Leia o texto para responder às questões de números 03 a 05.
Começou há algumas semanas, quando me gabei, em texto anterior a este, de ter sido um grande chutador de tampinhas, daquelas de refrigerante, soltas nas calçadas. Dias depois, um leitor me escreveu e perguntou se eu era capaz de bater com o sapato na borda da tampinha, fazê-la subir e matá-la no peito do pé. Humilhado, tive de confessar que não. E, agora, outro leitor, para minha vergonha suprema, escreve para dizer que no peito do pé era fácil − ele queria ver era se o sujeito fazia, como ele, a tampinha pousar no lado do pé. Tudo isso porque observei que, por falta das próprias, ninguém mais chuta tampinhas pelas ruas.
Muita coisa deixou de existir por falta de matéria-prima. Continua a chover, mas não se usam mais galochas. Ninguém mais sopra chicletes de bola. Ninguém mais usa boina, só boné, e, mesmo assim, ao contrário. Artigos de primeira necessidade como o mata-borrão e a espátula para abrir cartas deixaram de existir. Ninguém mais lambe selos para pregar no envelope. Eu próprio há anos não lambo um selo e não escrevo ou recebo uma carta.
Em compensação, coisas há muito dadas como extintas estão voltando espetacularmente. Uma delas é o bigodinho, fora de moda há uns 70 anos. Os garotos voltaram a jogar bafo com as figurinhas. E até o estrogonofe voltou.
(Ruy Castro. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2023/08/o-que-sumiu-e-o-que-voltou.shtml. Acesso em 08.08.2023. Adaptado)
As expressões destacadas no trecho do 1º parágrafo − Tudo isso porque observei que, por falta das próprias, ninguém mais chuta tampinhas pelas ruas. – apresentam, respectivamente, ideias de