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O controle exercido sobre a administração pública tem por finalidade assegurar que a sua atuação ocorra em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, podendo o administrado utilizar-se dos vários tipos de ações previstos na legislação ordinária, para impugnar os atos respectivos. Considerando esse contexto, assinale a alternativa correta quanto à medida judicial que visa anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
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Com relação às sociedades de economia mista e às empresas públicas, integrantes da administração pública indireta e que exploram atividade econômica, é correto afirmar que
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A atividade do Estado consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público constitui poder
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Disciplina: Administração Financeira e Orçamentária
Banca: FUNIVERSA
Orgão: CENSIPAM
No que se refere ao orçamento da União, a Constituição Federal prescreve as seguintes atividades: I – dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; e, II – estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a instituição e o funcionamento de fundos. Essas atividades serão disciplinadas por meio de
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Gostaria que meus filhos descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo. Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.
Considerem, filhos, que, nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha ― e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele ― a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda.
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida, a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove ― e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta. Os filhotes, com sua doçura cativante e frágil, são também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, em curto, médio ou longo prazo, toda forma de existência vive ao relento. Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar. Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar, uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, poupa-nos da condição de presas.
Em compensação, somos os piores predadores de nós mesmos. Mas desfrutamos a bênção de, bem ou mal, compreender o mundo que nos cerca. E a de, mesmo que aos trancos e barrancos, evoluir. Um dia tenho certeza de que vocês perceberão quanta grandeza e quanta miséria resultam dessa nossa supremacia biológica. Nada disso, porém, desvia-nos do próprio destino. Um dia, como tudo, feito uma bandeirinha que o vento faz desprender de seu mastro, também nós passaremos.
Espero que, sempre que defrontarem com essa verdade, vocês sigam em frente. Tenham em mente que, cedo ou tarde, o tempo dissipa até a mais entranhada tristeza. Por isso, filhos, não se entreguem jamais à amargura. Como tudo, a dor que os colher também passará.
Aliás, filhos, a cada oportunidade que tiverem, agradeçam. A cada manhã que despertarem, pensem no fato de que todas as suas moléculas permanecem agrupadas. Que as células de seus corpos continuam funcionando como devem. Agradeçam, rapazes. Brindem por esse milagre cotidiano. Cada dia é uma dádiva ― e saber vivê-lo sem lentidão nem pressa é uma arte valiosa.
E nunca se considerem imunes a nada. Tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível. Alegrias extremas. As dores mais lancinantes. Agradeçam aquilo que o destino lhes reservar. Os bons momentos alegram a alma. Os ruins ajudam a lapidá-la. Ambos um dia acabam ficando para trás e cada qual traz as próprias lições. Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.
Meus amados: vivam atentos ao que diz o coração. Ele conhece os caminhos, mesmo que desconheça o destino. Bebam do riozinho de suas vidas sem medo. Como tudo, montanhas, impérios, nosso planeta, suas águas um dia também passarão. Mas o que importa é que, agora, neste momento, elas correm bem diante de seus olhos abertos. São suas. Estão ali para que vocês, todo santo dia, possam saciar a sede. Bebam da existência, meus filhos. E, sempre que a barra da vida pesar, lembrem-se, por favor, das estrelas que já se apagaram. Reparem como elas ainda brilham no céu.
José Ruy Gandra. Como ter conversas difíceis com seus filhos. In: Cláudia. São Paulo: Abril Cultural, ago./2011, p. 138 (com adaptações).
Assinale a alternativa em que a reescrita preserva o sentido original e a correção gramatical da sequência selecionada: “Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.”
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Gostaria que meus filhos descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo(a). Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.
Considerem, filhos, que, nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha ― e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele ― a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda(b).
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida, a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove ― e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta. Os filhotes, com sua doçura cativante e frágil, são também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, em curto, médio ou longo prazo, toda forma de existência vive ao relento. Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar(c). Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar, uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, poupa-nos da condição de presas.
Em compensação, somos os piores predadores de nós mesmos. Mas desfrutamos a bênção de, bem ou mal, compreender o mundo que nos cerca. E a de, mesmo que aos trancos e barrancos, evoluir. Um dia tenho certeza de que vocês perceberão quanta grandeza e quanta miséria resultam dessa nossa supremacia biológica. Nada disso, porém, desvia-nos do próprio destino. Um dia, como tudo(d), feito uma bandeirinha que o vento faz desprender de seu mastro, também nós passaremos.
