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Sejam !$ f, g: \mathbb{R} \rightarrow \mathbb{R} !$ funções afins definidas por !$ f(x)=8x+5 !$ e !$ g(x)=2x+k !$ onde !$ k ∈ \mathbb{R} !$. Se !$ f \, \circ g= g \, \circ f !$, podemos afirmar que o valor de k é:
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PINTURA: “TUDO ERA REVOLUCIONÁRIO, TUDO DIFERENTE?
Quando Anita Malfatti fez sua conferência na Pinacoteca do Estado sobre “ A chegada da arte moderna ao Brasil”, em 1951, encerrou seu comentário sobre a exposição do Municipal com a frase: “No saguão do Teatro, tudo era revolucionário, tudo diferente”. Naquele momento realmente, para os artistas expositores, “revolucionário“era sinônimo de “diferente”, pressupondo-se, em rejeitando os velhos padrões aceitos e consagrados da arte acadêmica, que estava implícita uma atitude estética revolucionária. Isso não significa, em absoluto, que as obras presentes na Semana fossem exemplificativas do que se passava em Paris, nos movimentos de vanguarda. Sem qualquer dúvida, às indecisões do jovem Di Cavalcanti se opunham obras de plena maturidade de Anita Malfatti e John Graz, aos quais seguia de perto o neoimpressionista Vicente do Rêgo Monteiro. Quanto a Martins Ribeiro, que, segundo depoimento de Yan de Almeida Prado, veio pessoalmente a São Paulo para a Semana, não nos foi possível acesso a quaisquer trabalhos seus presentes na mostra. No catálogo estão registrados quatro trabalhos de sua autoria. Segundo Di Cavalcanti, “Martins Ribeiro fazia uns retratos, desenhos de cabeça, de imaginação ”.
[...]
A precursora do movimento abre, no catálogo, a seção de pintura, com a maior representação individual da exposição, evidente homenagem e reconhecimento por sua presença catalisadora: “Na pintura, aparece meu nome, Anita Malfatti, com doze telas a óleo e e oito peças entre gravuras e desenhos, alguns deles coloridos ”. Algumas pinturas eram conhecidas em São Paulo pois tinham sido exibidas em sua controvertida exposição de 1917 na rua Libero Badaró (como A estudante russa, O homem amarelo, O japonês), ao passo que outros trabalhos já indicavam, pelo seu simples título, uma alteração de caminho, que se confirmaria a partir de 1923 com sua viagem a Paris (como Impressão divisionista). A falta de firmeza de Anita, já sobejamente comentada, e seu consequente recuo após a crítica de Monteiro Lobato, se refletiria em sua necessidade de apoio e ambiente em fatos aparentemente irrelevantes: por ter frequentado o ateliê de Pedro Alexandrino assim como o de Elpons, após seu retorno dos Estados Unidos, ambos de tendência oposta ao seu vibrante expressionismo (um, acadêmico, especialista em metais, discípulo de Vollon, e o austríaco, com telas de espessa matéria). Ao mesmo tempo, a escolha do ateliê de Maurice Denis para trabalhar em Paris, quando de seu pensionato em 1923, seria também indicativa de indecisões quanto ao seu próprio trabalho: não ia Anita então desenvolver as suas experiências, mas buscar outras definições... Infelizmente, sua arte voltou bastante debilitada como expressão dessa longa estada na Europa, tendo perdido todo o vigor que a caracterizara em 1917.
Embora não conheçamos grande parte dos trabalhos que Anita apresentou na Semana, não nos passa desapercebida a temática brasileira (como Baianas e Moemas) que passa a integrar seu envio, indicação evidente da preocupação nacional.
(Texto de Aracy A. Amaral, disponível em Artes plásticas na Semana de 22, Editora 34. — Adaptado.)
Pela leitura do texto, é correta a interpretação que deduz que:
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EXTERMÍNIO DO POVO YANOMAMI E REPERCUSSÕES NO DIREITO PENAL INTERNACIONAL
O filósofo francês Edgar Morin escreveu em um de seus clássicos, Cultura e barbárie europeias (Bertrand Brasil, 2009, p.38) que foi com a expansão mundial da civilização ocidental que se deu a destruição dos povos sem Estado. A visão de Morin bem poderia levar a um questionamento aparentemente paradoxal: como o avanço da “civilização”poderia conduzir a história humana à “destruição”de algum povo? Para Morin, a “barbárie”é elemento da “civilização”e que produz “conquista”e “dominação”.
