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Foram encontradas 60 questões.

3053564 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Uma clínica médica especializada em tratamentos psiquiátricos cobra um custo fixo de R$ 1.500,00 por internação e uma quantia de R$ 300,00 por dia internado. Sendo !$ x !$ a quantidade de dias internados e !$ f(x) !$ o valor total pago pela internação, assinale a alternativa que apresenta a equação que MELHOR representa a venda acima descrita:

 

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3053563 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Em uma região seca do Brasil, com a necessidade de armazenar água de chuva para consumo durante os períodos de seca, construiu-se uma cisterna (reservatório de água) no formato de um cilindro com raio igual a 40dm e altura igual a 2000mm.

Assinale a alternativa que apresenta o resultado do cálculo do volume em litros e da área do fundo do reservatório em m2.

Adotar: !$ \pi !$ = 3,14

 

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3053562 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Um determinado médico desenvolveu uma pesquisa científica relacionada à audição e precisou criar um modelo do estribo, osso localizado no ouvido humano, cuja maior dimensão aproximada é de 7mm. O modelo criado tem 35cm.

Sabendo-se que a escala é uma proporção entre a representação e a realidade, defina a escala utilizada nesta representação:

 

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3053561 Ano: 2017
Disciplina: Matemática
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Considere as sentenças a seguir:

I. !$ ( \dfrac {4} {25}) ^{\dfrac {-3} {2}} \, = \, \dfrac {125} {8} !$

II. !$ \dfrac {1} {4^3} \, + \, \dfrac {1} {5^3} \, + \, \dfrac {1} {6^3} \, < \, \dfrac {1} {12} !$

III. !$ \sqrt[5]{5} \, = \, 5^{\dfrac{1} {5}} !$

IV. !$ (10^2)^{- \dfrac {2} {4}} \, = \, 100 !$

Estão CORRETAS as sentenças:

 

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3053560 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel.(a) Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista, o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã,(c) e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever; ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas. O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo. Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero(b) e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas; a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel.(d) Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

Leia as afirmativas a seguir:

I. No trecho “O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel” há uma personificação.

II. No trecho [...] “é preciso certa cancha para desfrutar Homero”, o autor emprega termo da linguagem coloquial.

III. No trecho [...] “vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã”, o autor emprega uma metáfora.

IV. No trecho [...] “é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel” há uma comparação.

Estão CORRETAS, as afirmativas:

 

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3053559 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel. Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista,(b) o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã, e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever; ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas.(d) O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo.(a) Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas; a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca(c) e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel. Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

O termo em destaque pode ser substituído pelo termo entre parênteses, sem alteração de sentido do original, em:

 

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3053558 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel. Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista, o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã, e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever; ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas. O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo. Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas; a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel. Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

Na construção de seu texto, o autor:

 

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3053557 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel. Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista, o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã, e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever; ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas. O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo. Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas; a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel. Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

No trecho “Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida”, o autor afirma que:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3053556 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel. Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista, o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã, e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever; ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas. O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo. Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas; a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel. Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

De acordo com a tese defendida pelo autor, o título do texto remete ao fato de que:

 

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3053555 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: IBGP
Orgão: UNIPAC
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Texto 1 - A leitura desavergonhada

O ano de 1513 não foi gentil com Nicolau Maquiavel. Em uma das célebres confusões políticas da Itália renascentista, o astuto diplomata e delicioso prosador foi arrancado do posto de chanceler, que ocupara por catorze anos em sua cidade natal, Florença. Conheceu as noites do calabouço, suportou a tortura, foi condenado ao exílio. Uma recompensa o aguardava, contudo, ao fim da tormenta. Escorraçado da carreira política, Maquiavel agora tinha tempo para fazer o que mais amava: ler. Todas as noites, em sua casa no vilarejo de San Casciano, vestia-se com roupas de cerimônia, como se fosse a uma festa cortesã, e adentrava solenemente a biblioteca.

“Lá não me envergonho de falar com as grandes almas do passado, e elas, em sua humanidade, me respondem”, contou em uma carta ao amigo Francesco Vettori. “Pelo espaço” de quatro horas não sou afetado pelo tédio, esqueço todas as dores, não temo a pobreza, e a morte não me assusta. ”.

Nicolau Maquiavel lia por prazer. Naturalmente, também o fazia por outros motivos: instrução, entendimento e o que hoje chamaríamos de pesquisa bibliográfica(a) (foi em 1513, aliás, que começou a escrever O Príncipe). Porém ninguém “esquece todas as dores” apenas cumprindo um dever;(a) ninguém transcende o tédio da existência por meio de circunspecções burocráticas. O prazer da leitura – prazer que pode ser tão desavergonhado quanto qualquer outro – é uma das benesses que ganhamos, entre tantas agruras, por termos nascido – humanos. É de espantar, portanto, que algumas das principais ameaças a esse deleite tão próprio à espécie venham precisamente do mundo letrado.(b)

A ideia da leitura enquanto forma de ascese tem lá suas razões de ser, naturalmente. Imergir na leitura exige um tipo específico de compenetração, que nem sempre surge de modo espontâneo. Além disso, há deleites livrescos que demandam aprendizado prévio e alguma medida de paciência: é preciso certa cancha para desfrutar Homero e nem todos chegam prontos a Virgílio. Muito bem: isso significa que a leitura deve ser cultivada; que devemos fazer nela uma espécie de investimento. Mas o mesmo pode ser dito a respeito de muitas outras coisas;(c) a amizade, por exemplo. Pouco sacerdotal que sou, e nada afeito ao martírio, cultivo por prazer algumas boas, embora poucas, amizades, e ninguém há de dizer que isso é mero entretenimento.(d)

Menosprezar o prazer da leitura é acreditar na dicotomia entre os livros e a vida: é supor que ambos estejam separados em esferas platônicas incomunicáveis e que, no fim, uma das facções terá de vencer.

Há quem proclame a leitura ascética, desprovida de alegria, como uma espécie de barricada erguida contra o mundo. Também há quem se renda ao mundo, renuncie à ilusão livresca e diga, resignado: é melhor escutar o canto dos pássaros a falar com as tais grandes almas que encantavam Maquiavel. Já o leitor sem vergonha ignora esses achaques – pois sabe que os livros não são o oposto da vida, mas seu infinito prolongamento.

BOTELHO, José Francisco. A leitura desavergonhada.

VEJA nº 2534, de 14 jun. 2017, p. 99. (Fragmento adaptado).

Para manter a relação estabelecida entre os períodos ou entre termos de um mesmo período, o conector destacado NÃO pode ser substituído pela palavra ou expressão entre parênteses em:

 

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