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Foram encontradas 849 questões.

146401 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146401-1
No trecho do Texto II “Vagamos sem rumo / Nós almas penadas / Do mundo do consumo” (L. 2-4), comprova-se que o autor se insere na sociedade consumista que ele critica, utilizando recursos específicos, que são
 

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146400 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146400-1
Para evitar a ambiguidade do verbo poder no trecho “O homem sempre contou histórias antes mesmo de poder escrevê-las” (L. 13-14), esse verbo deve ser substituído por
 

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146399 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Escrever é fácil?

Para estimular crianças e jovens a escrever, há

quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o

que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,

este estímulo é deveras desestimulante.

Há boas explicações para o desestímulo: se a

pessoa não consegue escrever, convencê-la de que

escrever é fácil na verdade a convence apenas da

sua própria incompetência, a convence apenas de

que ela nunca vai conseguir escrever direito; não

se escreve pondo no papel o que está na cabeça,

sob pena de ninguém entender nada; quem escreve

profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,

nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não

ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo

frases e fórmulas.

Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona

para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não

funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,

tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso

próprio pensamento, precisamos expressá-lo para

outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento

segundo um código comum e então, finalmente, o

entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o

jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães

Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.

Todo professor conhece este segredo: você

entende melhor o seu assunto depois de dar sua

aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu

tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,

aumento exponencialmente a minha compreensão

a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e

até de estupor dos alunos, refino minhas explicações

e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria

dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de

profissão, gosto muito de dar aula, principalmente

porque ensinar ainda é o melhor método de estudar

e compreender.

Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a

um grupo de alunos que não conheço, pelo menos

no começo dos meus cursos, quem escreve o faz

para ser lido por leitores que ele potencialmente não

conhece e que também não o conhecem. Mesmo

ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando

um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,

ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro

e do leitor para entender a mim mesmo e, em última

análise, para ser e saber quem sou.

Exatamente porque esta relação com o outro,

aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente

um frio na espinha quando encontra uma nova turma,

não importa há quantos anos exerça o magistério.

Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até

começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou

vagando pela internet, não importa quantos livros já

tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno

não quer que ninguém leia sua redação enquanto a

escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha

de redações na mesa do professor, não importa se

suas notas são boas ou não na matéria.

Escrever definitivamente não é fácil, porque nos

expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem

escreve sente de repente todas as suas hesitações,

lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio

pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa

pensar. Quem escreve de repente entende o quanto

a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o

quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:

se reescrever.

BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.

O uso do sinal de dois-pontos tem o objetivo de introduzir uma citação em:
 

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146398 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146398-1
A frase em que se reescreve o trecho retirado do Texto II “A partir de metodologias próprias, o museu capta, organiza e edita conteúdos disseminados em publicações” (L. 12-14), mantendo as mesmas relações semânticas, é:
 

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146397 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Escrever é fácil?

Para estimular crianças e jovens a escrever, há

quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o

que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,

este estímulo é deveras desestimulante.

Há boas explicações para o desestímulo: se a

pessoa não consegue escrever, convencê-la de que

escrever é fácil na verdade a convence apenas da

sua própria incompetência, a convence apenas de

que ela nunca vai conseguir escrever direito; não

se escreve pondo no papel o que está na cabeça,

sob pena de ninguém entender nada; quem escreve

profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,

nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não

ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo

frases e fórmulas.

Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona

para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não

funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,

tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso

próprio pensamento, precisamos expressá-lo para

outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento

segundo um código comum e então, finalmente, o

entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o

jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães

Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.

Todo professor conhece este segredo: você

entende melhor o seu assunto depois de dar sua

aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu

tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,

aumento exponencialmente a minha compreensão

a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e

até de estupor dos alunos, refino minhas explicações

e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria

dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de

profissão, gosto muito de dar aula, principalmente

porque ensinar ainda é o melhor método de estudar

e compreender.

Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a

um grupo de alunos que não conheço, pelo menos

no começo dos meus cursos, quem escreve o faz

para ser lido por leitores que ele potencialmente não

conhece e que também não o conhecem. Mesmo

ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando

um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,

ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro

e do leitor para entender a mim mesmo e, em última

análise, para ser e saber quem sou.

Exatamente porque esta relação com o outro,

aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente

um frio na espinha quando encontra uma nova turma,

não importa há quantos anos exerça o magistério.

Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até

começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou

vagando pela internet, não importa quantos livros já

tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno

não quer que ninguém leia sua redação enquanto a

escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha

de redações na mesa do professor, não importa se

suas notas são boas ou não na matéria.

Escrever definitivamente não é fácil, porque nos

expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem

escreve sente de repente todas as suas hesitações,

lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio

pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa

pensar. Quem escreve de repente entende o quanto

a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o

quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:

se reescrever.

BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.

Considerando as ideias desenvolvidas no texto, observa- se uma visão negativa do autor sobre certo comportamento quando ele emprega a palavra que está destacada no seguinte trecho:
 

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146396 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146396-1
No Texto II, o autor faz uma crítica à sociedade de consumo, que cultua o comprar, o consumismo, em busca da satisfação nunca alcançada, resultando em uma espera indefinida e por tempo indeterminado.