É interessante uma rápida revisitação ao passado, mais especificamente ao início do século XX, período no qual um jovem nascido em 24 de junho de 1900, na Bielorrússia, chamado Raphael Lemkin, emocionara-se ao ler o clássico Quo Vadis?, ainda no ano de 1913, de autoria do prêmio Nobel de Literatura de 1905, o polaco Henryk Sienkiewicz, e que relata os massacres dos cristãos convertidos no Século I pelo imperador romano Nero.
Chocado com a reação festiva dos cidadãos de Roma ao testemunharem a carnificina dos cristãos, após questionar como seria possível tal crueldade, ouviu de Bella, sua mãe, intelectual de primorosa formação como pintora, linguista e estudante de filosofia, que “quando o Estado resolvia exterminar um grupo étnico ou religioso, a polícia e os cidadãos tornavam-se cúmplices, e não guardiões da vida humana”, lição de impressionante atualidade.
Da marcante experiência intelectual e reflexiva de Lemkin brotaria um compromisso que tomaria toda sua vida, quando já graduado em Direito e Linguística: a luta pela criminalização dos atos de extermínios de grupos humanos, então denominados por ele como “genocídio”, termo por ele próprio cunhado a partir da junção dos termos grego Genos (clã, grupo etc.) e do latim Cides (matar, destruir) em sua clássica obra Regra do Eixo na Europa Ocupada: Leis de Ocupação, Análise do Governo, Propostas de Reparação.
A criminalização da destruição intencional de grupos humanos, total ou parcialmente, por motivações de nacionalidade, religião, etnia ou raça, conforme tipificado pela Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio das Nações Unidas, de 1948, é resultado da luta solitária de Raphael Lemkin, ele próprio uma vítima direta do nazismo, uma vez que sua família, de religião judaica, foi exterminada em boa parte pela política genocida de Hitler. Lemkin se refugiaria nos Estados Unidos, onde viveu e morreu em 1959, na cidade de Nova York. Em seu epitáfio consta: “pai da convenção do genocídio”.
A terrível situação humanitária sob a qual se encontra o povo Yanomami no Brasil, conforme noticiado amplamente em janeiro de 2023, e que vem chocando grande parte do país e do mundo, parece encontrar eco no passado: uma nação indígena (Yanomami), portanto, que já vivia em território brasileiro antes do surgimento do próprio Brasil, é deixada sob abandono pelo Estado, regido por uma Constituição que impõe sua proteção, enquanto órgãos do governo e milhares de garimpeiros ilegais decretam a morte de todo um povo por meio do envenenamento das águas e do solo; pela propagação da malária; pelas invasões e assassinatos. Os fatos falam por si e sugerem certa sistematização na proposição e adoção de medidas e “omissões”capazes de levar o povo indígena ao seu extermínio, tal como vem sendo denunciado há anos pelos próprios Yanomamis, pelos indigenistas, defensores dos direitos humanos e especialistas.
(Texto de Sylvia Helena Steiner e Flávio de Leão Bastos Pereira, disponível em https://diplomatique.org.br/exterminiodo- povo-yanomami-e-repercussoes-no-direito-penal-internacional/. — Adaptado.)
No período “A visão de Morin bem poderia levar a um questionamento aparentemente paradoxal: como o avanço da “civilização”poderia conduzir a história humana à “destruição”de algum povo? Para Morin, a “barbárie”é elemento da “civilização”e que produz “conquista”e “dominação”:
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EXTERMÍNIO DO POVO YANOMAMI E REPERCUSSÕES NO DIREITO PENAL INTERNACIONAL
O filósofo francês Edgar Morin escreveu em um de seus clássicos, Cultura e barbárie europeias (Bertrand Brasil, 2009, p.38) que foi com a expansão mundial da civilização ocidental que se deu a destruição dos povos sem Estado. A visão de Morin bem poderia levar a um questionamento aparentemente paradoxal: como o avanço da “civilização”poderia conduzir a história humana à “destruição”de algum povo? Para Morin, a “barbárie”é elemento da “civilização”e que produz “conquista”e “dominação”.
É interessante uma rápida revisitação ao passado, mais especificamente ao início do século XX, período no qual um jovem nascido em 24 de junho de 1900, na Bielorrússia, chamado Raphael Lemkin, emocionara-se ao ler o clássico Quo Vadis?, ainda no ano de 1913, de autoria do prêmio Nobel de Literatura de 1905, o polaco Henryk Sienkiewicz, e que relata os massacres dos cristãos convertidos no Século I pelo imperador romano Nero.
