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4060748 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Ibaté-SP
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Analise os trechos a seguir.

I. “A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, [...]” (3º§).
II. “Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de ‘fazer repouso’, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, [...]” (8º§).
III. “Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis [...]” (3º§).

De acordo com a norma-culta da Língua Portuguesa, a concordância está correta em
 

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4060747 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Ibaté-SP
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “‘As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva.’” (6º§), o verbo “supor” introduz uma oração subordinada:
 

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4060746 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
De acordo com o exposto pelo autor no 9º§, muitas vezes, as referências aos mais velhos são feitas através de termos como “terceira idade”, melhor idade”, “idoso” e “cabeça de jovem”. Apesar da irritação que tais expressões podem gerar em algumas pessoas, inclusive nas mais velhas, elas são utilizadas com o intuito de:
 

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4060745 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Em “Montagne escreveu há mais de 450 anos: [...] ‘Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros’.” (4º§), o autor citado por Drauzio Varella defende um ponto de vista baseado em:
 

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4060744 Ano: 2026
Disciplina: Português
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Em relação ao último parágrafo do texto, analise as afirmativas a seguir.

I. Pessoas que não acreditam em algum tipo de “força espiritual”, de forma geral, têm mais facilidade para aceitar o fato de que a vida física não dura para sempre.
II. Ao dizer “‘Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa’.” (10º§), o carcereiro se refere à morte de maneira metafórica, fazendo uma analogia entre vida e festa.
III. O autor afirma, de maneira tranquila, que aguarda o dia da morte.

Está correto o que se afirma em
 

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4060743 Ano: 2026
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Drauzio Varella é um médico brasileiro especialista em oncologia e escritor. Ele também é famoso por transmitir à população informações seguras e com linguagem acessível sobre saúde, bem-estar e questões sociais. No texto em análise, o autor abordou um assunto importante que, recentemente, vem sendo bastante discutido: o envelhecimento. De acordo com o contexto, sobre o envelhecimento, é correto afirmar que:
 

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4060742 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
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Certos medos e angústias não têm relação com a idade e são universais


    Anos atrás, eu achava que os 80 anos me encontrariam num estado de serenidade plena. Claro que não tinha a pretensão de resolver as contradições do mundo, muito menos a de decifrar os mistérios da condição humana, mas achava que estaria livre das angústias e dos desacertos existenciais que me atormentavam.

    Eu estava enganado. Os medos, a ansiedade, as frustrações e perdas atribuídas ao envelhecimento são universais, não importa se você tem 40 ou 70, ou 90 anos. Lord Byron escreveu aos 36 anos: “Meus dias estão nas folhas amarelas/ As flores e frutos do amor se foram/ O verme, a doença, e o luto/ São somente meus”.

    A preocupação com o envelhecimento aflige a mulher e o homem moderno, muito mais do que inquietava nossos ancestrais. Eles viviam cercados por tantos perigos, que pensar nos problemas da velhice não fazia o menor sentido. Assolados por doenças graves, guerras, fome e epidemias, completar 30 anos era privilégio de poucos no tempo das cavernas. Embora sempre tenha havido mulheres e homens com 70 ou 80 anos, eles costumavam atingir essa idade em condições tão deploráveis que se referiam à velhice como fonte inesgotável de dores, limitações cognitivas, prazeres perdidos e decadência física.

    Montagne escreveu há mais de 450 anos: “Que fantasia inútil esperar a morte causada pela perda dos poderes trazida pela idade avançada... Uma vez que essa é a mais rara das mortes... Nós a chamamos de natural, como se fosse contrário à natureza ver um homem quebrar o pescoço numa queda, afogar-se num naufrágio, ser dizimado pela peste ou pleurisia... Morrer em idade avançada é um evento raro, singular e extraordinário, portanto menos natural do que os outros”. 

    Desde Montagne, a expectativa de vida aumentou devagar. Num de seus textos, Machado de Assis se refere a um “velho gaiteiro de 50 anos”. Anos atrás, quem chegava aos 60 anos era sexagenário. No início da carreira, ao ouvir uma paciente dizer que tinha 70 anos, mas não se considerava velha, julguei que lhe faltasse autocrítica.

