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Leia o texto a seguir para responder às questões de 7 a 12.

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Difíceis identidades contemporâneas

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01--Às vezes, nossa existência nos pesa. Mesmo que por algum tempo tenhamos vontade de nos livrar das

02--necessidades ligadas a ela, de tirarmos férias de nós mesmos para tomar fôlego, descansar. Embora

03--nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais, elas não nos eximem

04--do essencial que consiste em dar significado e valor à existência, em nos sentirmos ligados aos outros, em

05--experimentar o sentimento de ter um lugar no seio do vínculo social. A individualização do sentido, ao

06--libertar das tradições ou dos valores comuns, desvincula de toda autoridade. Cada um se torna seu próprio

07--dono e só precisa prestar contas a si mesmo.

08--O desmantelamento do vínculo social isola cada indivíduo e o entrega à sua liberdade, à fruição de sua

10--autonomia ou, ao contrário, a seu sentimento de insuficiência, a seu fracasso pessoal. O indivíduo que não

11--dispõe de recursos interiores sólidos para se ajustar, dar significados e valores aos acontecimentos, que

12--não tem autoconfiança suficiente, sente-se ainda mais vulnerável e é obrigado a firmar-se por si mesmo, já

13--que não encontra apoio na comunidade. Muitas vezes ele mergulha em um clima de tensão, de inquietude,

14--de dúvida, que torna difícil sua vida. Nem sempre ele consegue encontrar prazer em viver.

15--Muitos de nossos contemporâneos aspiram ao alívio da pressão que pesa em seus ombros, à suspensão

16--do esforço constante para continuar sendo eles mesmos ao longo do tempo e das circunstâncias, sempre à

17--altura das exigências para consigo mesmos e para com os outros. Mesmo quando nenhuma dificuldade

18--pesa, pode emergir a tentação de desligar-se de si mesmo – nem que seja por algum tempo – para fugir

19--das rotinas e preocupações. Qualquer desobrigação é bem-vinda; ela permite desapegar-se por um

20--instante.

21--Em uma sociedade onde se impõem a flexibilidade, a urgência, a agilidade, a concorrência, a eficácia etc.,

22--ser si mesmo já não é algo evidente, visto que a todo instante urge expor-se ao mundo, adaptar-se às

23--circunstâncias, assumir a autonomia, estar à altura dos acontecimentos. Já não basta nascer ou crescer, é

24--preciso construir-se permanentemente, manter-se mobilizado, dar sentido à vida, fundamentar suas ações

25--nos valores.

24--A tarefa de individuação é árdua, sobretudo quando se trata de ser exatamente si mesmo. Encontrar os

25--suportes de sua autonomia e bastar-se a si mesmo não são um dado evidente. Nem todos os indivíduos

26--dispõem das mesmas capacidades. “Se as exigências morais se abrandaram, as coerções psíquicas

27--invadiram o cenário social: a emancipação e ação alargam desmedidamente a responsabilidade individual,

28--elas aguçam a consciência de ser tão somente si mesmo [...]. Por isso, a insuficiência é para a pessoa

29--contemporânea o que o conflito era para a primeira metade do século XX” (EHRENBERG, 1998: 276). O

30--indivíduo fica doravante sem orientação para se construir, ou melhor, se vê diante de muitas possiblidades

31--e entregue a seus recursos pessoais. Essa falta de apoio social e ausência de regulação exterior nem

32--sempre facilitam o acesso à autonomia. No entanto, todo indivíduo é responsável por si próprio, mesmo que

33--lhe faltem meios econômicos e, sobretudo, simbólicos para assumir uma liberdade que não escolheu, mas

34--que lhe é outorgada pelo contexto democrático de nossas sociedades. E, nessa busca, ele está sozinho.

35--Ele já não dispõe à sua volta, como outrora, de um quadro político para se afirmar em uma luta comum, já

36--não é mais apoiado por uma cultura de classe e por um destino compartilhado com outros.

37--Estar sob sua própria autoridade implica recursos interiores continuamente renovados, pois ela é fonte de

38--inquietação, de aflição e mobiliza um esforço constante. A identidade tornou-se uma noção essencial para o

39--questionamento de cada indivíduo e de nossas sociedades, mas hoje ela está em crise e alimenta uma

40--“incerteza radical quanto à continuidade e à consistência de si mesmo” (GAUCHET, 2004: 257). A

41--transparência desapareceu entre as diferentes formas de socialização e de subjetividade. Manter seu lugar

42--no seio do vínculo social implica uma tensão, um esforço.

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LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 2018. p. 9-11 (Adaptado).

A oração “Embora nossas condições de vida sejam, decerto, melhores do que as de nossos ancestrais” (linhas 2 e 3) estabelece com a oração que vem na sequência uma relação

 

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