TEXTO II para a questão
O excerto que se segue foi retirado do texto De presentes e ausências, escrito pelo jornalista Daniel Piza, e publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 25/12/2011.
Nesta época é comum ver, além das retrospectivas, os apelos piegas ao tal espírito natalino, abusos de expressões como "renovar esperanças", previsões furadas de astrólogos, tarólogos e outros loucos, textos que lamentam onde estão os natais d'antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes. Meu impulso é perguntar por que as pessoas não procuram ser assim o ano todo, e não apenas no solstício que foi apropriado pela religião e pelo folclore para se tornar uma data paradoxal em que se discursa sobre bons sentimentos enquanto se consome em ritmo febril; até mesmo os nacionalistas se calam diante do fato de que a festa não tem cara do calor de 34 graus. E então me ponho a pensar em como generosidade e respeito, para ficar só nesses dois itens, andam em falta nos tempos atuais, especialmente nas grandes cidades, e em como a tecnologia que deveria nos aproximar nos tem dispersado. Mas lembro os Natais de infância, comparo com o dos meus filhos e as diferenças se tornam irrelevantes, porque os prazeres e as questões são muito parecidos. E os dias deliciosamente desocupados, desacelerados, convidam ao balanço do ano, ainda que tenha tido tantas tristezas em meu caso, e sem balanço não há avanço.
http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/de-presentes-eausencias/ (com adaptações)
Com base na frase abaixo, retirada do texto II, assinale a assertiva que corresponde ao efeito discursivo explorado pelo jornalista Daniel Piza.
“(...) até mesmo os nacionalistas se calam diante do fato de que a festa não tem cara do calor de 34 graus.”