Receitas para sair da crise — opções disponíveis no país, na opinião de líderes empresariais e sindicais
Depoimento I – João Pedro Stédile: Por um outro modelo
O povo brasileiro vive uma grande crise. Só haverá
solução duradoura se as medidas atacarem as verdadeiras causas.
E elas se concentram no modelo econômico historicamente
adotado e nos desatinos da política mais recente, servil, que
subordinou nossa economia aos interesses do capital financeiro
internacional. Para sair da crise e construir uma sociedade mais
justa, em que todos os brasileiros tenham pelo menos trabalho,
moradia digna, terra para trabalhar, escola pública de qualidade
e comida na mesa, será necessário um novo modelo econômico.
Depoimento II – Fernando Xavier Ferreira: Um freio no
consumo
O momento exige cautela nas empresas. É preciso que
todo investimento seja muito bem avaliado. Por cautela, entenda-
se a redução da exposição aos riscos, mas não de maneira
absoluta. O endividamento deve ser o menor possível. O mesmo
raciocínio vale para as pessoas. Não é hora de adotar um modo de
vida absolutamente espartano, mas também não é o momento para
exageros consumistas. Temos de entender que nossa economia é
saudável e que todas essas adversidades de curto prazo não
contaminarão seus fundamentos.
Depoimento III – Paulo Pereira da Silva: À espera da mudança
Apesar de ter anunciado um programa de desenvolvimento
que apoiamos, o governo não conseguiu levá-lo adiante. Isso
ocorreu não só por causa dos distúrbios nas economias asiática,
russa e, agora, argentina. Ocorreu porque o governo não elegeu
prioridades e errou ao concentrar esforços unicamente no
necessário ajuste fiscal. Por causa disso, a dívida pública se
elevou, os juros estão nas alturas, e os investimentos, em baixa.
É preciso, principalmente, reformar a previdência social, para
acabar com os privilégios, criar novo sistema tributário e fiscal,
para garantir a competitividade das empresas, e fazer a reforma
política e judiciária, para consolidar a democracia.
Depoimento IV – Manoel Horácio da Silva: Imprevidência
oficial
A crise de energia traz problemas para a economia, mas
provoca também uma conscientização sobre o uso da eletricidade.
Todas as pessoas têm uma contribuição a dar nesse esforço, uma
vez que hoje gastamos mais do que precisamos. Até as empresas
devem aprender a economizar. Alguns setores da indústria usam
a energia como insumo básico e vêm tendo sérios problemas para
alcançar a meta estabelecida pelo governo. Acredito, porém, que
essa situação vai acabar induzindo as indústrias a serem criativas
para superar a adversidade.
Depoimento V – Sérgio Andrade: A lição da sociedade
Creio que o aspecto mais relevante e inesperado do atual
momento é a resposta da sociedade civil à crise energética. Isso
mostra que a capacidade de mobilização do povo diante de um
desafio real é muito maior do que se imaginava. Esse fato nos
enche de esperança, porque pode ser aproveitado pelas lideranças
políticas para promover melhorias nas condições de vida da
população. Afinal, crises comparáveis à de energia elétrica
existem na educação, na saúde, na segurança e no funcionamento
da máquina administrativa do governo.
Época, n.º 165, 16/7/2001, p. 68-78 (com adaptações)
Considerando a manutenção das normas gramaticais, julgue as passagens dos depoimentos do texto LP-II reescritas nos seguintes itens.
Existe crises no setor energético, na educação, na saúde, na segurança, e no funcionamento da máquina administrativa; todavia um fato enche-nos de esperança: as lideranças políticas estão empenhadas com melhorar as condições de vida da população.