Espero que, sempre que defrontarem com essa verdade, vocês sigam em frente. Tenham em mente que, cedo ou tarde, o tempo dissipa até a mais entranhada tristeza. Por isso, filhos, não se entreguem jamais à amargura(e). Como tudo, a dor que os colher também passará.
Aliás, filhos, a cada oportunidade que tiverem, agradeçam. A cada manhã que despertarem, pensem no fato de que todas as suas moléculas permanecem agrupadas. Que as células de seus corpos continuam funcionando como devem. Agradeçam, rapazes. Brindem por esse milagre cotidiano. Cada dia é uma dádiva ― e saber vivê-lo sem lentidão nem pressa é uma arte valiosa.
E nunca se considerem imunes a nada. Tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível. Alegrias extremas. As dores mais lancinantes. Agradeçam aquilo que o destino lhes reservar. Os bons momentos alegram a alma. Os ruins ajudam a lapidá-la. Ambos um dia acabam ficando para trás e cada qual traz as próprias lições. Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.
Meus amados: vivam atentos ao que diz o coração. Ele conhece os caminhos, mesmo que desconheça o destino. Bebam do riozinho de suas vidas sem medo. Como tudo, montanhas, impérios, nosso planeta, suas águas um dia também passarão. Mas o que importa é que, agora, neste momento, elas correm bem diante de seus olhos abertos. São suas. Estão ali para que vocês, todo santo dia, possam saciar a sede. Bebam da existência, meus filhos. E, sempre que a barra da vida pesar, lembrem-se, por favor, das estrelas que já se apagaram. Reparem como elas ainda brilham no céu.
José Ruy Gandra. Como ter conversas difíceis com seus filhos. In: Cláudia. São Paulo: Abril Cultural, ago./2011, p. 138 (com adaptações).
Assinale a alternativa em que a reescrita de fragmento do texto preserva o sentido original e a correção gramatical.
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Gostaria que meus filhos descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo. Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.(a)
Considerem, filhos, que, nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha(b) ― e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele ― a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda.
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida(c), a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove ― e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta. Os filhotes, com sua doçura cativante e frágil, são também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, em curto, médio ou longo prazo, toda forma de existência vive ao relento. Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar. Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber(d) quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar, uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, poupa-nos da condição de presas.
Em compensação, somos os piores predadores de nós mesmos. Mas desfrutamos a bênção de, bem ou mal, compreender o mundo que nos cerca. E a de, mesmo que aos trancos e barrancos, evoluir. Um dia tenho certeza de que vocês perceberão quanta grandeza e quanta miséria resultam dessa nossa supremacia biológica. Nada disso, porém, desvia-nos do próprio destino. Um dia, como tudo, feito uma bandeirinha que o vento faz desprender de seu mastro, também nós passaremos.
Espero que, sempre que defrontarem com essa verdade, vocês sigam em frente. Tenham em mente que, cedo ou tarde, o tempo dissipa até a mais entranhada tristeza. Por isso, filhos, não se entreguem jamais à amargura. Como tudo, a dor que os colher também passará.
Aliás, filhos, a cada oportunidade que tiverem, agradeçam. A cada manhã que despertarem, pensem no fato de que todas as suas moléculas permanecem agrupadas. Que as células de seus corpos continuam funcionando como devem. Agradeçam, rapazes. Brindem por esse milagre cotidiano. Cada dia é uma dádiva(e) ― e saber vivê-lo sem lentidão nem pressa é uma arte valiosa.
E nunca se considerem imunes a nada. Tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível. Alegrias extremas. As dores mais lancinantes. Agradeçam aquilo que o destino lhes reservar. Os bons momentos alegram a alma. Os ruins ajudam a lapidá-la. Ambos um dia acabam ficando para trás e cada qual traz as próprias lições. Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.
Meus amados: vivam atentos ao que diz o coração. Ele conhece os caminhos, mesmo que desconheça o destino. Bebam do riozinho de suas vidas sem medo. Como tudo, montanhas, impérios, nosso planeta, suas águas um dia também passarão. Mas o que importa é que, agora, neste momento, elas correm bem diante de seus olhos abertos. São suas. Estão ali para que vocês, todo santo dia, possam saciar a sede. Bebam da existência, meus filhos. E, sempre que a barra da vida pesar, lembrem-se, por favor, das estrelas que já se apagaram. Reparem como elas ainda brilham no céu.
José Ruy Gandra. Como ter conversas difíceis com seus filhos. In: Cláudia. São Paulo: Abril Cultural, ago./2011, p. 138 (com adaptações).
A construção preservaria o sentido original e a correção gramatical, caso fosse substituído o trecho
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Gostaria que meus filhos descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo(a). Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.
