O pesquisador Luís Tatit mostra como a influência americana se dá ao analisar “Baby”:
“...Baby” conservava, no arranjo de Rogério Duprat, uma levada mais lenta do que a marcha – algo em torno da marcha-rancho – que “zelava” por sua feição brasileira. No entanto, seu diálogo principal era nitidamente travado com a canção pop norte-americana. Nem a melodia, nem a letra, nem o título da composição escondiam esse propósito /.../ Alternando tônica e subdominante (por exemplo, Lá e Ré) “Baby” apresenta uma tendência melódica vertical ascendente desde os primeiros motivos.
A exploração da verticalidade decorre justamente da opção pela imobilidade harmônica. “Baby” expande seus contornos pelos graus da gama diatônica para compensar a atuação parcimoniosa dos acordes. Ao contrário de “Garota de Ipanema”, em que o progresso melódico se deve aos efeitos do movimento harmônico. Mesmo não havendo evolução harmônica expressiva, o tratamento ascendente, dentro de um pulso mais vagaroso, convoca as tensões passionais da falta, como se a trajetória percorrida já denotasse em si o esforço da busca. Desde já, portanto, delineia-se uma correspondência desse componente melódico com os aspectos de carência, fartamente salientados na letra pela expressão “você precisa”. Ao mesmo tempo, esse esquema de elevação gradativa, culminando no refrão, evoca um padrão do pop-rock americano que se manifesta integralmente na composição “Diana”, cujo coro principal Caetano incorpora como contraponto ao de “Baby”.
Ao tratar da canção “Baby”, Tatit enfatiza as características que permitem identificar a influência do poprock americano na canção brasileira.
Assinale a alternativa que enumera corretamente essas características.