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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar.
No período acima há
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James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
...e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão...
O contrário do termo sublinhado no segmento acima é
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
Assinale a alternativa em que se tenha apresentado pontuação igualmente correta para o período acima.
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James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
O texto é eminentemente
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James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
Eis porque o Webb ganhou o apelido de “sucessor do Hubble”: ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
O segmento sublinhado no período acima, em relação ao trecho anterior, desempenha papel de
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar.
O pronome sublinhado no período acima desempenha papel
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
James Webb e Artemis inauguram
nova era para a Nasa em 2022
Poucos anos na história da Nasa foram tão espetaculares quanto 2022. Não é comum que, em um período de poucos meses, o maior investimento científico e o maior esforço de exploração das últimas décadas atinjam sucesso pleno. Mas aconteceu neste ano, e é indiscutível que o Telescópio Espacial James Webb e a missão Artemis 1 mudaram a forma como encaramos o passado e o futuro do Universo.
Com o olhar voltado para trás, temos o Webb. Com seu poderoso espelho segmentado de 6,5 metros e instrumentos capazes de enxergar luz infravermelha, ele teve seu desenvolvimento formal iniciado em 2003, a partir de propostas que se iniciaram nos anos 1990, não muito tempo depois do lançamento do Telescópio Espacial Hubble.
A ideia era dar um passo além, desenvolvendo um equipamento capaz de enxergar mais longe do que o próprio Hubble, fazendo uso de um espelho mais sensível e da observação em infravermelho, em contraste com seu antecessor mais famoso, focado em luz visível e apenas um pouquinho de ultravioleta e luz visível.
A razão para isso não é tão difícil de entender. O Universo está em expansão, o que significa dizer que o próprio espaço está se esticando. Quando a luz viaja por ele, se estica junto, aumentando seu comprimento de onda. Então, o que nasceu como ultravioleta e luz visível nos confins do cosmos, até chegar a nós, já foi convertida em infravermelho. Eis porque o Webb ganhou o apelido de "sucessor do Hubble": ele enxerga mais longe, por ser sensível a luz com um comprimento de onda que o antigo telescópio não consegue detectar.
A premissa é fácil de descrever, mas dificílima de realizar. Para ter a sensibilidade adequada, o telescópio não pode ficar próximo à Terra, onde a luminosidade do próprio planeta o impediria de atingir as temperaturas baixíssimas requeridas para enxergar sutis emanações de infravermelho vindas das fronteiras mais longínquas do Universo.
Além disso, um escudo térmico – na prática um toldo do tamanho de uma quadra de tênis – teria de ser aberto sob o espelho para bloquear o Sol e garantir as condições térmicas adequadas.
O tamanho do espelho requerido (para não falar no escudo térmico) não caberia na coifa de nenhum foguete disponível, o que exigiu um projeto complicado em que o telescópio seria lançado ao espaço como origami, desdobrando-se cuidadosamente de forma automática, por semanas a fio.
O investimento estimado para seu desenvolvimento, em 2003, era de US$ 5 bilhões. O cronograma sugeria então um lançamento em 2014. Diversos estouros no orçamento se seguiram, o projeto chegou à beira do cancelamento em diversos momentos, e só chegou a termo após uma guinada bem-sucedida em sua gestão, o que levou o engenheiro Gregory Robinson, que assumiu a gerência do projeto em 2018, a ser listado entre as cem mais pessoas mais influentes de 2022 na revista americana Time.
O lançamento ocorreu finalmente em 25 de dezembro do ano passado, seguido por sete meses de desdobramento do equipamento, instalação em órbita, resfriamento e comissionamento dos instrumentos. Em julho deste ano, conforme os primeiros dados de observações começavam a chegar à Terra, Robinson decidiu se aposentar, após 33 anos na Nasa.
O trabalho do Webb, contudo, mal começara, e logo de cara já trouxe surpresas magníficas, como a galáxia mais distante já vista.
De olho no futuro da exploração espacial, a Nasa finalmente pôs em prática pela primeira vez sua nova arquitetura para missões tripuladas além da órbita da Terra. Com o sucesso da missão Artemis 1, ocorrida entre 16 de novembro e 11 de dezembro, o caminho está aberto para voltarmos a ver humanos fora do poço gravitacional terrestre, em uma jornada lunar, pela primeira vez em mais de meio século.
Foi outro projeto que passou por muitas idas e vindas, dúvidas e questionamentos, ao longo de duas décadas.
O primeiro ensaio para a atual iniciativa veio na esteira do acidente com o Columbia, quando a Nasa apresentou o programa Constellation, que deveria levar humanos de volta à Lua até 2020.
