje têm ao menos esta serventia: incomodar. Quando a gente se sente incomodado com algo que antes não nos abalava, é sinal de que nos tornamos mais conscientes.

4º § asdFalo por mim. Até alguns anos, não achava necessária a revitalização do movimento feminista, acreditava que o caminho da nossa independência e emancipação estava pavimentado e que o tempo trataria de ajustar o que faltasse. Equivocadíssima. Os anos 1950 e 1960 foram cruciais para a mulher entrar no mercado de trabalho e conquistar a liberdade sexual, mas foi só um (gigantesco) primeiro passo. Ainda temos chão a trilhar.

5º§ asdOs altos índices de feminicídio não são mimimi, eles justificam os movimentos que vêm eclodindo no mundo todo. Sob efeito do arrebatador vídeo das chilenas (El violador eres tú), recomendo dois livros: “O homem infelizmente tem que acabar”, da irônica e divertida Clara Corleone, que sem rodeios inaugura um novo normal, e “Mulheres Empilhadas”, da veterana Patrícia Melo, que também coloca o dedo na ferida e mostra que não há exagero nem vitimismo quando o assunto é violência contra a mulher. Uma de forma leve, outra de forma dramática, ambas as leituras — agradáveis, modernas, sem nenhum ranço — nos guiam rumo a uma sociedade mais igualitária. Mostram como funciona o sutil rebaixamento da mulher, que acontece todo dia em detalhes quase imperceptíveis. E abrem nossos olhos, a fim de educarmos melhor nossas filhas e, principalmente, nossos filhos — os novos homens que estamos colocando no mundo.

6º § asdEvoluir nem sempre significa deixar pra lá, se importar menos. Hoje me incomodo com o que não me incomodava antes. É um dos benefícios dos movimentos sociais: nos arrancam da bolha e nos jogam na vida real.


MEDEIROS, Martha. Bendito incômodo. Diário Catarinense | | NSC TOTAL. Disponível em: https:/Awww .nsctotal.com.br/colunistas/martha-medeiros/bendito-incomodo. Acesso em: 28 maio 2021.

“[...] 'Mulheres Empilhadas”, da veterana Patrícia Melo, que também coloca o dedo na ferida [...].” (§ 5)

No trecho acima, a expressão sublinhada foi utilizada com sentido:

 

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2039970 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV

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TEXTO 1

Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro

Ana Muniz e Cristiana Callai

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)

§1 asdByung-Chul Han (2015), ao publicar a obra Sociedade do Cansaço, deixa de ser autor e revela-se fotógrafo. Ainda que não literalmente, o filósofo fotografa a realidade e revela nossa identidade em suas páginas. Em vez de apresentar as belezas da sociedade contemporânea, Han quase disseca corpos vivos. Corpos doentes e exaustos, que habitam o cativeiro da Sociedade do Desempenho.

§2 asdFaz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha. Somos sujeitos que se entregam “à liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho” (Han, 2015, p. 30). Não sofremos coerção externa, mas somos senhores e escravos de nós mesmos, reféns de nossa positividade desmesurada. Nossa hiperatividade cria uma sensação de liberdade. Simples sensação. Segundo o autor, “pura inquietação não gera nada de novo”. Ela, a inquietação, “reproduz e acelera o já existente” (Han, 2015, p. 34).

§3 asdDamo-nos conta de que nossa autoexploração não estabelece, por si só, uma relação com “tudo poder fazer”. Uma sociedade que só se baseia em “sim” acaba por gestar um execrado sentimento: a frustração. Frustrados, refletimos a imagem mostrada por Han em suas páginas: uma “humanidade que está em guerra consigo mesma” (Han, 2015, p. 29).

§4 asdUma bandeira pode ser levantada em tempos de guerra: a da interrupção. Segundo Han, “vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios” (Han, 2015, p. 53). Não temos sido capazes de aprofundamentos, contemplações, reflexões e pausas, decorrentes de um “bem viver”. Contudo, mostramos maestria na insensata agonia do “sobreviver”.

