Tendo por unidade de análise o gênero humano no tempo, o antropólogo Lewis Morgan dispõe as sociedades humanas na história, segundo graus de complexidade crescentes conforme se aproximam da civilização. Diferentes organizações sociais sucedem-se porque se superam pelo desenvolvimento de sua capacidade de adaptar-se à natureza e de dominá-la, identificando vantagens biológicas e econômicas em certas formas de comportamento, que são, então, instituídas como modos de organização social. O materialismo antirracista de Morgan é fruto de sua concepção de que inato no homem é o geral e não o particular. Inata no homem é a capacidade intelectual de reconhecer a maior utilidade de certas formas de organização social graças aos “germes elementares do pensamento” que se transmitem biologicamente. Se assim não fosse, os grupos humanos estariam condenados às suas particularidades.
Sylvia G. Garcia. Antropologia, modernidade, identidade.
Tempo Social, v. 5, 1994, p. 125 (com adaptações).
Com relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item subsequente.
Depreende-se do desenvolvimento da argumentação que a complexidade crescente das sociedades humanas, mencionada no primeiro período do texto, provém da superação das capacidades biológicas pelas capacidades intelectuais, o que é decorrente do modo de organização social que os seres humanos podem transmitir como herança genética.