Chocado com a reação festiva dos cidadãos de Roma ao testemunharem a carnificina dos cristãos, após questionar como seria possível tal crueldade, ouviu de Bella, sua mãe, intelectual de primorosa formação como pintora, linguista e estudante de filosofia, que “quando o Estado resolvia exterminar um grupo étnico ou religioso, a polícia e os cidadãos tornavam-se cúmplices, e não guardiões da vida humana”, lição de impressionante atualidade.
Da marcante experiência intelectual e reflexiva de Lemkin brotaria um compromisso que tomaria toda sua vida, quando já graduado em Direito e Linguística: a luta pela criminalização dos atos de extermínios de grupos humanos, então denominados por ele como “genocídio”, termo por ele próprio cunhado a partir da junção dos termos grego Genos (clã, grupo etc.) e do latim Cides (matar, destruir) em sua clássica obra Regra do Eixo na Europa Ocupada: Leis de Ocupação, Análise do Governo, Propostas de Reparação.
A criminalização da destruição intencional de grupos humanos, total ou parcialmente, por motivações de nacionalidade, religião, etnia ou raça, conforme tipificado pela Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio das Nações Unidas, de 1948, é resultado da luta solitária de Raphael Lemkin, ele próprio uma vítima direta do nazismo, uma vez que sua família, de religião judaica, foi exterminada em boa parte pela política genocida de Hitler. Lemkin se refugiaria nos Estados Unidos, onde viveu e morreu em 1959, na cidade de Nova York. Em seu epitáfio consta: “pai da convenção do genocídio”.
A terrível situação humanitária sob a qual se encontra o povo Yanomami no Brasil, conforme noticiado amplamente em janeiro de 2023, e que vem chocando grande parte do país e do mundo, parece encontrar eco no passado: uma nação indígena (Yanomami), portanto, que já vivia em território brasileiro antes do surgimento do próprio Brasil, é deixada sob abandono pelo Estado, regido por uma Constituição que impõe sua proteção, enquanto órgãos do governo e milhares de garimpeiros ilegais decretam a morte de todo um povo por meio do envenenamento das águas e do solo; pela propagação da malária; pelas invasões e assassinatos. Os fatos falam por si e sugerem certa sistematização na proposição e adoção de medidas e “omissões”capazes de levar o povo indígena ao seu extermínio, tal como vem sendo denunciado há anos pelos próprios Yanomamis, pelos indigenistas, defensores dos direitos humanos e especialistas.
(Texto de Sylvia Helena Steiner e Flávio de Leão Bastos Pereira, disponível em https://diplomatique.org.br/exterminiodo- povo-yanomami-e-repercussoes-no-direito-penal-internacional/. — Adaptado.)
Assinale a alternativa em que ocorre uma palavra formada por hibridismo:
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EXTERMÍNIO DO POVO YANOMAMI E REPERCUSSÕES NO DIREITO PENAL INTERNACIONAL
O filósofo francês Edgar Morin escreveu em um de seus clássicos, Cultura e barbárie europeias (Bertrand Brasil, 2009, p.38) que foi com a expansão mundial da civilização ocidental que se deu a destruição dos povos sem Estado. A visão de Morin bem poderia levar a um questionamento aparentemente paradoxal: como o avanço da “civilização”poderia conduzir a história humana à “destruição”de algum povo? Para Morin, a “barbárie”é elemento da “civilização”e que produz “conquista”e “dominação”.
É interessante uma rápida revisitação ao passado, mais especificamente ao início do século XX, período no qual um jovem nascido em 24 de junho de 1900, na Bielorrússia, chamado Raphael Lemkin, emocionara-se ao ler o clássico Quo Vadis?, ainda no ano de 1913, de autoria do prêmio Nobel de Literatura de 1905, o polaco Henryk Sienkiewicz, e que relata os massacres dos cristãos convertidos no Século I pelo imperador romano Nero.
Chocado com a reação festiva dos cidadãos de Roma ao testemunharem a carnificina dos cristãos, após questionar como seria possível tal crueldade, ouviu de Bella, sua mãe, intelectual de primorosa formação como pintora, linguista e estudante de filosofia, que “quando o Estado resolvia exterminar um grupo étnico ou religioso, a polícia e os cidadãos tornavam-se cúmplices, e não guardiões da vida humana”, lição de impressionante atualidade.