A iniciativa foi efetivamente cancelada, por falta de verba, na administração Obama, e os elementos do atual programa Artemis foram o que o Congresso americano salvou da iniciativa anterior – um foguete de alta capacidade baseado em tecnologias dos antigos ônibus espaciais, o SLS, e uma cápsula para voo em espaço profundo, a Orion.
Provavelmente seria outro beco sem saída, não fosse o advento da entrada da iniciativa privada na prestação de serviços de transporte espacial. Graças a isso, foi possível contratar, a preço que cabia no orçamento, um veículo privado para o transporte de astronautas à superfície lunar. A Nasa fechou contrato de dois pousos com a SpaceX, com seu veículo Starship, e está em vias de fechar com uma segunda empresa. Aí vai faltar essas companhias concluírem o ciclo de desenvolvimento e entregarem o serviço contratado.
Enquanto isso, os elementos já prontos do programa Artemis andam em passo de tartaruga. Não bastassem os US$ 50 bilhões já gastos e os cinco anos de atraso, um comitê independente estimou que cada novo voo de um SLS com uma Orion custe à Nasa US$ 4,1 bilhões. A agência diz que será menos, mas no momento é improvável que atinja cadência inferior a um voo a cada dois anos.
A missão Artemis 2, que levará quatro astronautas em uma excursão de dez dias ao redor da Lua e de volta à Terra (lembrando um pouco a missão Apollo 8, de 1968), está marcada para 2024 – e talvez escape para 2025.
O primeiro pouso viria na Artemis 3, no momento apenas formalmente esperada para 2025. Seria otimista pensar mesmo em 2026.
Em paralelo, Nasa e parceiros internacionais (já estão nessa ESA, Jaxa e CSA, agências espaciais europeia, japonesa e canadense) executam planos para construir uma pequena estação orbital lunar, chamada de Gateway. Será mais uma destinação para tripulações em espaço profundo, além da superfície da Lua, o que oferecerá experiência e treinamento para uma futura viagem a Marte (algo que no momento só existe como noção, não como plano, entre as agências espaciais). A agência espera atingir uma cadência de voos anuais para o programa Artemis, na esperança de tornar a iniciativa de exploração lunar sustentável.
A novidade é que nem só de agências espaciais será feita essa nova era de exploração lunar. Empresas privadas seguem desenvolvendo módulos de pouso tripulados e não tripulados para o envio de cargas úteis à Lua, e já há pelo menos duas missões turísticas contratadas com o Starship, da SpaceX, à órbita lunar: uma bancada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num projeto chamado #dearMoon, e outra pelo americano Dennis Tito, que já foi o primeiro turista a visitar a Estação Espacial Internacional, em 2001.
Se no século 20 tivemos uma corrida para a Lua, agora a sensação é de que estamos tendo uma onda, envolvendo múltiplos países e participantes. Dá a impressão de que desta vez o movimento vem para ficar. Mas isso só o futuro poderá dizer. Independentemente disso, já é seguro afirmar que 2022 marcou o início de uma nova era para a Nasa.
(Salvador Nogueira. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/12/james-webbe-
artemis-inauguram-nova-era-para-a-nasa-em-2022.shtml. 31.dez.2022)
Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:
I. A necessidade de projetar o telescópio James Webb como origami se deu em função de precisar agregar a ele um toldo enorme com capacidade de resfriar a temperatura aumentada durante seu funcionamento.
II. A missão Artemis, desdobrada em várias etapas, tem como objetivo maior levar naves tripuladas para fora da Terra, para, num projeto posterior, mas ainda não desenvolvido, chegar a Marte.
III. A ida à Lua repetirá os passos da Apollo 8, à procura de garantir que naves tripuladas possam levar pessoas ao solo lunar e depois trazê-las de volta.
Assinale
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Cientistas revivem vírus de 48.500 anos
congelado no permafrost
Uma equipe internacional de cientistas reviveu diversos vírus antigos que estavam bloqueados profundamente no permafrost da Sibéria desde a Idade do Gelo. A equipe acredita que vale a pena investigar esse quadro quando consideramos os perigos crescentes do degelo do permafrost e das mudanças climáticas. O artigo sobre seu estudo foi publicado recentemente, ainda sem revisão por pares, no servidor de pré-impressão bioRxiv.
