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Respondida
Em relação ao juiz das garantias, à luz da decisão do Supremo Tribunal Federal nas Ações
Diretas de Inconstitucionalidade ajuizadas para questionar alterações no Código de Processo
Penal pelo Pacote Anticrime (ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305), assinale a alternativa correta.
Respondida
Assinale a alternativa correta a respeito das provas no processo penal.
A
Os prints de WhatsApp somente terão valor probatório se forem autenticados por ata
notarial ou por perícia em um dos aparelhos usados para transmissão ou recepção das
mensagens, ou se forem validados por plataforma que atenda aos padrões e princípios de
coleta e preservação da cadeia de custódia de provas digitais, com base nas
recomendações forenses aderentes à ISO 27037:2013 (Diretrizes para identificação, coleta,
aquisição e preservação de evidência digital).
B
A serendipidade (encontro fortuito de provas) não é admitida no ordenamento jurídico,
por caracterizar a hipótese de fishing expedition (pescaria probatória), prática que viola
as garantias constitucionais da intimidade e da privacidade.
C
É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que o fato de o agente mentir
acerca da ocorrência delituosa constitui violação à lealdade e boa-fé processual,
podendo servir como circunstância judicial desfavorável na fixação da pena
(personalidade ou conduta social).
D
O Supremo Tribunal Federal proclamou que não foi recepcionada a expressão “para o
interrogatório” constante do artigo 260 do Código de Processo Penal, e declarou a
inconstitucionalidade da condução coercitiva de investigados ou de réus para
interrogatório policial ou judicial. Tal decisão, porém, não abrange a condução coercitiva
do investigado ou acusado para atos que dependam da sua presença, como a
identificação criminal.
E
O depoimento especial de crianças ou adolescentes vítimas ou testemunhas de violência
não pode ser realizado perante a autoridade policial, pois a lei exige a observância do rito
específico para a produção antecipada de prova judicial. Assim, cabe à autoridade
policial determinar a realização de escuta especializada e, caso considere necessário o
depoimento especial, representar ao Ministério Público para que este proponha a ação
cautelar de antecipação de prova.
Respondida
Em relação à legalidade das ações das Guardas Municipais, à luz da decisão do Plenário do
Supremo Tribunal Federal na ADPF 995/DF, que considerou inconstitucionais “todas as
interpretações judiciais que excluam as Guardas Municipais, devidamente criadas e
instituídas, como integrantes do Sistema de Segurança Pública”, assinale a alternativa correta.
A
A decisão proferida na ADPF preocupa-se com orientações da jurisprudência que têm
limitado a atuação das Guardas Municipais em casos de patrulhamento urbano ou busca
pessoal em situações de flagrante delito. Por isso, ampliou as atribuições das Guardas
Municipais, permitindo a busca pessoal e a prisão em flagrante em campanas, isto é,
resultantes de uma observação discreta e persistente nas imediações da residência de
alguém, a fim de apurar a notícia da prática de infração penal no local.
B
Não está proibida a realização de patrulhamento urbano preventivo, um dos princípios
mínimos de atuação das Guardas Municipais. Os integrantes dessas corporações poderão
ter porte de arma de fogo, independentemente do número de habitantes do Município
que as criou e instituiu. No exercício da atribuição de patrulhamento preventivo, é lícita a
busca pessoal por integrantes da Guarda Municipal, desde que motivada por fundada
suspeita em situações de flagrância.
C
Integrantes do Sistema Único de Segurança Pública, as Guardas Municipais devem buscar
o entrosamento com os diversos órgãos governamentais no combate à criminalidade
violenta e organizada, à impunidade e à corrupção. No entanto, essas corporações não
podem usurpar atribuições das Polícias Militar e Civil, sendo-lhes vedadas a realização de
buscas pessoais e prisões em flagrante.
D
A Constituição Federal não atribui às Guardas Municipais a realização de atividades
ostensivas típicas de Polícia Militar ou investigativas de Polícia Civil, mas somente de
proteção do patrimônio municipal (bens, serviços e instalações). A decisão em foco não
alterou esse panorama. Logo, as Guardas Municipais não poderão realizar patrulhamento
preventivo e nem averiguar informações anônimas sobre a prática de crimes permanentes,
como o tráfico de drogas; buscas pessoais e prisões realizadas nesse contexto são ilícitas.
E
Todas as alternativas estão incorretas .
Respondida
No que diz respeito à prisão preventiva, é correto afirmar:
A
A exigência de revisão periódica da necessidade de manutenção da prisão preventiva se
aplica até o final dos processos de conhecimento, com o encerramento da cognição
plena pelo tribunal de segundo grau, não sendo aplicável às prisões cautelares
decorrentes de sentença condenatória de segunda instância ainda não transitada em
julgado.