Da marcante experiência intelectual e reflexiva de Lemkin brotaria um compromisso que tomaria toda sua vida, quando já graduado em Direito e Linguística: a luta pela criminalização dos atos de extermínios de grupos humanos, então denominados por ele como “genocídio”, termo por ele próprio cunhado a partir da junção dos termos grego Genos (clã, grupo etc.) e do latim Cides (matar, destruir) em sua clássica obra Regra do Eixo na Europa Ocupada: Leis de Ocupação, Análise do Governo, Propostas de Reparação.
A criminalização da destruição intencional de grupos humanos, total ou parcialmente, por motivações de nacionalidade, religião, etnia ou raça, conforme tipificado pela Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio das Nações Unidas, de 1948, é resultado da luta solitária de Raphael Lemkin, ele próprio uma vítima direta do nazismo, uma vez que sua família, de religião judaica, foi exterminada em boa parte pela política genocida de Hitler. Lemkin se refugiaria nos Estados Unidos, onde viveu e morreu em 1959, na cidade de Nova York. Em seu epitáfio consta: “pai da convenção do genocídio”.
A terrível situação humanitária sob a qual se encontra o povo Yanomami no Brasil, conforme noticiado amplamente em janeiro de 2023, e que vem chocando grande parte do país e do mundo, parece encontrar eco no passado: uma nação indígena (Yanomami), portanto, que já vivia em território brasileiro antes do surgimento do próprio Brasil, é deixada sob abandono pelo Estado, regido por uma Constituição que impõe sua proteção, enquanto órgãos do governo e milhares de garimpeiros ilegais decretam a morte de todo um povo por meio do envenenamento das águas e do solo; pela propagação da malária; pelas invasões e assassinatos. Os fatos falam por si e sugerem certa sistematização na proposição e adoção de medidas e “omissões”capazes de levar o povo indígena ao seu extermínio, tal como vem sendo denunciado há anos pelos próprios Yanomamis, pelos indigenistas, defensores dos direitos humanos e especialistas.
(Texto de Sylvia Helena Steiner e Flávio de Leão Bastos Pereira, disponível em https://diplomatique.org.br/exterminiodo- povo-yanomami-e-repercussoes-no-direito-penal-internacional/. — Adaptado.)
Em seu último parágrafo, o texto propõe um paralelo temporal:
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O romance Sonhos D'Ouro, de José de Alencar, veio precedido de um prefácio que se tornou famoso: “Benção Paterna”é uma extensa reflexão que Alencar elabora acerca de sua própria obra, das relações da Literatura Brasileira com a crítica nacional e estrangeira, além de apresentar um esquema simplificado dos temas elaborados em seus romances, em subconjuntos a que ele chamou de fases. O alentado prefácio se encerra com a seguinte frase: “O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?”. O argumento oculto na pergunta aparentemente ingênua do romancista cearense:
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EM 95% DOS ARTIGOS CIENTÍFICOS, INGLÊS CRIA “DITADURA DA LÍNGUA”. APENAS 1% ESTÁ EM PORTUGUÊS E ESPANHOL
Do total de artigos publicados em revistas científicas em 2020, 95% foram escritos em inglês e somente 1% em espanhol e português. É o que revelou o pesquisador principal do Real Instituto Elcano, Ángel Badillo, durante a apresentação das primeiras conclusões de um relatório sobre diversidade linguística na ciência em Espanha, Portugal e América Latina realizado pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) em colaboração com o instituto.
As descobertas da pesquisa, que será oficialmente lançada no Brasil em novembro, mostram que no ano passado 84% dos pesquisadores ibero-americanos publicaram em inglês em detrimento de suas línguas maternas espanhola e portuguesa.
“Somente 13% dos cientistas na Espanha apresentaram seus trabalhos em espanhol, 12% no México, 16% no Chile, e com porcentagens por volta de 20% na Argentina, Colômbia e Peru”, conclui o relatório. A situação do português é um pouco mais complexa: 3% dos pesquisadores portugueses e 12% dos brasileiros escolheram sua língua para publicar seus trabalhos, ao passo que os outros o fizeram em inglês.
