A característica central da modernidade, não seria demais repetir, é a institucionalização do universalismo − e seu duplo, a igualdade − como princípio organizador da esfera pública. Com base nesse pressuposto, argumento que, em nossa sociedade, na esfera pública, duas formas de particularismo − o das diferenças e o das relações pessoais − se reforçam e se articulam em diversas arenas e situações, na produção e reprodução de desigualdades sociais e simbólicas. O particularismo das diferenças produz exclusão social e simbólica, dificultando os sentimentos de pertencimento e interdependência social, necessários para a efetiva institucionalização do universalismo na esfera pública. O particularismo das relações pessoais atravessa os novos arranjos institucionais que vêm sendo propostos como mecanismos de construção de novas formas de sociabilidade e ação coletiva na esfera pública. Finalmente, considero que, embora a formação de novos sujeitos sociais e políticos e de arenas de participação da sociedade na formulação e gestão das políticas públicas traga as marcas de nossa trajetória histórica, constitui, ao mesmo tempo, possibilidade aberta para outra equação entre universalismo e particularismo na sociedade brasileira.
Jeni Vaitsman. Desigualdades sociais e particularismos na sociedade brasileira. In: Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, n.º 18 (Suplemento), p. 38 (com adaptações).
Julgue o seguinte item, a respeito dos sentidos e da organização do texto acima.
Por meio da conjunção "e", empregada uma veze na linha 7 e duas vezes na linha 8, é estabelecida a seguinte organização de ideias: a primeira ocorrência liga duas características de "novos sujeitos"; a segunda liga dois complementos de "formação"; a terceira, dois complementos de "arenas de participação da sociedade".