Dá para escapar da pseudociência?
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Há tempos as pessoas são inundadas por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. Hoje, basta entrar na internet ou ligar a televisão e o rádio. A grande maioria desses milagres cotidianos está vestida com alguma roupagem científica: linguagem um pouco mais rebuscada, depoimentos de “renomados” pesquisadores, utilização em grandes universidades. Todos casos típicos do que se costuma definir como “pseudociência” – crenças que reivindicam, de modo legítimo, o mesmo grau de confiabilidade das ciências. […] Muitas vezes envoltas em uma aura afável, de curiosidade inócua, pseudociências podem prejudicar, de modo perverso, a vida de todos e também do planeta.
O perigo se revela, por exemplo, quando indústrias ou setores da sociedade – por motivos religiosos, políticos ou econômicos – articulam-se para tirar proveito tanto de informações equivocadas que parte da população tem acerca de como a ciência é feita quanto do grande nível de desinformação presente no meio virtual. Além disso, nos últimos anos, as redes sociais e os aplicativos de mensagens como o WhatsApp potencializaram os males da pseudociência em dimensões assustadoras. No embalo das fake news, os embustes ganharam força na voz de influenciadores de toda sorte, de ocupantes de altos cargos públicos a cidadãos com milhões de seguidores e zero lastro técnico, educacional ou algo que o valha. […]
Ao contrário da ciência, as pseudociências não têm compromisso com a realidade, elas se moldam com facilidade às preferências do público e ao espírito dos tempos. Isso as torna atraentes. Escapar dessa atração pode não ser fácil, mas é cada vez mais necessário. Em uma sociedade em que a ciência e a tecnologia assumem um protagonismo cada vez maior, a cultura científica é um fator crucial para a tomada de decisões que certamente afetarão nosso bem-estar social, como indivíduos e como sociedade. Para tomar decisões conscientes e independentes é fundamental conhecer um pouco sobre ciência e seu funcionamento, e como essas decisões podem afetar nossas vidas e a das futuras gerações.
(Fonte: KNOBEL, M. A ilusão da lua: ideias para decifrar o mundo por meio da ciência e
combater o negacionismo. São Paulo: Contexto, 2021. p. 127-135 – adaptado)
Assinale a alternativa em que o emprego do verbo “haver” segue o mesmo princípio do emprego feito no período: “Há tempos as pessoas são inundadas por inúmeras promessas de curas milagrosas, métodos de leitura ultrarrápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço”.