O alemão, o francês e o russo, que no passado foram muito usados para a publicação de diversas disciplinas científicas, sofrem uma situação parecida: menos de 1% do total dos artigos, resenhas e conferências acadêmicas que apareceram em revistas científicas durante 2020 foi escrito nesses idiomas. Desse modo, a hegemonia do inglês na produção e divulgação da ciência atualmente é absoluta. Por quê? Quais são os riscos dessa anglicização do conhecimento? Mais ainda, é possível revertê-la?
Badillo diz por telefone que o problema não é a ciência ser publicada em inglês, mas sim não ser publicada em outras línguas. Para o pesquisador, que também é professor do Departamento de Sociologia e Comunicação da Universidade de Salamanca, o objetivo do relatório é contribuir para que o idioma não seja uma barreira de acesso ao conhecimento por parte de todos os membros da sociedade, sem que isso tenha um custo à internacionalização da ciência. “É preciso promover a diversidade sem prejudicar a criação de redes, o investimento privado e a qualidade das descobertas científicas”, afirma Badillo.
O pesquisador diz que essa situação não tem a ver só com a ciência, e sim com a geopolítica. “Os países ibero-americanos caíram na armadilha das indústrias privadas anglo-saxãs”, afirma Badillo. E continua: “Os Estados pagam aos cientistas para pesquisar, nós produzimos o conhecimento, o entregamos a grandes revistas, doamos a elas as descobertas de nosso trabalho e depois essas mesmas revistas cobram valores verdadeiramente surpreendentes aos sistemas nacionais de ciência para acessar os resultados de nossas próprias pesquisas”. Dessa forma, a maioria da população não pode ter acesso à ciência que ela própria financia com seus impostos porque só está disponível em revistas que cobram pela leitura - que também estão em outro idioma.
O cientista afirma que muitos pesquisadores na Ibero- América tendem a publicar em inglês não só para interagir com a comunidade científica internacional, e sim por uma questão de status. “Os cientistas acham que se não escreverem em inglês não terão acesso a determinadas revistas e são essas revistas que dão a legitimidade que permite a eles entrar no sistema de incentivos e progredir no trabalho científico”.
Uma segunda razão é o próprio sistema de incentivos. “A avaliação da qualidade de uma publicação é medida pelo número de citações da revista em que se publica, não pela relevância e originalidade do conteúdo”, diz Badillo. E as revistas com mais citações estão em inglês. Elea Giménez, cientista titular do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, afirma que em vários países da Europa “já se fala de implementar sistemas nacionais de avaliação que reúnam a produção real dos países com indicadores não impostos por empresas anglo-saxãs”, mas reconhece que na Ibero-América “ainda é uma tarefa a ser feita”.
Existe ainda um terceiro motivo, que está conectado e determina os dois anteriores. “Há duas grandes empresas internacionais: a Elsevier e a Clarivate Analytics, que privatizaram os sistemas de avaliação da qualidade da ciência e produzem os índices internacionais de fator de impacto das revistas que há décadas privilegiam o inglês”, diz Badillo. Além dessas razões, é preciso colocar o monolinguismo dos cientistas norte-americanos e o fato de que, nas últimas décadas, muitos desses campi universitários abandonaram o ensino de idiomas. “Se eu como pesquisador quero ser lido nas faculdades dos EUA preciso escrever em inglês, é quase uma obrigação”, reconhece Badillo.
(Texto de Juan Miguel Hernández Bonilla, disponível em https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-07-28/em-95-dos-artigoscientificos- ingles-cria-ditadura-da-lingua-apenas-1-esta-em-portugues-e-espanhol.html. — Adaptado.)
Na frase “O pesquisador diz que essa situação não tem a ver só com a ciência, e sim com a geopolítica”, a expressão sublinhada:
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EM 95% DOS ARTIGOS CIENTÍFICOS, INGLÊS CRIA “DITADURA DA LÍNGUA”. APENAS 1% ESTÁ EM PORTUGUÊS E ESPANHOL
Do total de artigos publicados em revistas científicas em 2020, 95% foram escritos em inglês e somente 1% em espanhol e português. É o que revelou o pesquisador principal do Real Instituto Elcano, Ángel Badillo, durante a apresentação das primeiras conclusões de um relatório sobre diversidade linguística na ciência em Espanha, Portugal e América Latina realizado pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) em colaboração com o instituto.
As descobertas da pesquisa, que será oficialmente lançada no Brasil em novembro, mostram que no ano passado 84% dos pesquisadores ibero-americanos publicaram em inglês em detrimento de suas línguas maternas espanhola e portuguesa.
