Lembrei-me daquele começo de campanha e do seu esforço para conseguir uma notinha. Você, que nunca foi jornalista, acionou a imprensa como nós todos juntos não conseguimos. No início, cheguei a ouvir: “Mais velho do que a fome só o Betinho”. Em pouco tempo, você fez de si novidade e da fome, notícia. Você se impôs e nos pôs a serviço de sua causa.
Algumas pessoas o classificavam como assistencialista, idealista, utópico, querendo dizer que não passava de um sonhador. Como bom mineiro, você ria. Elas não percebiam que você sabia que não ia abolir a fome nem erradicar a miséria. O que queria era tirar o país do conformismo, passar da indignação à ação, mostrar que a fome e a miséria são um escândalo. O que você quis foi derrotar a razão cínica e substituí-la por uma razão ética.
Zuenir Ventura. Como imaginar que dessa vez
era pra valer? In: Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 216 (com adaptações).
Com relação às idéias e aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item que se segue.
No primeiro parágrafo do texto, o autor narra o empenho de uma pessoa para instituir uma campanha de combate à fome e à miséria.