O trecho que comprova essa afirmação é:
 

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146395 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Escrever é fácil?

Para estimular crianças e jovens a escrever, há

quem diga que escrever é fácil: basta pôr no papel o

que está na cabeça. Na maioria das vezes, porém,

este estímulo é deveras desestimulante.

Há boas explicações para o desestímulo: se a

pessoa não consegue escrever, convencê-la de que

escrever é fácil na verdade a convence apenas da

sua própria incompetência, a convence apenas de

que ela nunca vai conseguir escrever direito; não

se escreve pondo no papel o que está na cabeça,

sob pena de ninguém entender nada; quem escreve

profissionalmente nunca acha que escrever é fácil,

nem mesmo quando escreve há muito tempo — a não

ser que já escreva mecanicamente, apenas repetindo

frases e fórmulas.

Via de regra, nosso pensamento é caótico: funciona

para alimentar nossas decisões cotidianas, mas não

funciona se for expresso, em voz alta ou por escrito,

tal qual se encontra na cabeça. Para entender o nosso

próprio pensamento, precisamos expressá-lo para

outra pessoa. Ao fazê-lo, organizamos o pensamento

segundo um código comum e então, finalmente, o

entendemos, isto é, nos entendemos. Não à toa o

jagunço Riobaldo, personagem do escritor Guimarães

Rosa, dizia: professor é aquele que de repente aprende.

Todo professor conhece este segredo: você

entende melhor o seu assunto depois de dar sua

aula sobre ele, e não antes. Ao falar sobre o meu

tema, tentando explicá-lo a quem o conhece pouco,

aumento exponencialmente a minha compreensão

a respeito. Motivado pelas expressões de dúvida e

até de estupor dos alunos, refino minhas explicações

e, ao fazê-lo, entendo bem melhor o que queria

dizer. Costumo dizer que, passados tantos anos de

profissão, gosto muito de dar aula, principalmente

porque ensinar ainda é o melhor método de estudar

e compreender.

Ora, do mesmo jeito que ensino me dirigindo a

um grupo de alunos que não conheço, pelo menos

no começo dos meus cursos, quem escreve o faz

para ser lido por leitores que ele potencialmente não

conhece e que também não o conhecem. Mesmo

ao escrever um diário secreto, faço-o imaginando

um leitor futuro: ou eu mesmo daqui a alguns anos,

ou quem sabe a posteridade. Logo, preciso do outro

e do leitor para entender a mim mesmo e, em última

análise, para ser e saber quem sou.

Exatamente porque esta relação com o outro,

aluno ou leitor, é tão fundamental, todo professor sente

um frio na espinha quando encontra uma nova turma,

não importa há quantos anos exerça o magistério.

Pela mesma razão, todo escritor fica “enrolando” até

começar um texto novo, arrumando a escrivaninha ou

vagando pela internet, não importa quantos livros já

tenha publicado. Pela mesmíssima razão, todo aluno

não quer que ninguém leia sua redação enquanto a

escreve ou faz questão de colocá-la debaixo da pilha

de redações na mesa do professor, não importa se

suas notas são boas ou não na matéria.

Escrever definitivamente não é fácil, porque nos

expõe no momento mesmo de fazê-lo. [...] Quem

escreve sente de repente todas as suas hesitações,

lacunas e omissões, percebendo como o seu próprio

pensamento é incompleto e o quanto ainda precisa

pensar. Quem escreve de repente entende o quanto

a sua própria pessoa é incompleta e fraturada, o

quanto ainda precisa se refazer, se inventar, enfim:

se reescrever.

BERNARDO, G. Conversas com um professor de literatura. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Adaptado.

Em “este estímulo é deveras desestimulante.” (L. 4), a palavra em destaque expressa ideia de
 

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146394 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Texto I

Quando o porteiro do Hotel Novo Mundo me entregou o embrulho, mesmo depois de reconhecer a letra do pai, não tive hesitação em segurá-lo como se fosse encomenda banal,(a) um pacote contendo um livro, originais de algum autor que desejava opinião, recortes de jornais.

Pela flacidez,(b) só podia ser coisa parecida. Mas o embrulho estava bem-feito, revelava meticulosidade nos pormenores,(c) nas dobras do papel que se fechavam para trás, no acerto das pontas, na eficiência do barbante. Tudo isso mais a evidência(d) da letra, da tinta roxa levaram-me a outros pacotes e embrulhos que havia recebido no passado, todos feitos, amarrados e enviados pelo pai.

E havia sobretudo o nó. Depois de tanto contemplá-lo à distância, com receio de tocá-lo, dele me aproximei não mais para lhe sentir o cheiro — ou os cheiros — mas para admirar o nó perfeito, justo, obra de arte de que só o pai era capaz.

Parece exagero louvar um nó, mas o pai era o primeiro a se vangloriar da arte de dar um nó. Lá está ele, bem no centro do embrulho, simétrico, sem uma laçada a mais ou a menos. Por experiências(e) anteriores, sei que será impossível desatá-lo, como se fosse um nó qualquer. Precisarei de tesoura, de canivete, de faca. Ele só poderá ser cortado, jamais desfeito: assim era o nó que Ernesto Cony Filho, o pai, sabia e gostava de dar.

