Não somente os circuitos das invenções tecnológicas vão evoluindo com o passar dos anos. Os circuitos
neurais dos humanos tendem a acompanhar essas mudanças. A maior evidência disso está no cérebro
dos chamados “nativos digitais” – crianças, adolescentes e jovens que não conheceram o mundo
sem computadores e Internet. Testes científicos com ressonância magnética e eletroencefalograma de
alta densidade mostram que o uso de telas e da web está literalmente fazendo a cabeça de quem já
nasceu na realidade virtual. Segundo estudos feitos no centro francês de pesquisa científica CNRS-La
Sorbonne, o ambiente multitelas em que as crianças são inseridas cada vez mais precocemente altera
as aptidões cerebrais das novas gerações. “Os nativos digitais têm melhor atenção seletiva visual e
tomam decisões com mais rapidez”, afirma Olivier Houdé, diretor do laboratório de desenvolvimento
e educação infantil do CNRS-La Sorbonne. Para Houdé, os estímulos das telas sensíveis ao toque
(touchscreen) e dos jogos eletrônicos pavimentaram uma via expressa entre os olhos e os dedos das
novas gerações. Elas desenvolveram, assim, um raciocínio rápido e flexível. Mais do que seus pais e
avós, esses jovens e crianças possuem o córtex pré-frontal mais ativo e capacidade cognitiva de multitarefas.
O estímulo para isso veio também do contexto social. As gerações anteriores nunca tinham
sido confrontadas com tal massa de escolhas e microdecisões todos os dias como a geração Z, outro
apelido dado aos nascidos de 1995 para cá. Ninguém sabe os resultados dessas mudanças. Só será
possível avaliar as consequências das novas alterações cerebrais quando crianças, adolescentes e jovens
de hoje forem adultos amanhã. Embora isso pareça assustador, não se pode dizer que seja uma
má notícia. Milhares de anos atrás, a leitura não era natural para o cérebro, mas a enorme capacidade
de adaptação desse órgão (conhecida como neuroplasticidade) aproveitou mecanismos de identificação
de objetos para reconhecer rapidamente letras e palavras. Agora, as mídias digitais vieram turbinar esse
processo.
(Adaptado de: MESQUITA, R. V. Cérebros digitais. Planeta. abr. 2015. ano 42. 508.ed. p.37-38.)
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