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A coragem de tentar

Uma declaração de Jorginho repercutiu bastante nos últimos dias. Depois que a Itália não conseguiu vaga na Copa do Mundo, o brasileiro naturalizado italiano disse ao canal Rai Sport que vai pensar pelo resto da vida nos pênaltis que perdeu nas eliminatórias contra a Suíça. Se os tivesse convertido, não precisaria disputar repescagem. A Azzurra foi derrotada pela Macedônia do Norte e ficou fora do Mundial do Qatar.

Jorginho é excelente jogador e homem de confiança de Thomas Tuchel no Chelsea e de Roberto Mancini na seleção nacional. Obviamente, a responsabilidade não é dele, sendo o futebol um esporte coletivo. O desabafo gera empatia não só pela capacidade de nos solidarizarmos com a dor alheia, mas também porque todos nós, em alguma situação ou medida, já estivemos bem perto do fracasso ou do sucesso. Este texto não é uma crítica a quem perde, e sim um elogio aos que têm coragem de apostar no que acreditam.

No alto rendimento, a distância entre êxtase e tristeza é tão pequena quanto cruel. No documentário Arsene Wenger: lnvincible, o treinador francês que ficou 22 anos à frente ao Arsenal diz que "a vida é uma questão de milímetros". Wenger descreve as derrotas doídas para o rival Manchester United e um desafio que lançou à sua equipe em 2002: ganhar o campeonato inglês sem sofrer nenhuma derrota.

Os jogadores acharam que ele tinha enlouquecido, a imprensa o chamou de arrogante. Não deu certo. "Ainda acho que vocês conseguem", insistiu. Na temporada seguinte, o Arsenal foi campeão com antecedência, e Wenger provocou: "Querem se acomodar com a vitória ou fazer algo especial, tornar-se imortais?". Crer em um sonho quase impossível virou motivação. Foram 38 jogos sem perder, e o time que ficou conhecido como lnvincibles - "Invencíveis" - entrou para a história. E se eles nunca tivessem tentado?

Descobrir a receita da vitória ou da derrota no esporte e como lidar com ambas fascina estudiosos há anos. No livro Soccernomics, da jornalista Simon Kuper e do economista Stefan Szymanski, um dos capítulos é: "Por que a Inglaterra perde e outros europeus vencem". O título é realista já que, basicamente, o país que inventou o futebol ganhou uma Copa do Mundo em casa em 1966-e só.

Por meio da análise de resultados, competições, perfis de treinadores e jogadores, os autores contestam, por exemplo, a teoria de que estrangeiros na Premier League limitam a formação de talentos ingleses para a seleção nacional. Mesmo usando ciência e estatística como base, lembram que equipes também precisam de sorte e que, em torneios como o Mundial, a diferença entre virar uma lenda ou um fracasso pode ser uma bola que bateu na trave.

Atletas lidam com pressão e frustrações desde cedo, estão sujeitos a críticas e têm que saber lidar com elas. Mas é preciso dar crédito à bravura de arriscar. Aos que cobram um pênalti no futebol, tentam a cesta decisiva no basquete, o ponto do título no vôlei, ao judoca que perde a luta que valia o ouro e minutos, depois, volta ao tatame em busca do bronze.

É assim que grandes campeões e histórias inesquecíveis são criadas. Seja a disputa da medalha ou, no nosso caso, a mudança de emprego, de relacionamento, a busca por algo diferente na vida: pode dar errado, mas você prefere tentar ou não fazer nada? Se escolher a segunda opção, nunca vai saber o que teria acontecido.

Marina lzidro

Folha de São Paulo, 02 de abril de 2022.

No terceiro parágrafo, a palavra "milímetros" se refere ao seguinte aspecto discutido no texto:

 

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