§5 asdOs homens “evoluíram” e se transformaram em máquinas. Somos máquinas de desempenho. Máquinas em guerra interior. Erguer uma “bandeira branca” em meio a tal guerra seria uma tentativa de recuperar nosso estado humano, em que nosso corpo se tornaria, mais uma vez, ainda que por um breve espaço de tempo, acessível, permeável, sensível, produtor e receptor de afetos.

§6 asdVivemos em crise. Crise da aceleração demasiada. Crise da multiplicação de desigualdades. Crise do sucateamento de afetos. Qual seria nossa linha de fuga em meio à generalização da crise? Propomos uma interrupção. Além: propomos uma intervenção. Entretanto, diferentemente do que temos vivenciado através do choque da palavra intervenção, automaticamente seguida por “militar”, a intervenção aqui se faz literária. E por que pensar em literatura em meio à guerra? Candido (1995) guia ao entendimento:

§7 asdA literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura (Candido, 1995, adaptado).

§8 asdNeste momento, a literatura, entendida de forma ampla como toda e qualquer criação poética, dramática ou ficcional, fará o seu mais belo papel: o de nos resgatar do cansaço e promover a vida.

§9 asdO que pode a arte? Talvez, salvar-nos da morte dos sentidos. Ressuscitar-nos para as estesias do viver, encharcar-nos para que possamos atravessar o deserto contemplando o oásis. Delírios também são sopros poéticos que interrompem o acelerado agora e nos oferecem outros tempos.


MUNIZ, Ana; CALLAI, Cristiana. Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro. Educação Pública, v. 20, nº 10, 17 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/10/na-sociedade-do-cansaco-aliteratura-se-faz-respiro. Acesso em: 28 out. 2020.

Observe a sintaxe de colocação dos pronomes pessoais oblíquos átonos nos dois trechos a seguir:

|. “Ressuscitar-nos para as estesias do viver [...].” (§ 9)

Il. “Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance.” (§ 7)

É CORRETO afirmar que, em | e em Il, tem-se, respectivamente, usos de:

 

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2039969 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
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TEXTO 1

Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro

Ana Muniz e Cristiana Callai

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)

§1 asdByung-Chul Han (2015), ao publicar a obra Sociedade do Cansaço, deixa de ser autor e revela-se fotógrafo. Ainda que não literalmente, o filósofo fotografa a realidade e revela nossa identidade em suas páginas. Em vez de apresentar as belezas da sociedade contemporânea, Han quase disseca corpos vivos. Corpos doentes e exaustos, que habitam o cativeiro da Sociedade do Desempenho.

§2 asdFaz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha. Somos sujeitos que se entregam “à liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho” (Han, 2015, p. 30). Não sofremos coerção externa, mas somos senhores e escravos de nós mesmos, reféns de nossa positividade desmesurada. Nossa hiperatividade cria uma sensação de liberdade. Simples sensação. Segundo o autor, “pura inquietação não gera nada de novo”. Ela, a inquietação, “reproduz e acelera o já existente” (Han, 2015, p. 34).

§3 asdDamo-nos conta de que nossa autoexploração não estabelece, por si só, uma relação com “tudo poder fazer”. Uma sociedade que só se baseia em “sim” acaba por gestar um execrado sentimento: a frustração. Frustrados, refletimos a imagem mostrada por Han em suas páginas: uma “humanidade que está em guerra consigo mesma” (Han, 2015, p. 29).

§4 asdUma bandeira pode ser levantada em tempos de guerra: a da interrupção. Segundo Han, “vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios” (Han, 2015, p. 53). Não temos sido capazes de aprofundamentos, contemplações, reflexões e pausas, decorrentes de um “bem viver”. Contudo, mostramos maestria na insensata agonia do “sobreviver”.

§5 asdOs homens “evoluíram” e se transformaram em máquinas. Somos máquinas de desempenho. Máquinas em guerra interior. Erguer uma “bandeira branca” em meio a tal guerra seria uma tentativa de recuperar nosso estado humano, em que nosso corpo se tornaria, mais uma vez, ainda que por um breve espaço de tempo, acessível, permeável, sensível, produtor e receptor de afetos.