Considerem, filhos, que, nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha ― e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele ― a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda.
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida, a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove ― e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta(b). Os filhotes, com sua doçura cativante e frágil, são também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, em curto, médio ou longo prazo, toda forma de existência vive ao relento(c). Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar. Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar(d), uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, poupa-nos da condição de presas.
Em compensação, somos os piores predadores de nós mesmos. Mas desfrutamos a bênção de, bem ou mal, compreender o mundo que nos cerca. E a de, mesmo que aos trancos e barrancos, evoluir. Um dia tenho certeza de que vocês perceberão quanta grandeza e quanta miséria resultam dessa nossa supremacia biológica. Nada disso, porém, desvia-nos do próprio destino. Um dia, como tudo, feito uma bandeirinha que o vento faz desprender de seu mastro, também nós passaremos.
Espero que, sempre que defrontarem com essa verdade, vocês sigam em frente. Tenham em mente que, cedo ou tarde, o tempo dissipa até a mais entranhada tristeza. Por isso, filhos, não se entreguem jamais à amargura. Como tudo, a dor que os colher também passará.
Aliás, filhos, a cada oportunidade que tiverem, agradeçam. A cada manhã que despertarem, pensem no fato de que todas as suas moléculas permanecem agrupadas(e). Que as células de seus corpos continuam funcionando como devem. Agradeçam, rapazes. Brindem por esse milagre cotidiano. Cada dia é uma dádiva ― e saber vivê-lo sem lentidão nem pressa é uma arte valiosa.
E nunca se considerem imunes a nada. Tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível. Alegrias extremas. As dores mais lancinantes. Agradeçam aquilo que o destino lhes reservar. Os bons momentos alegram a alma. Os ruins ajudam a lapidá-la. Ambos um dia acabam ficando para trás e cada qual traz as próprias lições. Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.
Meus amados: vivam atentos ao que diz o coração. Ele conhece os caminhos, mesmo que desconheça o destino. Bebam do riozinho de suas vidas sem medo. Como tudo, montanhas, impérios, nosso planeta, suas águas um dia também passarão. Mas o que importa é que, agora, neste momento, elas correm bem diante de seus olhos abertos. São suas. Estão ali para que vocês, todo santo dia, possam saciar a sede. Bebam da existência, meus filhos. E, sempre que a barra da vida pesar, lembrem-se, por favor, das estrelas que já se apagaram. Reparem como elas ainda brilham no céu.
José Ruy Gandra. Como ter conversas difíceis com seus filhos. In: Cláudia. São Paulo: Abril Cultural, ago./2011, p. 138 (com adaptações).
A passagem do texto que justifica a expressão “nossa supremacia biológica” (linha 36) é
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Gostaria que meus filhos descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo. Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.
Considerem, filhos, que, nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha ― e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele ― a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda.
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida, a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove ― e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta. Os filhotes, com sua doçura cativante e frágil, são também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, em curto, médio ou longo prazo, toda forma de existência vive ao relento. Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar. Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar, uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, poupa-nos da condição de presas.
Em compensação, somos os piores predadores de nós mesmos. Mas desfrutamos a bênção de, bem ou mal, compreender o mundo que nos cerca. E a de, mesmo que aos trancos e barrancos, evoluir. Um dia tenho certeza de que vocês perceberão quanta grandeza e quanta miséria resultam dessa nossa supremacia biológica. Nada disso, porém, desvia-nos do próprio destino. Um dia, como tudo, feito uma bandeirinha que o vento faz desprender de seu mastro, também nós passaremos.
Espero que, sempre que defrontarem com essa verdade, vocês sigam em frente. Tenham em mente que, cedo ou tarde, o tempo dissipa até a mais entranhada tristeza. Por isso, filhos, não se entreguem jamais à amargura. Como tudo, a dor que os colher também passará.
Aliás, filhos, a cada oportunidade que tiverem, agradeçam. A cada manhã que despertarem, pensem no fato de que todas as suas moléculas permanecem agrupadas. Que as células de seus corpos continuam funcionando como devem. Agradeçam, rapazes. Brindem por esse milagre cotidiano. Cada dia é uma dádiva ― e saber vivê-lo sem lentidão nem pressa é uma arte valiosa.
E nunca se considerem imunes a nada. Tudo, absolutamente tudo nesta vida é possível. Alegrias extremas. As dores mais lancinantes. Agradeçam aquilo que o destino lhes reservar. Os bons momentos alegram a alma. Os ruins ajudam a lapidá-la. Ambos um dia acabam ficando para trás e cada qual traz as próprias lições. Persigam sempre o discernimento. É ele que lhes permitirá essa fotossíntese renovadora que transforma lágrimas em risos. E em luz, a obscuridade.
