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A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem às próprias perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos de violentas afirmações eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros colonizadores é menos uma instigação ao saber do que a repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos eram de carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-se a animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D. Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses, intrusos assustados e visitantes temerosos, que desembarcam de inusitadas casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas, descritos como meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por casualidade que a primeira metáfora para descrever a condição do indígena recém-visto é a “tábula rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma boa descodificação das metáforas: eles não possuem valores culturais ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os possuímos; não possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio etnocêntrico, a inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no futuro, aceitariam de bom grado a voz catequética do missionário jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa, estaria ao mesmo tempo impondo os muitos valores que nela circulam em transparência.

Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Ainda em relação às idéias e estruturas do texto IV, julgue o item abaixo.

No texto, está subjacente a idéia de que a língua portuguesa veicula para o colonizado, que é compelido a aprendê-la, as informações factuais, mas não afeta seus valores culturais e religiosos.

 

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A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem às próprias perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos de violentas afirmações eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros colonizadores é menos uma instigação ao saber do que a repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos eram de carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-se a animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D. Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses, intrusos assustados e visitantes temerosos, que desembarcam de inusitadas casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas, descritos como meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por casualidade que a primeira metáfora para descrever a condição do indígena recém-visto é a “tábula rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma boa descodificação das metáforas: eles não possuem valores culturais ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os possuímos; não possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio etnocêntrico, a inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no futuro, aceitariam de bom grado a voz catequética do missionário jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa, estaria ao mesmo tempo impondo os muitos valores que nela circulam em transparência.

Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Ainda em relação às idéias e estruturas do texto IV, julgue o item abaixo.

Em “impô-los”, a forma pronominal enclítica estabelece coesão ao referir-se a “valores culturais ou religiosos”e “escrita”.

 

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A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem às próprias perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos de violentas afirmações eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros colonizadores é menos uma instigação ao saber do que a repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos eram de carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-se a animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D. Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses, intrusos assustados e visitantes temerosos, que desembarcam de inusitadas casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas, descritos como meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por casualidade que a primeira metáfora para descrever a condição do indígena recém-visto é a “tábula rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma boa descodificação das metáforas: eles não possuem valores culturais ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os possuímos; não possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio etnocêntrico, a inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no futuro, aceitariam de bom grado a voz catequética do missionário jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa, estaria ao mesmo tempo impondo os muitos valores que nela circulam em transparência.

Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Ainda em relação às idéias e estruturas do texto IV, julgue o item abaixo.

O emprego de “nós”, combinado com o trecho “eu, português que escrevo, possuo”, indica que o produtor do texto apresenta adesão ideológica e é favorável ao argumento dos portugueses a que se refere.

 

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A maioria dos primeiros textos que foram escritos para descrever terra e homem da nova região levam a assinatura de portugueses. Respondem às próprias perguntas que colocam, umas atrás das outras, em termos de violentas afirmações eurocêntricas. A curiosidade dos primeiros colonizadores é menos uma instigação ao saber do que a repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível. Os nativos eram de carne-e-osso, mas não existiam como seres civilizados, assemelhavam-se a animais. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a el-rei D. Manuel, observam-se melhor as obsessões dos portugueses, intrusos assustados e visitantes temerosos, que desembarcam de inusitadas casas flutuantes, do que as preocupações dos indígenas, descritos como meros espectadores passivos do grande feito e do grande evento que é a cerimônia religiosa da missa, realizada em terra. Não é, pois, por casualidade que a primeira metáfora para descrever a condição do indígena recém-visto é a “tábula rasa”, ou o “papel branco”. Eis uma boa descodificação das metáforas: eles não possuem valores culturais ou religiosos próprios e nós, europeus civilizados, os possuímos; não possuem escrita e eu, português que escrevo, possuo. Mas da tábula rasa e do papel branco trazia o selvagem, ainda dentro do raciocínio etnocêntrico, a inocência e a virtude paradisíacas, indicando que, no futuro, aceitariam de bom grado a voz catequética do missionário jesuíta que, ao impô-los em língua portuguesa, estaria ao mesmo tempo impondo os muitos valores que nela circulam em transparência.

Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Ainda em relação às idéias e estruturas do texto IV, julgue o item abaixo.

A palavra “descodificação”, em relação à palavra decodificação, exemplifica, em língua portuguesa, um dos casos em que, mesmo com formação diferente, duas grafias podem se alternar no mesmo contexto, sem alteração do significado.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Ainda em relação às idéias e estruturas do texto IV, julgue o item abaixo.

A expressão “tábula rasa” é uma construção erudita que pode ser substituída por tábua rasa, sem prejuízo para o respeito à grafia da norma culta.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Em relação às estruturas do texto IV, julgue o item seguinte.

A palavra “espectadores", em relação à forma expectadores, exemplifica, em língua portuguesa, um dos casos em que há flutuação ortográfica, com formas homônimas que podem se alternar no mesmo contexto e com o mesmo significado.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Em relação às estruturas do texto IV, julgue o item seguinte.

No texto, a estrutura da voz passiva em “observam-se” equivale a foram observados.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Em relação às estruturas do texto IV, julgue o item seguinte.

Da expressão “repetição das regras de um jogo cujo resultado é previsível”, pode-se inferir a idéia de que prevalecia a percepção eurocêntrica que sempre desfavorece o colonizado.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Em relação às estruturas do texto IV, julgue o item seguinte.

Se a palavra “instigação” for substituída pela palavra incitação, modificam-se o sentido do texto e as referências extratextuais a que o período remete.

 

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Idem, ibidem, p. XVII (com adaptações).

Em relação às estruturas do texto IV, julgue o item seguinte.

A forma verbal “Respondem” tanto pode referir-se a “portugueses” quanto a “textos”, sem prejuízo para a interpretação dos períodos.

 

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