Foram encontradas 348.229 questões.
Memórias sem imaginação
Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.
Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.
Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, a digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.
(Almino Valares, a editar)
Provas
Memórias sem imaginação
Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.
Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.
Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, a digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.
(Almino Valares, a editar)
Provas
( ) O sujeito da oração: “que existem pessoas que agem como eles” é indeterminado.
( ) No primeiro quadrinho da tirinha, o sujeito da oração principal é simples e determinado, porque possui um só núcleo.
( ) a oração “quando nos atingem”, extraído do primeiro quadrinho da tirinha, é uma oração subordinada adverbial, pois veio introduzida pelo conectivo “quando” que indica tempo.
( ) No fragmento: “E o pior é saber que existem pessoas que agem como eles”, o trecho destacado é uma oração subordinada adjetiva restritiva.
( ) O vocábulo “coisas” tem como papel morfossintático ser um advérbio com função sintática de complemento nominal.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é
Provas
Provas
As conjunções “mas” e “e”, presentes no fragmento do texto 1, são exemplos de conjunções interoracionais. Ao analisar a função delas no texto, é correto afirmar que “mas” indica _______________, e “e” indica _________________________________________.
A alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é
Provas
Considerando o fragmento acima, extraído do texto 1, analise as assertivas e identifique com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) No fragmento analisado, tem-se um exemplo de frase nominal e verbal.
( ) No fragmento, é possível encontrar uma relação de parataxe na construção oracional.
( ) O trecho “[...] baixo nos níveis nacional, regional e global [...]” apresenta paralelismo de construção.
( ) O vocábulo “indiano”, em sua morfossintaxe, é classificado como um adjetivo com função sintática de adjunto adnominal.
( ) Na oração: “A disseminação do vírus parecia sussurrar alerta em cada região do país”, criada com base no fragmento do texto, tem-se um exemplo de figura de linguagem denominada catacrese.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é
Provas
Provas
No excerto: “A OMS classifica o risco como moderado no âmbito subnacional e baixo nos níveis nacional, regional e global, e não há indicação de disseminação fora de território indiano associada a esse evento” (linhas 12-13), o trecho grifado é classificado como:
Provas
A alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é
Provas
A pontuação presente no trecho grifado é justificada porque_________________________________.
A alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do trecho acima é
Provas
Caderno Container