B
Decretada a prisão, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua
manutenção a cada noventa dias, em decisão fundamentada. Considerando o caráter
excepcional da prisão, o prazo em questão é peremptório. Caso ultrapassado esse limite
temporal, será imediatamente relaxada a prisão preventiva.
C
Apesar do fortalecimento do sistema acusatório promovido pelo Pacote Anticrime, nada
impede que o juiz, de ofício, decrete prisão preventiva, sendo prescindível o prévio
requerimento do Ministério Público ou a representação da autoridade policial. A posterior
manifestação do órgão ministerial ou da autoridade policial pela conversão ou
decretação de prisão cautelar não supre o vício de não observância da formalidade do
prévio requerimento para a prisão preventiva.
D
A decisão que decretar a prisão preventiva será sempre fundamentada. Porém, o juiz não
precisa enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar
a conclusão por ele adotada.
E
Considerando que a autodefesa é renunciável, a fuga e a localização incerta do acusado
se inserem no exercício da ampla defesa, não podendo constituir fundamentação idônea
para o decreto de prisão preventiva.
Respondida
Em relação ao Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), assinale a alternativa correta.
A
A recusa, pelo investigado e por seu defensor, de proposta de ANPP formulada na fase
pré-processual não implica preclusão consumativa. Nada impede, portanto, que, depois
de recebida a denúncia, o acusado manifeste a aceitação da proposta, estando o
membro do Ministério Público vinculado aos termos da oferta formulada antes da
deflagração da ação penal.
B
O membro do Ministério Público poderá requerer ao juiz a suspensão da investigação por
tempo razoável, com o objetivo de realizar tratativas para a formulação de proposta de
ANPP. Caso o juiz verifique, desde logo, a impossibilidade de aplicação da medida,
devolverá os autos ao Ministério Público para que este conclua a investigação ou ofereça
a denúncia.
C
O acordo de não persecução penal é incompatível com crimes hediondos ou
equiparados. Logo, não caberá o ajuste em favor de sujeito investigado por tráfico de
drogas, mesmo que, na sentença, seja aplicada a causa de diminuição prevista no artigo
33, § 4o, da Lei nº 11.343/06 (tráfico privilegiado).
D
O ANPP é vedado para crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar.
Assim, o investigado por importunação sexual (artigo 215-A do Código Penal), mesmo que
a vítima seja mulher, poderá, em tese, ser beneficiado pela medida consensual, pois o
delito não possui a violência como elementar e a pena mínima cominada é de um ano de
reclusão.
E
O Ministério Público não é obrigado a notificar o investigado em caso de recusa ao
oferecimento de ANPP. Citado, o réu conhecerá razões pelas quais o Ministério Público
deixou de propor a medida e, na resposta escrita, poderá requerer ao Juízo a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público para revisão. Caberá ao juiz avaliar se a
recusa do Parquet em propor o ajuste foi motivada pela ausência de algum dos requisitos
objetivos e, somente em caso negativo, encaminhar os autos ao órgão superior do
Ministério Público.
Respondida
Em relação à sentença, é correto afirmar:
A
Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória, ainda que o
Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como reconhecer majorantes,
embora nenhuma tenha sido alegada.
B
O Superior Tribunal de Justiça assentou que a norma legal que permite ao juiz condenar o
réu, mesmo que o Ministério Público peça a absolvição, foi tacitamente revogada pelo
Pacote Anticrime, que consagrou a estrutura acusatória do processo penal brasileiro.
C
Embora admitida a fundamentação per relationem, é nula a decisão que se limita à
remissão aos fundamentos de terceiros, sendo necessário que o magistrado acrescente
argumentos próprios, a fim de demostrar que examinou o pleito e esclarecer as razões de
seu convencimento.
D
O juiz poderá deixar de seguir enunciado de súmula (salvo as vinculantes), jurisprudência
ou precedente invocado pela parte, independentemente de demonstração da existência
de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.
E
Constatando, em apelação exclusiva da defesa, que o réu foi condenado por crime mais
grave do que o descrito na denúncia, sem aditamento, deve o tribunal anular a sentença
e remeter os autos ao primeiro grau, para que seja observado o procedimento da mutatio
libelli.
Respondida
Assinale a alternativa correta a respeito dos debates no Tribunal do Júri.
