Foram encontradas 349 questões.
[...]
o ar
lapidado: veja
como se junta esta palavra
a esta outra
linguagem: minha
consciência (um paralelogramo
de forças não uma simples
equação a uma única incógnita): esta
linguagem se faz de ar
e corda vocal
a mão que intrinca o fio da
treliça o fôlego
que junta esta àquela
voz: o ponto
de torção
trabalho diáfano mas que
se faz (perfaz?) com os cinco
sentidos.
Haroldo de Campos. Educação dos cinco sentidos.
Melhores poemas de Haroldo de Campos – seleção de
Inês Oseki Dépré. 3.a ed. São Paulo: Global, 2000, p. 92.
Com base no trecho acima do poema de Haroldo de Campos, julgue o item que segue.
A referência à exclusão de uma das linguagens formais evoca a ideia de opção por uma composição poética em que se recusa o mistério e, assim, denuncia-se o esvaziamento da capacidade de comunicação.
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[...]
o ar
lapidado: veja
como se junta esta palavra
a esta outra
linguagem: minha
consciência (um paralelogramo
de forças não uma simples
equação a uma única incógnita): esta
linguagem se faz de ar
e corda vocal
a mão que intrinca o fio da
treliça o fôlego
que junta esta àquela
voz: o ponto
de torção
trabalho diáfano mas que
se faz (perfaz?) com os cinco
sentidos.
Haroldo de Campos. Educação dos cinco sentidos.
Melhores poemas de Haroldo de Campos – seleção de
Inês Oseki Dépré. 3.a ed. São Paulo: Global, 2000, p. 92.
Com base no trecho acima do poema de Haroldo de Campos, julgue o item que segue.
No trecho entre os versos 11 e 15, o emprego de orações adjetivas restritivas que especificam o sentido dos núcleos nominais “mão” e “fôlego” evidencia a construção meticulosa realizada “com os cinco/sentidos” (v. 17-18).
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Texto
[...]
uma dança
de espadas
esta
escrita
delirante
lâminas cursivas
a lua
entre dois
dragões
com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las
Haroldo de Campos. Signância quase céu. Melhores poemas de Haroldo de Campos. Seleção de Inês Oseki Dépré. 3.ª ed. São Paulo: Global, 2000, p. 82.
Tendo como base o trecho apresentado acima, extraído de um poema de Haroldo de Campos, julgue o item.
No trecho “passar/por entre lianas” (v.12-13), “por” indica movimento, e “entre”, a ideia de limite.
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Texto
[...]
uma dança
de espadas
esta
escrita
delirante
lâminas cursivas
a lua
entre dois
dragões
com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las
Haroldo de Campos. Signância quase céu. Melhores poemas de Haroldo de Campos. Seleção de Inês Oseki Dépré. 3.ª ed. São Paulo: Global, 2000, p. 82.
Tendo como base o trecho apresentado acima, extraído de um poema de Haroldo de Campos, julgue o item.
Os versos “uma dança/de espadas” (v.1-2) antecipam a relação de predicação entre esse termo e o dos versos “esta/escrita/delirante” (v.3-5).
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Texto
[...]
uma dança
de espadas
esta
escrita
delirante
lâminas cursivas
a lua
entre dois
dragões
com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las
Haroldo de Campos. Signância quase céu. Melhores poemas de Haroldo de Campos. Seleção de Inês Oseki Dépré. 3.ª ed. São Paulo: Global, 2000, p. 82.
Tendo como base o trecho apresentado acima, extraído de um poema de Haroldo de Campos, julgue o item.
Considerados sob o ponto de vista de propriedades gerais dos infinitivos, os versos “passar/por entre lianas/sem desenredálas” (v.12-14) conservam analogia com sentenças de texto de gênero instrucional, em que a estrutura “sem desenredá-las” representaria, no nível semântico, uma condição para a realização da ação aí indicada.
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Texto
[...]
uma dança
de espadas
esta
escrita
delirante
lâminas cursivas
a lua
entre dois
dragões
com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las
Haroldo de Campos. Signância quase céu. Melhores poemas de Haroldo de Campos. Seleção de Inês Oseki Dépré. 3.ª ed. São Paulo: Global, 2000, p. 82.
Tendo como base o trecho apresentado acima, extraído de um poema de Haroldo de Campos, julgue o item.
Das associações presentes no fragmento do poema, depreendese que a “escrita delirante”, ou seja, a produção de um poema, requer minucioso cuidado.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros. O livro das ignorãças – poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 301.
Com referência ao poema acima, de Manoel de Barros, julgue o item a seguir.
A relação entre “verbo” e “descomeço” guarda, de forma inversa, intertextualidade com a Bíblia, o que metaforicamente pode aludir à analogia entre o surgimento do mundo e o nascimento da poesia.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros. O livro das ignorãças – poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 301.
Com referência ao poema acima, de Manoel de Barros, julgue o item a seguir.
No poema apresentado, Manoel de Barros usa de forma ambígua o vocábulo “verbo”, que tanto pode significar palavra quanto designar uma das categorias gramaticais.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros. O livro das ignorãças – poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 301.
Com referência ao poema acima, de Manoel de Barros, julgue o item a seguir.
A poesia é definida no poema apresentado como uma linguagem em delírio, o que indica, portanto, que a invenção poética deve seguir as vias da loucura, e não as da razão.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Razão contra Sandice
Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:
— La maison est à moi, c’est à vous d’en sortir.
Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar. É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.
— Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.
— Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...
— Que mistério?
— De dois, emendou a Sandice: o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.
A Razão pôs-se a rir.
— Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa.
E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se 31 depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê, 2001, p.84-5.
Com base no capítulo apresentado da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e em relação às características da produção literária brasileira do século XIX, assinale a opção correta.
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