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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: UNEC-MG
Pré-História
Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.
(MENDES, Murilo. Poesia Completa e Prosa. Organização, preparação do texto e notas, por
Luciana Stegagno Picchio. Rio de Janeiro: Nova. Aguilar, 1995.)
Acerca do poema de Murilo Mendes, poeta que apresenta uma visão transfiguradora do Surrealismo, pode-se afirmar que:
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O céu, transparente que doía, vibrava tremendo feito uma gaze repuxada.
Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza.
Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum juazeiro ainda escapo à devastação da rama; mas em geral as pobres árvores apareciam lamentáveis, mostrando os cotos dos galhos como membros amputados e a casca toda raspada em grandes zonas brancas.
E o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos.
(QUEIROZ. Rachel de. O quinze. São Paulo: Círculo do Livro, 1992. p. 17-18.)
O trecho anterior pode ser identificado como um exemplo, na literatura brasileira, de:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: UNEC-MG
Quanto à mãe de Ofélia, ela temia que à força de morarmos no mesmo andar houvesse intimidade e, sem saber que também eu me resguardava, evitava-me. A única intimidade fora a do banco do jardim, onde, com olheiras e boca fina, falara sobre enfeitar bolos.
Eu não soubera o que retrucar e terminara dizendo para que soubesse que eu gostava dela, que o curso dos bolos me agradaria. Esse único momento mútuo afastaranos ainda mais, por receio de um abuso de compreensão. A mãe de Ofélia chegara mesmo a ser grosseira no elevador: no dia seguinte eu estava com um dos meninos pela mão, o elevador descia devagar, e eu, opressa pelo silêncio que, à outra, fortificava – dissera num tom de agrado que no mesmo instante também a mim repugnara: – Estamos indo para a casa da avó dele. E ela, para meu espanto: – Não perguntei nada, nunca me meto na vida dos vizinhos.
(Clarice Lispector, no livro “Felicidade clandestina”. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)
O contexto de produção literária que abrange a terceira fase do Modernismo no Brasil aponta aspectos que podem ser evidenciados no trecho da obra de Clarice Lispector, como:
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Considerando as características do gênero épico ou narrativo, pode-se afirmar que, de acordo com o posicionamento do narrador, a obra literária poderá apresentar:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
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Vestidos modernos
Nunca foi da minha vocação ser cronista elegante; entretanto, às vezes, me dá na telha olhar os vestidos e atavios das senhoras e moças, quando venho à Avenida. Isto acontece principalmente nos dias em que estou sujo e barbado.
A razão é simples. É que sinto uma grande volúpia em comparar os requintes de aperfeiçoamentos na indumentária, tanto cuidado de tecidos caros que mal encobrem o corpo das “nossas castas esposas e inocentes donzelas”, como diz não sei que clássico que o Costa Rego citou outro dia, com o meu absoluto relaxamento.
Há dias, saindo de meu subúrbio, vim à Avenida e à rua do Ouvidor e pus-me a olhar os trajes das damas.
Olhei, notei e concluí: estamos em pleno Carnaval.
Uma dama passava com um casaco preto, muito preto, e mangas vermelhas; outra, tinha uma espécie de capote que parecia asas de morcego; ainda outra vestia uma saia patriótica verde e amarelo; enfim, era um dia verdadeiramente dedicado a Momo.
Nunca fui ao clube dos Democráticos, nem ao dos Fenianos, nem ao dos Tenentes; mas estou disposto a apostar que em dias de bailes entusiásticos nesses templos de folia, os seus salões não se apresentam tão carnavalescos como a Avenida e adjacências nas horas que correm.
(Lima Barreto. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/lima-barreto/vestidosmodernos. php)
Os autores pré-modernistas empenharam-se na compreensão da realidade nacional; foi um grupo de transição que não chegou a caracterizar uma “escola literária”.
Entre os pré-modernistas destaca-se Lima Barreto; em sua crônica “Vestidos modernos” pode-se afirmar que:
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