    Em meados do século 20, o crítico literário Irving Howe escreveu: “Já tendo chegado aos 60 anos, penso com frequência na morte... Algumas vezes em resposta às mensagens do corpo: uma flechada no peito, um ranger nos ossos da bacia. Outras vezes penso no desejo de mais tempo: para terminar outro livro, o fim de outro tirano para ser celebrado. As pessoas se iludem supondo que a fome de viver tenha alguma validade objetiva”. Com a mesma idade, William Yeats publicou o poema: “O que farei com este absurdo/ Oh coração, Oh coração atormentado – esta caricatura,/ Idade decrépita que foi amarrada a mim/ Como a cauda num cachorro?”.

    Howe e Yeats morreram sem saber que, no século seguinte, os brasileiros com mais de 60 anos constituiriam a faixa etária que mais cresce. Se eles tivessem chegado a essa idade no Brasil de hoje, teriam a expectativa de viver mais 22 anos, em média.

    Ao contrário dos que se retiravam da vida ativa aos 50, em obediência às recomendações médicas de “fazer repouso”, o desafio agora é envelhecer com sabedoria, o que implica em aceitar as limitações impostas pelo corpo, sem abandonar a atividade física e o desejo de experimentar o novo. É combater a vontade de desistir, de isolar-se, de achar que não vale a pena viver, de se queixar de tudo e de todos, o tempo inteiro.

    É não se irritar quando se referem a nós, velhos, com eufemismos: terceira idade, melhor idade e idoso, palavras que nos infantilizam. Você compraria um vinho idoso ou da terceira idade? Pior ainda quando dizem que temos cabeça de jovem. Como você se sentiria aos 30 se lhe dissessem que sua cabeça é de 15?

    Em mais de 50 anos de oncologia, adquiri a impressão de que quem passou a existência sem fé religiosa, como eu, aceita com mais naturalidade a ideia do eterno não ser. Enquanto não recebo a visita da indesejável senhora, procuro conduzir a minha vida seguindo a filosofia do poeta: “Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinita enquanto dure”. Ou, de acordo com a linguagem simples de seu José Araújo, carcereiro do antigo Carandiru: “Sabendo levar, doutor, a vida é uma festa”.
(Por: Drauzio Varella. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Acerca da relação de Drauzio Varella com o tema do texto, é INCORRETO afirmar que o autor:
 

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4060720 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: OBJETIVA
Orgão: Câm. Esteio-RS
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A redação oficial adota a norma-padrão da língua portuguesa, portanto há um conjunto de regras da gramática normativa a ser seguido. Considerando algumas dessas regras, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) Os parênteses são empregados para intercalar, em um texto, explicações, comentários, observações, entre outros, como datas, siglas ou referências bibliográficas, por exemplo.

( ) O travessão pode substituir parênteses, vírgulas e doispontos.

( ) As aspas são utilizadas em citações indiretas.

 

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4060691 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: OBJETIVA
Orgão: Câm. Esteio-RS
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A Filosofia de Pinóquio: Lições, Segredos e Simbolismos

Pinóquio é mundialmente conhecido pelas extravagâncias de seu nariz. Sua estranha história, transportada da literatura infantojuvenil para as telas do cinema e do streaming, tem encantado (e aterrorizado) crianças e adultos há mais de cem anos. Apesar de toda sua popularidade, no entanto, várias de suas lições, referências e simbolismos costumam passar despercebidos por grande parte do público.

As aventuras do menino-marionete extrapolam — e muito — as fronteiras do entretenimento infantil. Publicada pela primeira vez em 1881, pela pena do italiano Carlo Collodi, e posteriormente adaptada pela Disney na famosa animação de 1940, a obra espelha-se em diversas outras tradições narrativas, como a mitologia, a tragédia e a epopeia, lançando o jovem Pinóquio à jornada do herói.

Encontramos, no cerne dessa trajetória, o ritual de passagem: a transformação simbólica do indivíduo imaturo (o ingênuo e irresponsável menino-marionete) em um ser humano completo (um menino de verdade), por meio da morte e do renascimento. Enquanto o Grilo Falante representa a consciência de Pinóquio, a Fada Azul parece representar a própria Justiça, ora ajudando, ora julgando o menino em seu processo de amadurecimento. [...]

Um dos temas centrais em Pinóquio é a autonomia do indivíduo, assim como as consequências dessa autonomia e as escolhas que se apresentam a partir dela.

Em sua essência, a jornada de Pinóquio consiste na transformação de uma marionete (isto é, um indivíduo controlável, dependente e imaturo) em um menino de verdade (no controle de seu destino, autônomo e maduro). Trata-se de uma trajetória comum a todos os seres humanos — ou, pelo menos, de uma representação alegórica do amadurecimento psicológico humano. [...]

