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3743295 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Leia o Texto.

Apaguemos os incêndios para conter as mudanças climáticas

Ana Carolina M. Pessôa/Celso H. L. Silva-Junior/Liana Anderson/Marcus Vinicius Silveira

Um dia, no começo de agosto de 2015, Yara de Paula, residente da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra, no estado brasileiro do Acre, chegou em casa com sua recém-nascida quando o céu já estava cinza com fuligem. Em minutos, o fogo estava a metros de sua casa. Para deter a fumaça, tapou as frestas das janelas e portas com toalhas molhadas, enquanto seu marido continha as chamas com baldes de água. O incêndio felizmente não queimou sua casa, mas, desde então, Yara e sua filha sofrem de bronquite asmática crônica.

Esse incêndio na Amazônia não é um caso isolado. Em junho de 2022, só no estado do Acre foram mapeados 196 km² de áreas queimadas em zonas já desmatadas, um número que vem aumentando nos últimos anos. Incêndios como esses, na Amazônia, têm causado um grande aumento nas admissões hospitalares por problemas respiratórios. De fato, a expectativa de vida, na região oeste da Amazônia, é até três anos menor do que a das pessoas que vivem em outras partes do país, inclusive em comparação com os grandes
centros urbanos.

Além dos problemas de saúde, esses incêndios não só levam à perda da produção agrícola mas também arrasam com mais de 8.000 km² de florestas ao ano, perdendo, assim, uma das maiores capacidades para mitigar as mudanças climáticas: o estoque de carbono na bacia do Amazonas. Ou seja, perde-se a capacidade de armazenar esse gás de efeito estufa.

Mas há também outros impactos: essas florestas são empobrecidas em termos de biodiversidade e não conseguem se recuperar totalmente a longo prazo.

O fogo e o desmatamento estão acabando com a maior floresta tropical do mundo. Isso está acelerando as mudanças climáticas, tornando o clima na região mais seco e quente bem como as florestas mais vulneráveis aos incêndios. Como consequência, cria-se um círculo vicioso, em que as mudanças climáticas tornam as florestas tropicais mais vulneráveis aos incêndios, e o fogo, cada vez mais presente, aumenta as emissões de CO₂, o que implica na piora das mudanças climáticas e do clima local e regional.

Os registros de incêndios na Amazônia batem recordes ano após ano. Entre 1985 e 2020, foram queimados, aproximadamente, 16% do bioma. Em média, são queimados mais de 65.000 km² por ano, na Amazônia brasileira, uma superfície maior do que a da Costa Rica. Ademais, grande parte desses incêndios alcançam as florestas nativas, algo surpreendente, considerando que a Amazônia é formada, em sua maioria, por floresta tropical, onde o fogo, dificilmente, se produziria de forma natural e muito menos se propagaria.

Entretanto, as mudanças climáticas atingiram, com força, a região, e o aumento de temperatura em algumas regiões, como no sudoeste da Amazônia, alcança 2,5ºC durante os meses de estação seca. Na região leste, por outro lado, a chuva diminuiu em mais de 30 %, durante os meses mais secos do ano. Além disso, as secas extremas são cada vez mais frequentes (neste século, elas têm ocorrido a cada cinco anos), fazendo com que áreas maiores de floresta queimem, e a que continua saudável se torne cada vez mais vulnerável aos incêndios.

No passado, o Brasil mostrou que é possível diminuir o desmatamento na Amazônia brasileira, principalmente por meio da implementação, em 2004, do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm). No entanto, também demonstrou que o avanço na agenda ambiental é frágil e muito suscetível ao cenário político.

De fato, os reveses dos últimos anos fizeram com que, em 2021, ocorresse o maior índice de desmatamento na Amazônia brasileira, nos últimos 15 anos.

De todos os impactos negativos, talvez o de maior preocupação seja a contribuição dos incêndios florestais ao aumento de CO₂ na atmosfera, o que tem um impacto direto nas mudanças climáticas. Diferentemente do desmatamento, o fogo não leva necessariamente a mudanças no uso da terra. A floresta pode queimar e permanecer de pé, mas sem as características de uma floresta saudável, emitindo carbono para a atmosfera durante décadas.

Outro efeito é que essas florestas diminuem sua capacidade de bombear água para a atmosfera. Esta é uma parte importante do ciclo hidrológico, já que contribui com a chuva, que é fundamental tanto para as áreas agrícolas do Brasil, do Uruguai e da Argentina, quanto para a geração de energia hidrelétrica. Essa emissão, que não está diretamente associada ao desmatamento, pode representar uma quantidade superior à metade da produzida pelo desmatamento de florestas primárias, durante os anos de seca.

