TEXTO
Que país? Que povo? Que língua?
As três perguntas que dão título a este texto têm a ver com um problema sobre o qual se discute muito: o problema da identidade. Que país? Que povo? Que língua? Se para a pergunta "que país?" alguém me der a resposta "Brasil", e se para a pergunta "que povo?" alguém me der a resposta "brasileiro", terei dificuldade em aceitar para a pergunta "que língua?" a resposta "português".
Afinal, se estamos no Brasil e se nos definimos como povo brasileiro, por que continuar a insistir no uso desse rótulo português para identificar a língua que falamos aqui? E o problema não está apenas no rótulo dessa garrafa, mas sobretudo na bebida que ela contém e que querem nos empurrar goela abaixo.
Na escola primária e secundária, temos aulas de "língua portuguesa" e de "literatura brasileira". Por que a literatura é qualificada de "brasileira"? Porque é uma literatura produzida por pessoas nascidas e criadas aqui, usando como pano de fundo ou mesmo como tema central a nossa realidade histórica, geográfica, social, ecológica etc. Se essas são as razões para dizer que a literatura é "brasileira", por que então a língua é "portuguesa", se essa língua também é a língua falada e escrita por pessoas nascidas e criadas aqui, no Brasil, e serve como instrumento de inserção dessas pessoas na nossa realidade histórica, geográfica, social, ecológica etc.?
Na minha visão das coisas, este é o grande nó do exame da situação linguística do Brasil: eu sou brasileiro, mas quando vou na escola sou obrigado a aprender português. Quando ligo a televisão dou de cara com um programa chamado "Nossa língua portuguesa". Quando falo ou escrevo do modo como sei falar e escrever, aparece alguém para me dizer que "isso não é português".
Não é por acaso que tanta gente continue a dizer por aí que "brasileiro não sabe português" ou que "português é muito difícil". De fato, brasileiro não sabe português, nem tem por que saber. O brasileiro sabe a sua língua, a língua do Brasil, que foi transmitida a cada um de nós dentro do útero de nossas mães brasileiras, que foi absorvida por cada um de nós junto com o leite materno, que foi apreendida por cada um de nós nos primeiríssimos anos de nossas vidas para nunca mais sair de nossa memória, de nossa mente, de nosso corpo, de nosso ser.
BAGNO, Marcos. Texto disponível em:http://paginas.terra.com.br/educacao/marcosbagno/art_que_pais_que_povo_que_lingua.htm.
Acesso em 27/03/2006. Adaptado.
Analise a função dos segmentos destacados nos trechos a seguir.
1) “por que continuar a insistir no uso desse rótulo ‘português’ para identificar a língua que falamos aqui?”
2) “Não é por acaso que tanta gente continue a dizer por aí que ‘brasileiro não sabe português’”.
3) “Porque é uma literatura produzida por pessoas nascidas e criadas aqui”.
4) “O brasileiro sabe a sua língua, a língua do Brasil, que foi transmitida a cada um de nós dentro do útero de nossas mães brasileiras”.
Têm valor de adjetivos apenas os segmentos destacados em:
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