A
Caberá ao juiz presidente regulamentar os apartes requeridos pelas partes, podendo, no
entanto, proibi-los, caso entenda ser medida necessária à manutenção do decoro e da
ordem no julgamento.
B
Não será permitida a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido
juntado aos autos com a antecedência mínima de três dias úteis. A proibição compreende
a leitura de jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos, gravações,
fotografias, laudos, quadros, croqui ou qualquer outro meio assemelhado, cujo conteúdo
versar sobre os índices de criminalidade na comarca ou se referir à matéria de fato
submetida a apreciação e julgamento dos jurados.
C
Concluídos os debates, o juiz presidente prestará os esclarecimentos eventualmente
solicitados pelos jurados. O juiz presidente poderá dissolver o Conselho de Sentença para
verificação de fato essencial para o julgamento da causa. Se houver necessidade de
prova pericial, o juiz presidente nomeará perito e formulará quesitos. As partes também
podem formulá-los e indicar assistentes técnicos.
D
O defensor não poderá inovar na tréplica, apresentando tese até então não debatida nos
autos. Caso isso aconteça, o juiz presidente não poderá conceder ao acusador tempo adicional para refutar os argumentos da defesa, que tem sempre o direito de falar por
último. Assim, o juiz deverá dissolver o Conselho de Sentença, diante da manifesta
impossibilidade de assegurar o princípio da igualdade entre as partes
E
Acarreta nulidade a referência feita pelo acusador à decisão que, em audiência de
custódia, converteu prisão em flagrante em preventiva, com fundamento no perigo
gerado pelo estado de liberdade do imputado.
Respondida
Assinale a alternativa correta a respeito da interceptação das comunicações telefônicas (Lei
nº 9.296/1996).
A
Em investigação de tráfico internacional pela Polícia Federal, houve interceptação
telefônica autorizada pelo juiz. Durante o inquérito, foram afastados os indícios de
internacionalidade do tráfico, havendo o declínio de competência para a Justiça
Estadual. Diante da exigência legal de que a quebra do sigilo seja determinada pelo “juiz
competente da ação principal”, as interceptações até então realizadas serão
consideradas nulas, por se tratar de hipótese de competência absoluta.
B
A Lei nº 9.296/1996 veda a interceptação das comunicações telefônicas quando a prova
puder ser feita por outros meios disponíveis. É da acusação o ônus de demonstrar que não
havia outros meios de prova disponíveis ao tempo do requerimento de quebra do sigilo
telefônico.
C
A interceptação telefônica de conversa entre advogado investigado e cliente é inválida,
ainda que autorizada por ordem judicial. Isso se deve à proteção prevista no artigo 7º,
inciso II, do Estatuto da Advocacia e da OAB, que assegura ao advogado “a
inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de
trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que
relativas ao exercício da advocacia”.
D
O artigo 2º, III, da Lei nº 9.296/1996, impede a interceptação das comunicações
telefônicas para investigar crimes apenados com detenção. Porém, de acordo com o
Superior Tribunal de Justiça, é lícita a interceptação quando crimes apenados com
detenção estiverem conexos a ilícitos penais punidos com reclusão.
E
Nos procedimentos previstos nessa lei, as perícias serão realizadas por perito oficial,
portador de diploma de curso superior. Esta exigência abrange a degravação de
conversas telefônicas interceptadas, pois, devido à complexidade dos procedimentos, a
própria Lei nº 9.296/1996 recomenda que a autoridade policial requisite “serviços e
técnicos especializados às concessionárias de serviço público” (artigo 7º).
Respondida
Com base nos entendimentos jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acerca do monitoramento eletrônico, indique a opção correta sobre o descumprimento das condições relacionadas ao uso da tornozeleira eletrônica.
Respondida
O Princípio da Não Autoincriminação, conforme interpretado pelo ordenamento jurídico brasileiro, garante ao acusado, em um processo penal, o direito de
A
permanecer em silêncio, o direito de não ser constrangido a confessar a prática de ilícito penal, e a exigência de falar a verdade, mesmo que isso o incrimine.
B
permanecer em silêncio, o direito de não ser constrangido a confessar, o direito de não praticar comportamentos ativos que o incriminem, e o direito de não produzir provas invasivas.
C
mentir em qualquer circunstância durante o processo, incluindo a apresentação de falsas acusações contra terceiros, ante a ausência do crime de perjúrio para o réu.
D
não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo, o direito de não produzir provas invasivas e a obrigação de colaborar com todas as investigações policiais.
E
não responder às perguntas da acusação, o direito de não produzir provas contra si mesmo e a obrigatoriedade de testemunhar contra outros acusados no mesmo processo.