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“As primeiras manifestações cênicas no Brasil cujos textos se preservaram são obra dos jesuítas, que fizeram teatro como instrumento de catequese. Os colonizadores portugueses haviam trazido da metrópole o hábito das representações, mas, não se ajustando elas aos preceitos religiosos, Nóbrega incumbiu Anchieta (1534-1597) de encenar um auto. O jovem evangelizador, cognominado, pela tarefa admirável de cristianização dos silvícolas, o "Apóstolo do Brasil", tinha pendores literários diversos, e se distinguiu no gênero epistolar, na gramática e na poesia, de lirismo devoto e inspirada fatura. (...) Não será o caso de acreditar, a propósito do jesuíta, que tenha sentido a vocação irresistível do palco. Os vários autos, desiguais na forma e no resultado cênico, parecem uma aplicada composição didática de quem tinha um dever superior a cumprir: levar a fé e os mandamentos religiosos à audiência, num veículo ameno e agradável, diferente da prédica sêca dos sermões. Acresce que os índios eram sensíveis à música e à dança, e a mistura das várias artes atuava sobre o espectador com vigoroso impacto. A missão catequética dos autos se cumpria assim facilmente.”

A propósito das primeiras manifestações teatrais no Brasil é correto afirmar que

I - A dicotomia fundamental da Idade Média persiste nos autos jesuíticos: defrontam-se, por fim, o bem e o mal, os santos, anjos e outros numes protetores da Igreja com as forças demoníacas, côrte variada de diabos ostentando nomes de índios inimigos.

II - Além dos temas religiosos, havia autos criados por Anchieta exclusivamente para entretenimento, em que personagens indígenas e europeus confraternizaram ao final do conflito principal, familiarizando os moradores das aldeias com a ideia de aceitar pacificamente a cultura europeia e suas exigências.

III - Vários textos eram encenados em múltiplas línguas, com cenas representadas em português, outras em castelhano e ainda muitos diálogos travados em tupi. Os espetáculos que se destinavam apenas aos indígenas utilizavam a sua língua, como veículo mais direto de comunicação.

IV - Elementos da mitologia indígena como os “anhangás” ou os diabos, eram também aproveitados na elaboração dos textos dramáticos. No Auto de São Lourenço, os diabos índios são habilmente explorados, conseguindo o autor obter deles um grande efeito cênico.

V- O auge do teatro jesuítico ocorreu nos séculos XVII e XVIII, com religiosos que aprenderam com o estilo tradicional de José de Anchieta e ampliaram não apenas o alcance dessas manifestações, mas também a complexidade e qualidade das encenações.

Assinale a alternativa que indica quais das afirmativas acima estão corretas.

 

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