“Somente 13% dos cientistas na Espanha apresentaram seus trabalhos em espanhol, 12% no México, 16% no Chile, e com porcentagens por volta de 20% na Argentina, Colômbia e Peru”, conclui o relatório. A situação do português é um pouco mais complexa: 3% dos pesquisadores portugueses e 12% dos brasileiros escolheram sua língua para publicar seus trabalhos, ao passo que os outros o fizeram em inglês.
O alemão, o francês e o russo, que no passado foram muito usados para a publicação de diversas disciplinas científicas, sofrem uma situação parecida: menos de 1% do total dos artigos, resenhas e conferências acadêmicas que apareceram em revistas científicas durante 2020 foi escrito nesses idiomas. Desse modo, a hegemonia do inglês na produção e divulgação da ciência atualmente é absoluta. Por quê? Quais são os riscos dessa anglicização do conhecimento? Mais ainda, é possível revertê-la?
Badillo diz por telefone que o problema não é a ciência ser publicada em inglês, mas sim não ser publicada em outras línguas. Para o pesquisador, que também é professor do Departamento de Sociologia e Comunicação da Universidade de Salamanca, o objetivo do relatório é contribuir para que o idioma não seja uma barreira de acesso ao conhecimento por parte de todos os membros da sociedade, sem que isso tenha um custo à internacionalização da ciência. “É preciso promover a diversidade sem prejudicar a criação de redes, o investimento privado e a qualidade das descobertas científicas”, afirma Badillo.
O pesquisador diz que essa situação não tem a ver só com a ciência, e sim com a geopolítica. “Os países ibero-americanos caíram na armadilha das indústrias privadas anglo-saxãs”, afirma Badillo. E continua: “Os Estados pagam aos cientistas para pesquisar, nós produzimos o conhecimento, o entregamos a grandes revistas, doamos a elas as descobertas de nosso trabalho e depois essas mesmas revistas cobram valores verdadeiramente surpreendentes aos sistemas nacionais de ciência para acessar os resultados de nossas próprias pesquisas”. Dessa forma, a maioria da população não pode ter acesso à ciência que ela própria financia com seus impostos porque só está disponível em revistas que cobram pela leitura - que também estão em outro idioma.
O cientista afirma que muitos pesquisadores na Ibero- América tendem a publicar em inglês não só para interagir com a comunidade científica internacional, e sim por uma questão de status. “Os cientistas acham que se não escreverem em inglês não terão acesso a determinadas revistas e são essas revistas que dão a legitimidade que permite a eles entrar no sistema de incentivos e progredir no trabalho científico”.
Uma segunda razão é o próprio sistema de incentivos. “A avaliação da qualidade de uma publicação é medida pelo número de citações da revista em que se publica, não pela relevância e originalidade do conteúdo”, diz Badillo. E as revistas com mais citações estão em inglês. Elea Giménez, cientista titular do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, afirma que em vários países da Europa “já se fala de implementar sistemas nacionais de avaliação que reúnam a produção real dos países com indicadores não impostos por empresas anglo-saxãs”, mas reconhece que na Ibero-América “ainda é uma tarefa a ser feita”.
Existe ainda um terceiro motivo, que está conectado e determina os dois anteriores. “Há duas grandes empresas internacionais: a Elsevier e a Clarivate Analytics, que privatizaram os sistemas de avaliação da qualidade da ciência e produzem os índices internacionais de fator de impacto das revistas que há décadas privilegiam o inglês”, diz Badillo. Além dessas razões, é preciso colocar o monolinguismo dos cientistas norte-americanos e o fato de que, nas últimas décadas, muitos desses campi universitários abandonaram o ensino de idiomas. “Se eu como pesquisador quero ser lido nas faculdades dos EUA preciso escrever em inglês, é quase uma obrigação”, reconhece Badillo.
(Texto de Juan Miguel Hernández Bonilla, disponível em https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-07-28/em-95-dos-artigoscientificos- ingles-cria-ditadura-da-lingua-apenas-1-esta-em-portugues-e-espanhol.html. — Adaptado.)
Um dos mais vigorosos elementos de reforço do colonialismo na ciência é representado pelo problema do idioma. O texto de Bonilla trata:
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Leia o trecho do poema transcrito abaixo e assinale a alternativa correta:
Então o negro da Angola
levou o garoto pra escola
que o primeiro ioiô branco
fundara junto ao barranco
à borda do campo em flor.