§6 asdVivemos em crise. Crise da aceleração demasiada. Crise da multiplicação de desigualdades. Crise do sucateamento de afetos. Qual seria nossa linha de fuga em meio à generalização da crise? Propomos uma interrupção. Além: propomos uma intervenção. Entretanto, diferentemente do que temos vivenciado através do choque da palavra intervenção, automaticamente seguida por “militar”, a intervenção aqui se faz literária. E por que pensar em literatura em meio à guerra? Candido (1995) guia ao entendimento:

§7 asdA literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura (Candido, 1995, adaptado).

§8 asdNeste momento, a literatura, entendida de forma ampla como toda e qualquer criação poética, dramática ou ficcional, fará o seu mais belo papel: o de nos resgatar do cansaço e promover a vida.

§9 asdO que pode a arte? Talvez, salvar-nos da morte dos sentidos. Ressuscitar-nos para as estesias do viver, encharcar-nos para que possamos atravessar o deserto contemplando o oásis. Delírios também são sopros poéticos que interrompem o acelerado agora e nos oferecem outros tempos.


MUNIZ, Ana; CALLAI, Cristiana. Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro. Educação Pública, v. 20, nº 10, 17 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/10/na-sociedade-do-cansaco-aliteratura-se-faz-respiro. Acesso em: 28 out. 2020.

“Faz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha.” (§ 2)

De acordo com a norma culta, é CORRETO afirmar que a palavra sublinhada na passagem acima deve ser classificada como:

 

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2039968 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV

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TEXTO 1

Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro

Ana Muniz e Cristiana Callai

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)

§1 asdByung-Chul Han (2015), ao publicar a obra Sociedade do Cansaço, deixa de ser autor e revela-se fotógrafo. Ainda que não literalmente, o filósofo fotografa a realidade e revela nossa identidade em suas páginas. Em vez de apresentar as belezas da sociedade contemporânea, Han quase disseca corpos vivos. Corpos doentes e exaustos, que habitam o cativeiro da Sociedade do Desempenho.

§2 asdFaz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha. Somos sujeitos que se entregam “à liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho” (Han, 2015, p. 30). Não sofremos coerção externa, mas somos senhores e escravos de nós mesmos, reféns de nossa positividade desmesurada. Nossa hiperatividade cria uma sensação de liberdade. Simples sensação. Segundo o autor, “pura inquietação não gera nada de novo”. Ela, a inquietação, “reproduz e acelera o já existente” (Han, 2015, p. 34).

§3 asdDamo-nos conta de que nossa autoexploração não estabelece, por si só, uma relação com “tudo poder fazer”. Uma sociedade que só se baseia em “sim” acaba por gestar um execrado sentimento: a frustração. Frustrados, refletimos a imagem mostrada por Han em suas páginas: uma “humanidade que está em guerra consigo mesma” (Han, 2015, p. 29).

§4 asdUma bandeira pode ser levantada em tempos de guerra: a da interrupção. Segundo Han, “vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios” (Han, 2015, p. 53). Não temos sido capazes de aprofundamentos, contemplações, reflexões e pausas, decorrentes de um “bem viver”. Contudo, mostramos maestria na insensata agonia do “sobreviver”.

§5 asdOs homens “evoluíram” e se transformaram em máquinas. Somos máquinas de desempenho. Máquinas em guerra interior. Erguer uma “bandeira branca” em meio a tal guerra seria uma tentativa de recuperar nosso estado humano, em que nosso corpo se tornaria, mais uma vez, ainda que por um breve espaço de tempo, acessível, permeável, sensível, produtor e receptor de afetos.