Meus amados: vivam atentos ao que diz o coração. Ele conhece os caminhos, mesmo que desconheça o destino. Bebam do riozinho de suas vidas sem medo. Como tudo, montanhas, impérios, nosso planeta, suas águas um dia também passarão. Mas o que importa é que, agora, neste momento, elas correm bem diante de seus olhos abertos. São suas. Estão ali para que vocês, todo santo dia, possam saciar a sede. Bebam da existência, meus filhos. E, sempre que a barra da vida pesar, lembrem-se, por favor, das estrelas que já se apagaram. Reparem como elas ainda brilham no céu.
José Ruy Gandra. Como ter conversas difíceis com seus filhos. In: Cláudia. São Paulo: Abril Cultural, ago./2011, p. 138 (com adaptações).
Assinale a alternativa que interpreta adequadamente ideias do texto.
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O que se opõe à nossa cultura de excessos e complicações é a vivência da simplicidade, a mais humana de todas as virtudes, presente em todas as demais.
A simplicidade exige uma atitude de anticultura, pois vivemos enredados em todo tipo de produtos e de propagandas. A simplicidade desperta-nos para viver consoante nossas necessidades básicas. Se todos perseguissem esse preceito, a Terra seria suficiente para todos. Bem dizia Gandhi: “Temos de aprender a viver mais simplesmente para que os outros simplesmente possam viver”.
A simplicidade sempre foi criadora de excelência espiritual e de liberdade interior, sempre foi o apanágio de todos os sábios e santos. De fato, extremamente simples eram Buda, Jesus, Francisco de Assis e Gandhi, entre outros.
Como hoje tocamos já nos limites da Terra, se quisermos continuar a viver sobre ela, precisamos seguir o evangelho da ecossimplicidade, bem resumida nos três “erres” propostos pela Carta da Terra: “reduzir, reutilizar e reciclar” tudo o que usamos e consumimos.
Trata-se de fazer uma opção pela simplicidade voluntária, que é um verdadeiro caminho espiritual. A fé faz-nos entender que nosso trabalho, por simples que seja, é incorporado ao trabalho do Criador, que em cada momento ativa as energias que produzem o processo de evolução.
A esperança assegura-nos que, se as coisas tiveram futuro no passado, continuarão a ter no presente.
A ecossimplicidade faz-nos descobrir o amor como a grande força unitiva do universo. Esse amor faz que todos os seres convivam e complementem-se. Na modernidade, nós nos imaginávamos o sujeito do pensamento; e a Terra, o seu objeto. A nova cosmologia afirma-nos que a Terra é o grande sujeito vivo que por nosso intermédio sente, ama, pensa, cuida e venera.
Ao sentirmo-nos Terra, vivemos uma experiência de não dualidade, que é expressão de uma radical simplicidade. Algo da montanha, do mar, do ar, da árvore, do animal, do outro e de Deus está em nós. Formamos o grande Todo.
Uma história moderna dá corpo a essas reflexões. Certa feita, um jovem iniciante na ecossimplicidade foi visitado, em sonho, pelo Cristo ressuscitado e cósmico. Este o convidou para caminharem juntos pelo jardim. Depois de andarem por longo tempo, observando, encantados, a luz que se filtrava por entre as folhas, perguntou o jovem: “Senhor, quando andavas pelos caminhos da Palestina, disseste, certa feita, que voltarias um dia com toda a tua pompa e com toda a tua glória. Está demorando tanto essa tua volta! Quando, finalmente, retornarás, de verdade, Senhor?”. Depois de momentos de silêncio que pareciam uma eternidade, o Senhor respondeu:
― Meu irmão, quando, para ti, minha presença no universo e na natureza for tão evidente quanto a luz que ilumina este jardim; quando minha presença sob a tua pele e no teu coração for tão real quanto a minha presença aqui e agora; quando não precisares pensar mais nela nem fazeres perguntas como essa que fizeste, então, meu irmãozinho querido, eu terei retornado com toda a minha pompa e com toda a minha glória.
Internet: <http://leonardoboff.com> (com adaptações).
É apresentada a seguinte frase. “Depois de momentos de silêncio que pareciam uma eternidade, o Senhor respondeu”. Em seguida, vem a resposta de Jesus, no último parágrafo. Com relação a essa passagem do texto, assinale a alternativa incorreta.
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