E disse: Seu Professor,
aqui trago este menino
pra vassuncê dar um jeito
de fazer dele um doutor,
pois nunca vi neste mundo
menino mais reinador.
(Sussurrava lá dentro do mato um Brasil todo em flor).
O professor escutou com surpresa as palavras do preto, pôs uns óculos de ouro ao nariz meio adunco e depois uma vara de junco, um rosário e uma cruz sobre a mesa.
(Martim Cererê, de Cassiano Ricardo, trecho selecionado)
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Leia o texto a seguir e responda a questão.
PINTURA: “TUDO ERA REVOLUCIONÁRIO, TUDO DIFERENTE?
Quando Anita Malfatti fez sua conferência na Pinacoteca do Estado sobre “ A chegada da arte moderna ao Brasil”, em 1951, encerrou seu comentário sobre a exposição do Municipal com a frase: “No saguão do Teatro, tudo era revolucionário, tudo diferente”. Naquele momento realmente, para os artistas expositores, “revolucionário“era sinônimo de “diferente”, pressupondo-se, em rejeitando os velhos padrões aceitos e consagrados da arte acadêmica, que estava implícita uma atitude estética revolucionária. Isso não significa, em absoluto, que as obras presentes na Semana fossem exemplificativas do que se passava em Paris, nos movimentos de vanguarda. Sem qualquer dúvida, às indecisões do jovem Di Cavalcanti se opunham obras de plena maturidade de Anita Malfatti e John Graz, aos quais seguia de perto o neoimpressionista Vicente do Rêgo Monteiro. Quanto a Martins Ribeiro, que, segundo depoimento de Yan de Almeida Prado, veio pessoalmente a São Paulo para a Semana, não nos foi possível acesso a quaisquer trabalhos seus presentes na mostra. No catálogo estão registrados quatro trabalhos de sua autoria. Segundo Di Cavalcanti, “Martins Ribeiro fazia uns retratos, desenhos de cabeça, de imaginação ”.
[...]
A precursora do movimento abre, no catálogo, a seção de pintura, com a maior representação individual da exposição, evidente homenagem e reconhecimento por sua presença catalisadora: “Na pintura, aparece meu nome, Anita Malfatti, com doze telas a óleo e e oito peças entre gravuras e desenhos, alguns deles coloridos ”. Algumas pinturas eram conhecidas em São Paulo pois tinham sido exibidas em sua controvertida exposição de 1917 na rua Libero Badaró (como A estudante russa, O homem amarelo, O japonês), ao passo que outros trabalhos já indicavam, pelo seu simples título, uma alteração de caminho, que se confirmaria a partir de 1923 com sua viagem a Paris (como Impressão divisionista). A falta de firmeza de Anita, já sobejamente comentada, e seu consequente recuo após a crítica de Monteiro Lobato, se refletiria em sua necessidade de apoio e ambiente em fatos aparentemente irrelevantes: por ter frequentado o ateliê de Pedro Alexandrino assim como o de Elpons, após seu retorno dos Estados Unidos, ambos de tendência oposta ao seu vibrante expressionismo (um, acadêmico, especialista em metais, discípulo de Vollon, e o austríaco, com telas de espessa matéria). Ao mesmo tempo, a escolha do ateliê de Maurice Denis para trabalhar em Paris, quando de seu pensionato em 1923, seria também indicativa de indecisões quanto ao seu próprio trabalho: não ia Anita então desenvolver as suas experiências, mas buscar outras definições... Infelizmente, sua arte voltou bastante debilitada como expressão dessa longa estada na Europa, tendo perdido todo o vigor que a caracterizara em 1917.
Embora não conheçamos grande parte dos trabalhos que Anita apresentou na Semana, não nos passa desapercebida a temática brasileira (como Baianas e Moemas) que passa a integrar seu envio, indicação evidente da preocupação nacional.
(Texto de Aracy A. Amaral, disponível em Artes plásticas na Semana de 22, Editora 34. — Adaptado.)
Na sentença “Naquele momento realmente, para os artistas expositores, “revolucionário” era sinônimo de “diferente”, pressupondo-se, em rejeitando os velhos padrões aceitos e consagrados da arte acadêmica, que estava implícita uma atitude estética revolucionária”, assinale o trecho que contém a expressão que expressa um valor de dependência entre fatores, apresentando um fator como condição de realização do outro:
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