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Texto 12A2-I
A variação existente hoje, no português do Brasil, que nos
permite reconhecer uma pluralidade de falares, é fruto da
dinâmica populacional e da natureza do contato dos diversos
grupos étnicos e sociais nos diferentes períodos da história. São
fatos dessa natureza que demonstram que não se pode pensar no
uso de uma língua em termos de “certo” e “errado” e em variante
regional “melhor” ou “pior”, “bonita” ou “feia”. No ensino da
língua escrita, contudo, procura-se neutralizar as marcas
identificadoras de cada grupo social, a fim de atingir um padrão
idealizado, que seja supranacional. O paradoxo está em que cada
falar tem sua norma, variantes que prevalecem, mas que não
anulam a ocorrência de outras. Por exemplo, o segmento r, no
contexto final de sílaba, como em carta ou porto. Suas múltiplas
realizações são encontradas tanto em Porto Alegre quanto no Rio
de Janeiro. O que singulariza uma ou outra cidade é a
predominância de determinada variante sobre as outras. Também
os empréstimos lexicais não colocam a língua “em perigo”.
São apenas reflexos de contatos culturais, ontem e hoje.
Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e
almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e
futebol, do inglês. E mais recentemente temos de conviver
também com deletar, por empréstimo ao inglês, que, por sua vez,
tem origem no latim (delere, deletum).
Yonne Leite e Dinah Callou. Como falam os brasileiros.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2004, p. 57-59 (com adaptações).
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Texto 12A2-I
A variação existente hoje, no português do Brasil, que nos
permite reconhecer uma pluralidade de falares, é fruto da
dinâmica populacional e da natureza do contato dos diversos
grupos étnicos e sociais nos diferentes períodos da história. São
fatos dessa natureza que demonstram que não se pode pensar no
uso de uma língua em termos de “certo” e “errado” e em variante
regional “melhor” ou “pior”, “bonita” ou “feia”. No ensino da
língua escrita, contudo, procura-se neutralizar as marcas
identificadoras de cada grupo social, a fim de atingir um padrão
idealizado, que seja supranacional. O paradoxo está em que cada
falar tem sua norma, variantes que prevalecem, mas que não
anulam a ocorrência de outras. Por exemplo, o segmento r, no
contexto final de sílaba, como em carta ou porto. Suas múltiplas
realizações são encontradas tanto em Porto Alegre quanto no Rio
de Janeiro. O que singulariza uma ou outra cidade é a
predominância de determinada variante sobre as outras. Também
os empréstimos lexicais não colocam a língua “em perigo”.
São apenas reflexos de contatos culturais, ontem e hoje.
Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e
almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e
futebol, do inglês. E mais recentemente temos de conviver
também com deletar, por empréstimo ao inglês, que, por sua vez,
tem origem no latim (delere, deletum).
Yonne Leite e Dinah Callou. Como falam os brasileiros.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2004, p. 57-59 (com adaptações).
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Texto 12A2-I
A variação existente hoje, no português do Brasil, que nos
permite reconhecer uma pluralidade de falares, é fruto da
dinâmica populacional e da natureza do contato dos diversos
grupos étnicos e sociais nos diferentes períodos da história. São
fatos dessa natureza que demonstram que não se pode pensar no
uso de uma língua em termos de “certo” e “errado” e em variante
regional “melhor” ou “pior”, “bonita” ou “feia”. No ensino da
língua escrita, contudo, procura-se neutralizar as marcas
identificadoras de cada grupo social, a fim de atingir um padrão
idealizado, que seja supranacional. O paradoxo está em que cada
falar tem sua norma, variantes que prevalecem, mas que não
anulam a ocorrência de outras. Por exemplo, o segmento r, no
contexto final de sílaba, como em carta ou porto. Suas múltiplas
realizações são encontradas tanto em Porto Alegre quanto no Rio
de Janeiro. O que singulariza uma ou outra cidade é a
predominância de determinada variante sobre as outras. Também
os empréstimos lexicais não colocam a língua “em perigo”.
São apenas reflexos de contatos culturais, ontem e hoje.
Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e
almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e
futebol, do inglês. E mais recentemente temos de conviver
também com deletar, por empréstimo ao inglês, que, por sua vez,
tem origem no latim (delere, deletum).
Yonne Leite e Dinah Callou. Como falam os brasileiros.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2004, p. 57-59 (com adaptações).
I O uso de exemplificação, conforme observado no texto, é uma das características da tipologia dissertativo-argumentativa.
II No ensino de língua portuguesa, deve-se incentivar que os alunos busquem reproduzir, na escrita, as características distintivas das variantes linguísticas por eles faladas.
III A dinâmica populacional e o contato social são fatores que propiciam o surgimento dos diversos falares.
Assinale a opção correta.
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Texto 12A1-I
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações)
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Texto 12A1-I
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações)
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Texto 12A1-I
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações)
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Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
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Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
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Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
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Texto 12A1-I
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada,
como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este
é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um
cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação
um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que,
através de um processo associativo, surja-lhe de repente a
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em
última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já
bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o
inesperado.
Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem
caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros,
de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde
como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com
prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na
máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude
ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre
infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que
escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só
quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de
viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a
própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os
vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e
colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as
situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer
um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer,
têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as
espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro
vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.
Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (com adaptações)
I No quarto período do primeiro parágrafo, a vírgula empregada após “qualquer” separa a oração de função adverbial da oração a que ela se subordina.
II O trecho “estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício” (penúltimo período do texto) poderia ser reescrito, sem prejuízo da correção gramatical e da coerência textual, da seguinte maneira: estes são lidos por puro deleite; aqueles, por puro vício.
III As aspas na expressão ‘tacam peito’ (terceiro período do segundo parágrafo) assinalam o emprego de gíria.
Assinale a opção correta.
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