§6 asdVivemos em crise. Crise da aceleração demasiada. Crise da multiplicação de desigualdades. Crise do sucateamento de afetos. Qual seria nossa linha de fuga em meio à generalização da crise? Propomos uma interrupção. Além: propomos uma intervenção. Entretanto, diferentemente do que temos vivenciado através do choque da palavra intervenção, automaticamente seguida por “militar”, a intervenção aqui se faz literária. E por que pensar em literatura em meio à guerra? Candido (1995) guia ao entendimento:

§7 asdA literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura (Candido, 1995, adaptado).

§8 asdNeste momento, a literatura, entendida de forma ampla como toda e qualquer criação poética, dramática ou ficcional, fará o seu mais belo papel: o de nos resgatar do cansaço e promover a vida.

§9 asdO que pode a arte? Talvez, salvar-nos da morte dos sentidos. Ressuscitar-nos para as estesias do viver, encharcar-nos para que possamos atravessar o deserto contemplando o oásis. Delírios também são sopros poéticos que interrompem o acelerado agora e nos oferecem outros tempos.


MUNIZ, Ana; CALLAI, Cristiana. Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro. Educação Pública, v. 20, nº 10, 17 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/10/na-sociedade-do-cansaco-aliteratura-se-faz-respiro. Acesso em: 28 out. 2020.

“Os homens "evoluíram' e se transformaram em máquinas.” (§ 5)

Em relação ao termo sublinhado no fragmento acima, assinale a alternativa que justifica CORRETAMENTE, de acordo com a norma culta, o emprego das aspas nesse trecho do texto:

 

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2039967 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV

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TEXTO 1

Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro

Ana Muniz e Cristiana Callai

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)

§1 asdByung-Chul Han (2015), ao publicar a obra Sociedade do Cansaço, deixa de ser autor e revela-se fotógrafo. Ainda que não literalmente, o filósofo fotografa a realidade e revela nossa identidade em suas páginas. Em vez de apresentar as belezas da sociedade contemporânea, Han quase disseca corpos vivos. Corpos doentes e exaustos, que habitam o cativeiro da Sociedade do Desempenho.

§2 asdFaz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha. Somos sujeitos que se entregam “à liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho” (Han, 2015, p. 30). Não sofremos coerção externa, mas somos senhores e escravos de nós mesmos, reféns de nossa positividade desmesurada. Nossa hiperatividade cria uma sensação de liberdade. Simples sensação. Segundo o autor, “pura inquietação não gera nada de novo”. Ela, a inquietação, “reproduz e acelera o já existente” (Han, 2015, p. 34).

§3 asdDamo-nos conta de que nossa autoexploração não estabelece, por si só, uma relação com “tudo poder fazer”. Uma sociedade que só se baseia em “sim” acaba por gestar um execrado sentimento: a frustração. Frustrados, refletimos a imagem mostrada por Han em suas páginas: uma “humanidade que está em guerra consigo mesma” (Han, 2015, p. 29).

§4 asdUma bandeira pode ser levantada em tempos de guerra: a da interrupção. Segundo Han, “vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios” (Han, 2015, p. 53). Não temos sido capazes de aprofundamentos, contemplações, reflexões e pausas, decorrentes de um “bem viver”. Contudo, mostramos maestria na insensata agonia do “sobreviver”.

§5 asdOs homens “evoluíram” e se transformaram em máquinas. Somos máquinas de desempenho. Máquinas em guerra interior. Erguer uma “bandeira branca” em meio a tal guerra seria uma tentativa de recuperar nosso estado humano, em que nosso corpo se tornaria, mais uma vez, ainda que por um breve espaço de tempo, acessível, permeável, sensível, produtor e receptor de afetos.

§6 asdVivemos em crise. Crise da aceleração demasiada. Crise da multiplicação de desigualdades. Crise do sucateamento de afetos. Qual seria nossa linha de fuga em meio à generalização da crise? Propomos uma interrupção. Além: propomos uma intervenção. Entretanto, diferentemente do que temos vivenciado através do choque da palavra intervenção, automaticamente seguida por “militar”, a intervenção aqui se faz literária. E por que pensar em literatura em meio à guerra? Candido (1995) guia ao entendimento:

§7 asdA literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura (Candido, 1995, adaptado).

