Magna Concursos
3459963 Ano: 2009
Disciplina: Artes Cênicas
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Alaíde (alheando-se bruscamente) — Espera, estou-me lembrando de uma coisa. Espera. Deixa eu ver! Mamãe dizendo a papai.

(Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da memória. Pai e mãe.)

Mãe — Cruz! Até pensei ter visto um vulto. — Ando tão nervosa. Também esses corredores! A alma de madame Clessi pode andar por aí... e...

Pai — Perca essa mania de alma! A mulher está morta, enterrada!

Mãe — Pois é...

(Apaga-se o plano da memória. Luz no plano da alucinação.)

Clessi — Mas o que foi?

Alaíde — Nada. Coisa sem importância que eu me lembrei. (forte) Quero ser como a senhora. Usar espartilho. (doce) Acho espartilho elegante!

Clessi — Mas seu marido, seu pai, sua mãe e... Lúcia?

Homem (para Alaíde) — Assassina!

(Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da realidade. Sala de operação.)

1.º médico — Pulso?
2.º médico — Cento e sessenta.
1.º médico — Rugina.

2.º médico — Como está isso!
1.º médico — Tenta-se uma osteossíntese!
3.º médico — Olha aqui.
1.º médico — Fios de bronze.

(Pausa)

1.º médico — O osso!
3.º médico — Agora é ir até o fim.
1.º médico — Se não der certo, faz-se a amputação.

(Rumor de ferros cirúrgicos)

1.º médico — Depressa!

(Apaga-se a sala de operação. Luz no plano da alucinação.)

Homem (para Alaíde, sinistro) — Assassina!

Nelson Rodrigues. Vestido de noiva.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004, p. 18-20.

Tendo como referência o fragmento da obra Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, apresentado acima, julgue o item seguinte.

Nesse fragmento, verifica-se a presença do jogo teatral, no qual é possível perceber a construção, pelo autor, de situações psicológicas vertiginosas.

 

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