Vaca Estrela e Boi Fubá
Seu doutor, me dê licença pra minha história contar
Hoje eu tô na terra estranha, é bem triste o meu penar
Mas já fui muito feliz vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bom e gostava de campear
E todo dia aboiava na porteira do curral
Ê ê ê ê lá a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela
Ô ô ô ô Boi Fubá
Eu sou fio do Nordeste, não nego meu natural
Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar
Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá
Quando era de tardezinha eu começava a aboiar
Ê ê ê ê lá a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela
Ô ô ô ô Boi Fubá
Aquela seca medonha fez tudo se atrapaiar
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão esturricou, fez os açude secar
Morreu minha Vaca Estrela, já acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar
Ê ê ê ê lá a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela
Ô ô ô ô Boi Fubá
Hoje nas terra do sul, longe do torrão natá
Quando eu vejo em minha frente uma boiada passar
As água corre dos óio, começo logo a chorá
Lembro a minha Vaca Estrela e o meu lindo Boi Fubá
Com saudade do Nordeste, dá vontade de aboiar
Ê ê ê ê lá a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela
Ô ô ô ô Boi Fubá
(Patativa do Assaré)
I. O texto em estudo reflete uma realidade do povo nordestino que, desprovido de subsistência, migra em busca de melhores salários e de uma vida digna.
II. O texto é um exemplo de um hábito tão antigo quanto a humanidade: o desejo de conhecer novos lugares, novas culturas.
III. Reflexo de êxodo rural, Vaca Estrela e Boi Fubá apresenta sequelas de questões sobre o conflito pela posse de terras.
IV. Expatriado, o eu lírico lamenta das condições climáticas que o impeliram a distanciar-se da sua essência.
V. O aboiar é manifesto de lembrança, expressão de sentimentos, espaço simbólico de pertencimento.