§8 asdNeste momento, a literatura, entendida de forma ampla como toda e qualquer criação poética, dramática ou ficcional, fará o seu mais belo papel: o de nos resgatar do cansaço e promover a vida.

§9 asdO que pode a arte? Talvez, salvar-nos da morte dos sentidos. Ressuscitar-nos para as estesias do viver, encharcar-nos para que possamos atravessar o deserto contemplando o oásis. Delírios também são sopros poéticos que interrompem o acelerado agora e nos oferecem outros tempos.


MUNIZ, Ana; CALLAI, Cristiana. Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro. Educação Pública, v. 20, nº 10, 17 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/10/na-sociedade-do-cansaco-aliteratura-se-faz-respiro. Acesso em: 28 out. 2020.

Assinale a alternativa em que o termo em destaque NÃO tem o mesmo sentido que o da palavra sublinhada, de acordo com o texto:

 

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2039966 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV

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TEXTO 1

Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro

Ana Muniz e Cristiana Callai

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)

§1 asdByung-Chul Han (2015), ao publicar a obra Sociedade do Cansaço, deixa de ser autor e revela-se fotógrafo. Ainda que não literalmente, o filósofo fotografa a realidade e revela nossa identidade em suas páginas. Em vez de apresentar as belezas da sociedade contemporânea, Han quase disseca corpos vivos. Corpos doentes e exaustos, que habitam o cativeiro da Sociedade do Desempenho.

§2 asdFaz-se necessário, contudo, ratificar que o cativeiro referido é resultado de uma escolha. Somos sujeitos que se entregam “à liberdade coercitiva ou à livre coerção de maximizar o desempenho” (Han, 2015, p. 30). Não sofremos coerção externa, mas somos senhores e escravos de nós mesmos, reféns de nossa positividade desmesurada. Nossa hiperatividade cria uma sensação de liberdade. Simples sensação. Segundo o autor, “pura inquietação não gera nada de novo”. Ela, a inquietação, “reproduz e acelera o já existente” (Han, 2015, p. 34).

§3 asdDamo-nos conta de que nossa autoexploração não estabelece, por si só, uma relação com “tudo poder fazer”. Uma sociedade que só se baseia em “sim” acaba por gestar um execrado sentimento: a frustração. Frustrados, refletimos a imagem mostrada por Han em suas páginas: uma “humanidade que está em guerra consigo mesma” (Han, 2015, p. 29).

§4 asdUma bandeira pode ser levantada em tempos de guerra: a da interrupção. Segundo Han, “vivemos num mundo muito pobre de interrupções, pobre de entremeios e tempos intermédios” (Han, 2015, p. 53). Não temos sido capazes de aprofundamentos, contemplações, reflexões e pausas, decorrentes de um “bem viver”. Contudo, mostramos maestria na insensata agonia do “sobreviver”.

§5 asdOs homens “evoluíram” e se transformaram em máquinas. Somos máquinas de desempenho. Máquinas em guerra interior. Erguer uma “bandeira branca” em meio a tal guerra seria uma tentativa de recuperar nosso estado humano, em que nosso corpo se tornaria, mais uma vez, ainda que por um breve espaço de tempo, acessível, permeável, sensível, produtor e receptor de afetos.

§6 asdVivemos em crise. Crise da aceleração demasiada. Crise da multiplicação de desigualdades. Crise do sucateamento de afetos. Qual seria nossa linha de fuga em meio à generalização da crise? Propomos uma interrupção. Além: propomos uma intervenção. Entretanto, diferentemente do que temos vivenciado através do choque da palavra intervenção, automaticamente seguida por “militar”, a intervenção aqui se faz literária. E por que pensar em literatura em meio à guerra? Candido (1995) guia ao entendimento:

§7 asdA literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável desse universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional está presente em cada um de nós, como anedota, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular. Ela se manifesta desde o devaneio no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura (...) parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. Podemos dizer que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura (Candido, 1995, adaptado).

