A busca de felicidade nas salas de aula
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Em uma verdadeira revolução educacional, o Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, sustenta que os princípios para a busca de uma vida melhor podem e devem ser ensinados nas escolas. As habilitações tradicionais seriam insuficientes. “O que desejam os pais para seus filhos?” Felicidade, saúde, autoconfiança, equilíbrio emocional. E o que ensinam as escolas nos países desenvolvidos? Alfabetização, matemática, disciplina, raciocínio crítico. [...]. Para o criador da Psicologia Positiva, nunca houve tanta riqueza material e tão pouca satisfação emocional. Esse deslocamento revela o vazio existencial do homem moderno e a necessidade de ferramentas cognitivas para a busca de seu bem-estar desde criança. “Sou inteiramente a favor do bom desempenho, do sucesso, da disciplina e da alfabetização literária e numérica. Mas imagine se as escolas pudessem, além disso, oferecer a seus alunos os princípios e as limitações para a busca do bem-estar. Teríamos indivíduos e famílias mais felizes, melhores instituições e um mundo melhor.”
Os problemas brasileiros são bem mais primitivos, como ilustra a recente controvérsia em torno de um conteúdo educacional sancionado pelo Ministério da Educação. O episódio revela dificuldades de nosso sistema até na entrega de requisitos básicos para a empregabilidade futura das crianças.
Uma coisa é o respeito à preservação da autoestima dos alunos e de suas famílias que não tiveram oportunidade de frequentar salas de aula. É compreensível que não se expressem de forma correta. Outra coisa é o inarredável compromisso dos professores na correção dos erros, de modo a romper o círculo vicioso do despreparo na sociedade do conhecimento. E outra coisa ainda é a qualidade do conteúdo educacional. Pois se agora “nós pega os peixe”, depois “nós não acha os emprego”. Formas de comunicação inadequadas fecham as portas de empregos mais produtivos e com melhores salários nos mercados de trabalho.
(GUEDES, Paulo. Revista ÉPOCA, 30/05/2011.)
Nos trechos nós pega os peixe e nós não acha os emprego, encontra-se presença de variedade linguística