Ele se jactava de ter aprendido aquele tipo de nó nos tempos em que fora escoteiro — embora nunca tenha sido escoteiro. Foi fase passageira em sua imaginação, atribuía diversas habilidades que aprendera vida afora a tempos e funções inexistentes. Depois, sem que nada houvesse acontecido para mudar de opinião, esqueceu esta referência a um passado imaginário e adotou outra versão — igualmente improvável.

Passou a atribuir essas habilidades a outras circunstâncias e pessoas. No que dizia respeito ao nó, a versão escoteira foi transformada numa história meio enrolada: ele conhecera um marinheiro holandês no bar do Zica, na praça Mauá, no térreo do edifício de A Noite, reduto de uma certa boemia dos anos 30 e 40.

CONY, C. H. Quase memória: quase-romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 39-40. Adaptado.

No Texto I, a significação da palavra “meticulosidade” apresenta pontos comuns basicamente com

 

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O trecho inicial de uma crônica de Fernando Sabino diz:

Quando dois candidatos disputavam uma vaga de Senador pelo Maranhão, foi sugerido o nome de um terceiro, como solução conciliatória: o professor Jubileu de Almeida.

SABINO, F. Livro Aberto. Rio de Janeiro: Record, 2001, p. 204.


O texto se refere a um fato já ocorrido, mas se for necessário reescrevê-lo considerando que o fato ainda vai ocorrer, qual será a nova redação?
 

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146392 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ

O dia: 28 de novembro de 1995. A hora: aproxi-

madamente vinte, talvez quinze para a uma da tarde.

O local: a recepção do Hotel Novo Mundo, aqui ao

lado, no Flamengo.

Acabara de almoçar com minha secretária e al-

guns amigos, descêramos a escada em curva que

leva do restaurante ao hall da recepção. Pelo menos

uma ou duas vezes por semana cumpro esse itine-

rário e, pelo que me lembre, nada de especial me

acontece nessa hora e nesse lugar. É, em todos os

sentidos, uma passagem.

Não cheguei a ouvir o meu nome. Foi a se-

cretária que me avisou: um dos porteiros, de cabelos

brancos, óculos de aros grossos, queria falar comigo.

E sabia o meu nome — eu que nunca fora hóspede

do hotel, apenas um frequentador mais ou menos re-

gular do restaurante que é aberto a todos.

Aproximei-me do balcão, duvidando que real-

mente me tivessem chamado. Ainda mais pelo nome:

não haveria uma hipótese passável para que soubes-

sem meu nome.

— Sim ...

O porteiro tirou os óculos, abriu uma gaveta em-

baixo do balcão e de lá retirou o embrulho, que pare-

cia um envelope médio, gordo, amarrado por barban-

te ordinário.

— Um hóspede esteve aqui no último fim de se-

mana, perguntou se nós o conhecíamos, pediu que

lhe entregássemos este envelope ...

— Sim ... sim ...

Eu não sabia se examinava o envelope ou a cara

do porteiro. Nada fizera para que ele soubesse meu

nome, para que pudesse dizer a alguém que me co-

nhecia. O fato de duas ou três vezes por semana eu

almoçar no restaurante do hotel não lhe daria esse

direito. [...]

Passou-me o envelope, que era, à primeira vista

e ao primeiro contato, aquilo que eu desconfiava: os

originais de um livro, contos, romance ou poesias, tal-

vez história ou ensaio.

— Está certo ... não terei de agradecer... a menos

que o nome e o endereço do interessado estejam...

Foi então que olhei bem o embrulho. A princípio

apenas suspeitei. E ficaria na suspeita se não hou-

vesse certeza. Uma das faces estava subscritada,

meu nome em letras grandes e a informação logo

embaixo, sublinhada pelo traço inconfundível: “Para

o jornalista Carlos Heitor Cony. Em mão”.

Era a letra do meu pai. A letra e o modo. Tudo no

embrulho o revelava, inteiro, total. Só ele faria aque-

las dobras no papel, só ele daria aquele nó no bar-

bante ordinário, só ele escreveria meu nome daquela

maneira, acrescentando a função que também fora a

sua. Sobretudo, só ele destacaria o fato de alguém

ter se prestado a me trazer aquele embrulho. Ele de-

testava o correio normal, mas se alguém o avisava

que ia a algum lugar, logo encontrava um motivo para

mandar alguma coisa a alguém por intermédio do

portador. [...]

Recente, feito e amarrado há pouco, tudo no en-

velope o revelava: ele, o pai inteiro, com suas manias

e cheiros.

Apenas uma coisa não fazia sentido. Estáva-

mos — como já disse — em novembro de 1995. E o

pai morrera, aos noventa e um anos, no dia 14 de

janeiro de 1985.

CONY, C. H. Quase Memória: quase-romance. São Paulo: Companhia das Letras. 2001. p. 9-11.

A informação contida no trecho “só ele destacaria o fato de alguém ter se prestado a me trazer aquele embrulho” (l. 54-55) é corroborada por que passagem?
 

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