No texto, os pesquisadores explicam como identificaram e reviveram 13 vírus pertencentes a cinco classes diferentes de amostras coletadas no gelado extremo leste da Rússia. (O projeto vem de uma equipe de pesquisadores da Universidade Aix-Marseille, na França, que em 2014 ressuscitou um vírus de 30 mil anos encontrado no permafrost da Sibéria.) Um dos microrganismos revividos de uma amostra de permafrost tinha cerca de 48.500 anos, o que o torna o vírus mais antigo já revivido até hoje. “48.500 anos é um recorde mundial”, declarou Jean-Michel Claverie, um dos autores do artigo e professor de genômica e bioinformática na Escola de Medicina da Universidade Aix-Marseille, à revista New Scientist.
Outros três vírus até então desconhecidos foram reavivados de uma amostra de 27 mil anos de fezes de mamute congeladas e de um pedaço de permafrost recheado com uma grande quantidade de lã de mamute. Eles foram denominados Pithovirus mammoth, Pandoravirus mammoth e Megavirus mammoth. E mais dois novos vírus foram encontrados no estômago congelado de um lobo siberiano (Canis lupus): Pacmanvirus lupus e Pandoravirus lupus.
Por enquanto se sabe que esses vírus infectam amebas (parasitas unicelulares), mas experimentos indicam que eles ainda conservam potencial para ser patógenos infecciosos. Os vírus introduzidos em uma cultura de amebas vivas pelos pesquisadores mostraram que ainda eram capazes de invadir uma célula e se replicar. Segundo os pesquisadores, o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas provavelmente despertará muitas ameaças microbianas, incluindo vírus patogênicos, do passado remoto. “Como infelizmente bem documentado por pandemias recentes (e em andamento), cada novo vírus, mesmo relacionado a famílias conhecidas, quase sempre requer o desenvolvimento de respostas médicas altamente específicas, como novos antivirais ou vacinas”, escrevem eles no artigo. “Não há equivalente a ‘antibióticos de amplo espectro’ contra vírus, devido à falta de processos drogáveis universalmente conservados nas diferentes famílias virais. Portanto, é legítimo ponderar sobre o risco de partículas virais antigas permanecerem infecciosas e voltarem à circulação pelo degelo de antigas camadas de permafrost.”
(https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia/cientistas-revivem-v%C3%ADrus-de-
48-500-anos-congelado-no-permafrost/ar-
AA14w1Pe?ocid=msedgntp&cvid=02140263bf3c4e6b8d9a1a0849d2a145)
Por enquanto se sabe que esses vírus infectam amebas (parasitas unicelulares)...
O pronome no segmento acima desempenha, no texto, papel
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Cientistas revivem vírus de 48.500 anos
congelado no permafrost
Uma equipe internacional de cientistas reviveu diversos vírus antigos que estavam bloqueados profundamente no permafrost da Sibéria desde a Idade do Gelo. A equipe acredita que vale a pena investigar esse quadro quando consideramos os perigos crescentes do degelo do permafrost e das mudanças climáticas. O artigo sobre seu estudo foi publicado recentemente, ainda sem revisão por pares, no servidor de pré-impressão bioRxiv.
No texto, os pesquisadores explicam como identificaram e reviveram 13 vírus pertencentes a cinco classes diferentes de amostras coletadas no gelado extremo leste da Rússia. (O projeto vem de uma equipe de pesquisadores da Universidade Aix-Marseille, na França, que em 2014 ressuscitou um vírus de 30 mil anos encontrado no permafrost da Sibéria.) Um dos microrganismos revividos de uma amostra de permafrost tinha cerca de 48.500 anos, o que o torna o vírus mais antigo já revivido até hoje. “48.500 anos é um recorde mundial”, declarou Jean-Michel Claverie, um dos autores do artigo e professor de genômica e bioinformática na Escola de Medicina da Universidade Aix-Marseille, à revista New Scientist.
Outros três vírus até então desconhecidos foram reavivados de uma amostra de 27 mil anos de fezes de mamute congeladas e de um pedaço de permafrost recheado com uma grande quantidade de lã de mamute. Eles foram denominados Pithovirus mammoth, Pandoravirus mammoth e Megavirus mammoth. E mais dois novos vírus foram encontrados no estômago congelado de um lobo siberiano (Canis lupus): Pacmanvirus lupus e Pandoravirus lupus.