Inspirado pelas elucubrações de Carl Jung, o psicólogo Jordan Peterson associa a condição de marionete à ideia de que todo ser humano é controlado, queira ele ou não, por forças internas ou externas, muitas delas desconhecidas ou além de sua compreensão. As cordas da marionete, assim, seriam os fatores que determinam o comportamento dos indivíduos — desde as pulsões psicológicas, vindas de dentro, até as pressões do ambiente, presentes mundo afora.

A Ilha dos Prazeres, em Pinóquio, é um exemplo de como as pessoas podem ser controladas por meio de suas cordas pulsionais, servindo de marionetes para manipuladores mal-intencionados. As crianças trazidas à ilha são seduzidas pelas tentações do prazer fácil, dos vícios, junto à promessa de que não haveria consequências. Os meninos bebem cerveja, fumam charuto e passam o dia vadiando, sem ir à escola nem fazer qualquer coisa de útil. Libertos de suas responsabilidades, e tendo seus vícios saciados (como a preguiça, a gula, etc.), eles não percebem que essas tentações são as iscas de uma armadilha.

Fonte: Fantástica Cultural - adaptado.

A metonímia é uma figura de linguagem que substitui uma palavra por outra com a qual tem uma relação de proximidade ou associação lógica. Nesse sentido, assinalar o trecho do texto em que se nota esse tipo de linguagem.
 

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4060690 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: OBJETIVA
Orgão: Câm. Esteio-RS
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A Filosofia de Pinóquio: Lições, Segredos e Simbolismos

Pinóquio é mundialmente conhecido pelas extravagâncias de seu nariz. Sua estranha história, transportada da literatura infantojuvenil para as telas do cinema e do streaming, tem encantado (e aterrorizado) crianças e adultos há mais de cem anos. Apesar de toda sua popularidade, no entanto, várias de suas lições, referências e simbolismos costumam passar despercebidos por grande parte do público.

As aventuras do menino-marionete extrapolam — e muito — as fronteiras do entretenimento infantil. Publicada pela primeira vez em 1881, pela pena do italiano Carlo Collodi, e posteriormente adaptada pela Disney na famosa animação de 1940, a obra espelha-se em diversas outras tradições narrativas, como a mitologia, a tragédia e a epopeia, lançando o jovem Pinóquio à jornada do herói.

Encontramos, no cerne dessa trajetória, o ritual de passagem: a transformação simbólica do indivíduo imaturo (o ingênuo e irresponsável menino-marionete) em um ser humano completo (um menino de verdade), por meio da morte e do renascimento. Enquanto o Grilo Falante representa a consciência de Pinóquio, a Fada Azul parece representar a própria Justiça, ora ajudando, ora julgando o menino em seu processo de amadurecimento. [...]

Um dos temas centrais em Pinóquio é a autonomia do indivíduo, assim como as consequências dessa autonomia e as escolhas que se apresentam a partir dela.

Em sua essência, a jornada de Pinóquio consiste na transformação de uma marionete (isto é, um indivíduo controlável, dependente e imaturo) em um menino de verdade (no controle de seu destino, autônomo e maduro). Trata-se de uma trajetória comum a todos os seres humanos — ou, pelo menos, de uma representação alegórica do amadurecimento psicológico humano. [...]

Inspirado pelas elucubrações de Carl Jung, o psicólogo Jordan Peterson associa a condição de marionete à ideia de que todo ser humano é controlado, queira ele ou não, por forças internas ou externas, muitas delas desconhecidas ou além de sua compreensão. As cordas da marionete, assim, seriam os fatores que determinam o comportamento dos indivíduos — desde as pulsões psicológicas, vindas de dentro, até as pressões do ambiente, presentes mundo afora.

A Ilha dos Prazeres, em Pinóquio, é um exemplo de como as pessoas podem ser controladas por meio de suas cordas pulsionais, servindo de marionetes para manipuladores mal-intencionados. As crianças trazidas à ilha são seduzidas pelas tentações do prazer fácil, dos vícios, junto à promessa de que não haveria consequências. Os meninos bebem cerveja, fumam charuto e passam o dia vadiando, sem ir à escola nem fazer qualquer coisa de útil. Libertos de suas responsabilidades, e tendo seus vícios saciados (como a preguiça, a gula, etc.), eles não percebem que essas tentações são as iscas de uma armadilha.

Fonte: Fantástica Cultural - adaptado.

Tendo em vista os recursos coesivos empregados no texto, assinalar a alternativa em que se apresentou CORRETAMENTE o termo referente e o seu termo referido, respectivamente.
 

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