Portanto, a crescente suscetibilidade aos incêndios gerados pelas secas e a projeção de condições futuras mais secas fazem com que as emissões de carbono, na Amazônia, sejam dominadas pelos incêndios florestais. Além disso, uma vez que o meio ambiente se torna mais inflamável, aumenta a probabilidade de os incêndios intencionais (tradicionalmente utilizados de forma controlada pelas comunidades locais) alcançarem as florestas adjacentes.

Mudar essa tendência é fundamental tanto para mitigar as mudanças climáticas como para se adaptar a elas em escala mundial. Mas a busca de soluções deve levar em conta as principais razões que levam ao uso intenso dos incêndios na região: o desmatamento ilegal e a manutenção dos pastos. Por isso, investir em recursos para promover alternativas ao uso do fogo na agricultura é fundamental para prevenir os incêndios florestais na Amazônia.

Estima-se que, em média, um terço da área total queimada, anualmente, na Amazônia, corresponde a áreas agrícolas. Na Amazônia brasileira, a grande maioria das áreas agrícolas correspondem a zonas de pastos manejadas com baixa tecnologia e conhecimentos técnicos, o que significa que o fogo é, frequentemente, utilizado para a renovação dos pastos degradados e, com isso, os riscos de incêndios florestais aumentam.

No Brasil, o uso do fogo na agricultura é proibido por lei, salvo nos casos de agricultura de subsistência, e requer a aprovação do órgão ambiental. Em 2020, apesar de o governo ter estabelecido um decreto que proibia a sua autorização pelas agências durante 120 dias, os incêndios se mantiveram nos altos níveis de 2019. Isso demonstra que o uso do fogo na região é, majoritariamente, ilegal e recebe pouca supervisão. Portanto, a luta contra a ilegalidade deve ser alinhada com a ampliação da assistência aos produtores rurais para fomentar práticas sustentáveis que aumentem a produtividade a fim de substituir o uso do fogo.

O Brasil deve adotar medidas urgentes para romper o círculo vicioso em que o fogo está transformando o entorno em seu próprio combustível. As repercussões socioeconômicas e ambientais dos incêndios florestais são amplas, e, portanto, não modificar essa situação supõe ir de encontro ao que se espera de uma nação comprometida com o desenvolvimento sustentável.

Disponível em: <https ://www1.folha.uol.com.br /colunas >. ( acesso: 21/10/2022) [Adaptado]

No quinto parágrafo, a ideia central encontra-se

 

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3743294 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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A partícula se foi empregada como recurso para indeterminar o sujeito em:

 

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3743293 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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O registro de linguagem dominante no texto é

 

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3743292 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Considerando-se a progressão temática, o 6º parágrafo estabelece com o 5º parágrafo uma relação de

 

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3743291 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Há duas palavras que, se retirado o acento gráfico, mudam de classe gramatical em

 

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3743290 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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A oração cujo elemento linguístico estabelece relação de finalidade entre as informações é:

 

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3743289 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Para responde à questão, considere o período reproduzido abaixo.

Em 2020, apesar de o governo ter estabelecido um decreto que proibia a sua autorização pelas agências durante 120 dias, os incêndios se mantiveram nos altos níveis de 2019.

A segunda oração mantém relação de

 

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3743288 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Para responde à questão, considere o período reproduzido abaixo.

Em 2020, apesar de o governo ter estabelecido um decreto que proibia a sua autorização pelas agências durante 120 dias, os incêndios se mantiveram nos altos níveis de 2019.

A palavra em destaque é classificada, nesse contexto linguístico, como

 

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3743287 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Para responde à questão, considere o período reproduzido abaixo.

Em 2020, apesar de o governo ter estabelecido um decreto que proibia a sua autorização pelas agências durante 120 dias, os incêndios se mantiveram nos altos níveis de 2019.

A primeira oração mantém, com a informação principal do período, relação semântica de

 

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3743286 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: CBM-RN
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Para responde à questão, considere o período reproduzido abaixo.

Em 2020, apesar de o governo ter estabelecido um decreto que proibia a sua autorização pelas agências durante 120 dias, os incêndios se mantiveram nos altos níveis de 2019.

Sobre as vírgulas presentes no período, é correto afirmar que

 

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