Por enquanto se sabe que esses vírus infectam amebas (parasitas unicelulares), mas experimentos indicam que eles ainda conservam potencial para ser patógenos infecciosos. Os vírus introduzidos em uma cultura de amebas vivas pelos pesquisadores mostraram que ainda eram capazes de invadir uma célula e se replicar. Segundo os pesquisadores, o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas provavelmente despertará muitas ameaças microbianas, incluindo vírus patogênicos, do passado remoto. “Como infelizmente bem documentado por pandemias recentes (e em andamento), cada novo vírus, mesmo relacionado a famílias conhecidas, quase sempre requer o desenvolvimento de respostas médicas altamente específicas, como novos antivirais ou vacinas”, escrevem eles no artigo. “Não há equivalente a ‘antibióticos de amplo espectro’ contra vírus, devido à falta de processos drogáveis universalmente conservados nas diferentes famílias virais. Portanto, é legítimo ponderar sobre o risco de partículas virais antigas permanecerem infecciosas e voltarem à circulação pelo degelo de antigas camadas de permafrost.”
(https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia/cientistas-revivem-v%C3%ADrus-de-
48-500-anos-congelado-no-permafrost/ar-
AA14w1Pe?ocid=msedgntp&cvid=02140263bf3c4e6b8d9a1a0849d2a145)
“Não há equivalente a ‘antibióticos de amplo espectro’ contra vírus, devido à falta de processos drogáveis universalmente conservados nas diferentes famílias virais. Portanto, é legítimo ponderar sobre o risco de partículas virais antigas permanecerem infecciosas e voltarem à circulação pelo degelo de antigas camadas de permafrost.”
A presença de aspas simples no segmento acima se justifica porque
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Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Cientistas revivem vírus de 48.500 anos
congelado no permafrost
Uma equipe internacional de cientistas reviveu diversos vírus antigos que estavam bloqueados profundamente no permafrost da Sibéria desde a Idade do Gelo. A equipe acredita que vale a pena investigar esse quadro quando consideramos os perigos crescentes do degelo do permafrost e das mudanças climáticas. O artigo sobre seu estudo foi publicado recentemente, ainda sem revisão por pares, no servidor de pré-impressão bioRxiv.
No texto, os pesquisadores explicam como identificaram e reviveram 13 vírus pertencentes a cinco classes diferentes de amostras coletadas no gelado extremo leste da Rússia. (O projeto vem de uma equipe de pesquisadores da Universidade Aix-Marseille, na França, que em 2014 ressuscitou um vírus de 30 mil anos encontrado no permafrost da Sibéria.) Um dos microrganismos revividos de uma amostra de permafrost tinha cerca de 48.500 anos, o que o torna o vírus mais antigo já revivido até hoje. “48.500 anos é um recorde mundial”, declarou Jean-Michel Claverie, um dos autores do artigo e professor de genômica e bioinformática na Escola de Medicina da Universidade Aix-Marseille, à revista New Scientist.
Outros três vírus até então desconhecidos foram reavivados de uma amostra de 27 mil anos de fezes de mamute congeladas e de um pedaço de permafrost recheado com uma grande quantidade de lã de mamute. Eles foram denominados Pithovirus mammoth, Pandoravirus mammoth e Megavirus mammoth. E mais dois novos vírus foram encontrados no estômago congelado de um lobo siberiano (Canis lupus): Pacmanvirus lupus e Pandoravirus lupus.
Por enquanto se sabe que esses vírus infectam amebas (parasitas unicelulares), mas experimentos indicam que eles ainda conservam potencial para ser patógenos infecciosos. Os vírus introduzidos em uma cultura de amebas vivas pelos pesquisadores mostraram que ainda eram capazes de invadir uma célula e se replicar. Segundo os pesquisadores, o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas provavelmente despertará muitas ameaças microbianas, incluindo vírus patogênicos, do passado remoto. “Como infelizmente bem documentado por pandemias recentes (e em andamento), cada novo vírus, mesmo relacionado a famílias conhecidas, quase sempre requer o desenvolvimento de respostas médicas altamente específicas, como novos antivirais ou vacinas”, escrevem eles no artigo. “Não há equivalente a ‘antibióticos de amplo espectro’ contra vírus, devido à falta de processos drogáveis universalmente conservados nas diferentes famílias virais. Portanto, é legítimo ponderar sobre o risco de partículas virais antigas permanecerem infecciosas e voltarem à circulação pelo degelo de antigas camadas de permafrost.”
(https://www.msn.com/pt-br/noticias/ciencia/cientistas-revivem-v%C3%ADrus-de-
48-500-anos-congelado-no-permafrost/ar-
AA14w1Pe?ocid=msedgntp&cvid=02140263bf3c4e6b8d9a1a0849d2a145)
Portanto, é legítimo ponderar sobre o risco de partículas virais antigas permanecerem infecciosas e voltarem à circulação pelo degelo de antigas camadas de permafrost.
A oração sublinhada no período acima se classifica como
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