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Texto
TIM TIM
Luis Fernando Veríssimo
Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Moedas sonantes e ressonantes.
Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br, acessado em 20 de março de 2010
O termo SE, sublinhado nas palavras abaixo, exerce a mesma função, EXCETO em
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TIM TIM
Luis Fernando Veríssimo
Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Moedas sonantes e ressonantes.
Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
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Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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“E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos.”
Da leitura do trecho acima, podemos inferir que o (a)
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Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Moedas sonantes e ressonantes.
Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
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Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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É INCORRETO afirmar que, na construção do texto, o autor
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Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Pela leitura do texto, percebe-se que, entre o último parágrafo e os parágrafos anteriores, há uma relação de
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Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Da leitura do último parágrafo, conclui-se que o autor
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Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Leia abaixo o folder da Campanha da Fraternidade de 2010.

A passagem do texto Tim tim que melhor dialoga com o lema da campanha é:
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TIM TIM
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Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Moedas sonantes e ressonantes.
Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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A palavra em destaque está corretamente interpretada em
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Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Há uma relação de sentido entre as palavras
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TIM TIM
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Não se veem mais patacas e dobrões, a não ser em filme de pirata. Moedas de encher algibeiras e baús e pesar no bolso. Moedas sonantes e ressonantes.
Uma vez fui investigar a origem da expressão “tim tim por tim tim” e não encontrei nenhuma raiz grega ou tupi-guarani. “Tim” era apenas a reprodução onomatopéica do barulho que fazia uma moeda batendo na outra. O som de metal contra metal. Pagar alguém era colocar moedas na sua mão, e o ruído de um metal sobre o outro – tim, tim, tim, tim – era o registro de uma transação bem saldada, de algo trocado pelo seu valor em ouro ou prata, com todos tins devidos. As moedas não representavam outra coisa, as moedas eram o dinheiro – soavam como dinheiro. Depois veio o papel moeda que tecnicamente não é dinheiro, é uma vaga promessa de algum dia se transformar em ouro ou prata, e começamos nosso afastamento tim tim. Culminando com as vastas somas virtuais que hoje cruzam os céus de computador para computador, em silêncio.
Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Pela leitura do texto, concluímos que o nosso afastamento do tim tim significa a
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Ganhamos o dinheiro asséptico, intocado por mãos humanas, mas perdemos a onomatopéia.
Cartões de crédito, por exemplo. Nada numa transação com cartão de crédito evoca um sonoro pagamento com patacões. O cartão de crédito substitui o papel moeda, que por sua vez é uma representação da moeda mesmo, e assim é quase a sombra de uma sombra. E sombras não fazem barulho. Ouve-se apenas o “suish” do cartão sendo passado na maquininha. Não surpreende que, na falta do tim tim, as pessoas se esqueçam de que o cartão de crédito também não é dinheiro, é apenas uma promessa de pagamento futuro, uma presunção de que haverá ouro para cobri-lo. E se o pressuposto pagador não é nem quem usou o cartão, é a firma, o governo, o tesouro nacional ou qualquer outra entidade tão remota que parece etérea, compreendem-se os abusos. Faltou autocontrole diante da tentação, faltaram supervisão e regras claras, faltou inteligência. Mas, acima de tudo, faltou o tim tim.
***
Há alguns dias, conheci a minha neta. Antigamente só se tinha este prazer depois da criança nascer. Não se sabia nem de que sexo seria. Hoje, com a ecografia, fica-se sabendo tudo. Já vi o seu rosto, o movimento da sua boca – e juro que ela botou a língua! Talvez contrariada com aquela invasão da sua privacidade pré-natal. E mais não conto em respeito a meus ex-companheiros do Movimento dos Sem Neto. Não quero humilhar o Scliar.
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Pode-se afirmar que o texto tem como objetivo
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