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1057266 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UNIPAMPA
Provas:

Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Julgue os itens de 109 a 116 à luz da retórica e da teoria da argumentação.

Há um vício de raciocínio no conselho que se segue: Não se case, minha amiga, porque os homens de hoje não têm mais respeito à família. Veja meu caso: meu marido me abandonou com dois filhos pequenos!

 

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1057265 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UNIPAMPA
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Julgue os itens de 109 a 116 à luz da retórica e da teoria da argumentação.

Na construção do período “O Grêmio está com um time excelente: vai ser campeão este ano”, foi utilizada uma premissa que condiciona a conclusão.

 

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1057264 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UNIPAMPA
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Julgue os itens de 109 a 116 à luz da retórica e da teoria da argumentação.

O período a seguir, reproduzido da Internet (www.scb.org.br), foi construído com base no raciocínio categórico-dedutivo: Argumentava-se inicialmente que foi o aumento do tamanho do cérebro que ocasionou o surgimento do Homo sapiens, o grande utilizador de artefatos. As criaturas com cérebro menor eram consideradas inferiores na cadeia evolutiva. Posteriormente, ao se promoverem as criaturas com cérebro menor a utilizadoras de artefatos, passou-se a argumentar que foi o uso dos artefatos que ocasionou o aumento do cérebro.

 

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1057263 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Julgue os itens de 109 a 116 à luz da retórica e da teoria da argumentação.

O período a seguir está construído sob o formato de raciocínio indutivo: Se, para serem atores de telenovelas, os pretendentes devem ter feito curso de interpretação, Fernanda Montenegro, que atuou em várias telenovelas, deve ter feito curso de interpretação.

 

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1057262 Ano: 2009
Disciplina: Português
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Julgue os itens de 109 a 116 à luz da retórica e da teoria da argumentação.

O período a seguir está construído sob o formato de raciocínio dedutivo: Como os escritores do período romântico manifestam a tendência de idealizar a mulher amada, e tendo sido José de Alencar um escritor romântico, vamos encontrar em sua obra a idealização da mulher amada.

 

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1057261 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Tomando como foco as relações coesivas do texto, julgue os itens de 104 a 108.

O termo “Assim” (l.50) funciona como elemento articulador no texto e, contextualmente, assume o sentido de contrariedade, de adversidade.

 

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1056817 Ano: 2009
Disciplina: Português
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Tomando como foco as relações coesivas do texto, julgue os itens de 104 a 108.

Relacionados coesivamente entre si, possuem o mesmo referente os termos: “Saramago” (l.37), “ele” (l.39) e “o escritor português” (l.44).

 

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1050817 Ano: 2009
Disciplina: Português
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Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Tomando como foco as relações coesivas do texto, julgue os itens de 104 a 108.

No sétimo parágrafo, mantêm relação coesiva os termos que formam os seguintes pares: “revisores” (l.44) e “pessoas” (l.45); “gramáticos” (l.46) e “eles” (l.47); “revisor” (l.48) e “Ele” (l.49).

 

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1049916 Ano: 2009
Disciplina: Português
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Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Tomando como foco as relações coesivas do texto, julgue os itens de 104 a 108.

Referem-se a ‘estória’ (l .10) os termos sublinhados no seguinte trecho: “Atreva-se a escrevê-la! Os ‘revisores’, policiais da língua que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam em ‘história’, assumindo que o escritor a escreveu por ignorar que ela foi a óbito” (l.11-14).

 

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1049914 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UNIPAMPA
Provas:

Sobre gramáticos e revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande

poder.

Eles têm o poder para baixar leis sobre como as

palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser

ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer

que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe.

Quando a dita palavra aparece em um texto, eles a

desrealizam por meio de uma palavra latina, deleatur,

afirmando que se trata de um simples fantasma.

Foi o que aconteceu com a palavra “estória”.

Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua

que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam

em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por

ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem

cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve

a sua condição como seres “atados de pés e mãos por um

conjunto de proibições mais severas que um código penal”.

Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes.

Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes,

o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes

escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro — O Poeta,

o Guerreiro, o Profeta. O argumento se construía

precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”.

Em um capítulo era “estória”. No outro, era “história”. Se

ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava

dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de

“estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele,

obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os

“estórias” em “história”, tornando o meu livro

gramaticalmente correto e literariamente nonsense. Noutra

ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala

do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo,

jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de

professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que

eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às

regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos, ele

vai em frente, consciente de que seus leitores são

suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os

pontos nos lugares que sua respiração e o sentido

determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são

pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob

a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do

autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua

contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de

ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar

que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos

gramáticos: com uma única palavra, eles podem mudar o

mundo ou arruinar um livro.

Rubem Alves. Folha de S. Paulo, 20/1/2009. Internet: www1.folha.uol.com.br (com adaptações).

Tomando como foco as relações coesivas do texto, julgue os itens de 104 a 108.

Apesar de adjetivado de forma diferente, o núcleo das expressões “uma certa palavra” (l.6), “tal palavra” (l.6) e “a dita palavra” (l.7) refere-se à mesma entidade: as palavrasfantasma, tidas como inexistentes pelos gramáticos.

 

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