§8 asdNeste momento, a literatura, entendida de forma ampla como toda e qualquer criação poética, dramática ou ficcional, fará o seu mais belo papel: o de nos resgatar do cansaço e promover a vida.

§9 asdO que pode a arte? Talvez, salvar-nos da morte dos sentidos. Ressuscitar-nos para as estesias do viver, encharcar-nos para que possamos atravessar o deserto contemplando o oásis. Delírios também são sopros poéticos que interrompem o acelerado agora e nos oferecem outros tempos.


MUNIZ, Ana; CALLAI, Cristiana. Na sociedade do cansaço a literatura se faz respiro. Educação Pública, v. 20, nº 10, 17 de março de 2020. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/20/10/na-sociedade-do-cansaco-aliteratura-se-faz-respiro. Acesso em: 28 out. 2020.

O objetivo comunicativo do texto é:

 

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2039965 Ano: 2021
Disciplina: Serviços Gerais
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Ao relatar sua experiência como iluminador, Perez (2007) conta:

“Quando iniciei meus trabalhos de desenho de iluminação, utilizava ferramentas que também eram as únicas do desenho técnico. Mesas de desenho, canetas de nanquim, réguas paralelas, esquadros, normógrafos, etc. Através dessas ferramentas era possível e é até hoje se construir projetos e mapas muito bem elaborados, porém dispendia-se um tempo precioso, pois, cada detalhe tinha que ser desenhado à mão, e quando os erros aconteciam a melhor opção era começar de novo. Imaginem só o “trampo” que dava tudo isso. Hoje, graças à evolução da informática, estão disponíveis no mercado ótimas ferramentas para os designers e projetistas. Na engenharia civil, elétrica e mecânica, além do famoso Autocad, existem vários softwares específicos”. (PEREZ, 2007.)

Sabe-se que há softwares que podem ser utilizados para otimizar os trabalhos no segmento da Iluminação Cênica, dentre os quais o CompuCAD e o Wysiwyg, entre outros.

Analise as afirmativas a seguir sobre alguns dos softwares que podem ser utilizados em Iluminação Cênica:

I. O CompuCAD é um software de design 2D e 3D criado para as indústrias de manufatura, infraestrutura, construção, mídia e entretenimento com dados transmitidos via wireless.

II. O Wysiwyg é um programa que ajuda a planificar projetos de iluminação e cenografia, permitindo gerar listas de estruturas, equipamentos, cabos e acessórios, elaboração de plantas, opções de programação, além de permitir a simulação 3D do resultado final pretendido.

III. O LabLux foi um programa idealizado por Walmir Perez (2007), para a organização de projetos e mapas de luz online, mas que caiu em desuso por se demonstrar ineficaz.

Está CORRETO o que se afirma em:

 

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2039964 Ano: 2021
Disciplina: Serviços Gerais
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Assinale a alternativa que define CORRETAMENTE o termo Ciclorama:

 

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2039963 Ano: 2021
Disciplina: Serviços Gerais
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Observe a imagem a seguir:

enunciado 1543783-1

Disponível em: https://fabioluzsom.wixsite.com/ho me/mapas-de-luz. Acesso em: 1º jun. 2020.

Assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE o apresentado na imagem acima:

 

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2039962 Ano: 2021
Disciplina: Serviços Gerais
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Analise as afirmativas abaixo:

I. A ABNT NBR 5410 trata das instalações elétricas de baixa tensão (abaixo de 1000 volts) em tensão alternada, apresentando informações sobre materiais, dispositivos de segurança, regras de verificação para a entrega da instalação e periodicidade das manutenções da instalação elétrica.

II. A ABNT NBR 14039 trata das instalações elétricas em média tensão cujos valores de tensão estão entre 1000 Volts e 34,6 mil Volts em tensão alternada.

III. A ABNT NBR 5419 trata do projeto, execução, manutenção e verificação dos sistemas que compõem a proteção contra descargas atmosféricas.

Está CORRETO o que se afirma em:

 

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