Foram encontradas 90 questões.
Cem cruzeiros a mais
Fernando Sabino
Ao receber certa quantia num guichê do Ministério, verificou que o funcionário lhe havia dado cem cruzeiros a mais. Quis voltar para devolver, mas outras pessoas protestaram: entrasse na fila.
Esperou pacientemente a vez, para que o funcionário lhe fechasse na cara a janelinha de vidro:
– Tenham paciência, mas está na hora do meu café.
Agora era uma questão de teimosia. Voltou à tarde, para encontrar fila maior
– não conseguiu sequer aproximar-se do guichê antes de encerrar-se o expediente.
No dia seguinte era o primeiro da fila:
– Olha aqui: o senhor ontem me deu cem cruzeiros a mais.
– Eu?
Só então reparou que o funcionário era outro.
– Seu colega, então. Um bigodinho.
– O Mafra.
– Se o nome dele é Mafra, não sei dizer.
– Só pode ter sido o Mafra. Aqui só trabalhamos eu e o Mafra. Não fui eu. Logo...
Ele coçou a cabeça, aborrecido:
– Está bem, foi o Mafra. E daí?
O funcionário lhe explicou com toda urbanidade que não podia responder pela distração do Mafra:
– Isto aqui é uma pagadoria, meu chapa. Não posso receber, só posso pagar. Receber, só na recebedoria. O próximo!
O próximo da fila, já impaciente, empurrou-o com o cotovelo. Amar o próximo como a ti mesmo! Procurou conter-se e se afastou, indeciso. Num súbito impulso de indignação – agora iria até o fim – dirigiu-se à recebedoria.
– O Mafra? Não trabalha aqui, meu amigo, nem nunca trabalhou.
– Eu sei. Ele é da pagadoria. Mas foi quem me deu os cem cruzeiros a mais. Informaram-lhe que não podiam receber: tratava-se de uma devolução, não era isso mesmo? E não de pagamento. Tinha trazido a guia? Pois então? Onde já se viu pagamento sem guia? Receber mil cruzeiros a troco de quê?
– Mil não: cem. A troco de devolução.
– Troco de devolução. Entenda-se.
– Pois devolvo e acabou-se.
– Só com o chefe. O próximo!
O chefe da seção já tinha saído: só no dia seguinte. No dia seguinte, depois de fazê-lo esperar mais de meia hora, o chefe informou-lhe que deveria redigir um ofício, historiando o fato e devolvendo o dinheiro.
– Já que o senhor faz tanta questão de devolver.
– Questão absoluta.
– Louvo o seu escrúpulo.
– Mas o nosso amigo ali do guichê disse que era só entregar ao senhor – suspirou ele.
– Quem disse isso?
– Um homem de óculos naquela seção do lado de lá. Recebedoria, parece.
– O Araújo. Ele disse isso, é? Pois olhe: volte lá e diga-lhe para deixar de ser besta. Pode dizer que fui eu que falei. O Araújo sempre se metendo a entendido!
– Mas e o ofício? Não tenho nada com essa briga, vamos fazer logo o ofício.
– Impossível: tem de dar entrada no protocolo.
Saindo dali, em vez de ir ao protocolo, ou ao Araújo para dizer-lhe que deixasse de ser besta, o honesto cidadão dirigiu-se ao guichê onde recebera o dinheiro, fez da nota de cem cruzeiros uma bolinha, atirou-a lá dentro por cima do vidro e foi-se embora.
(A companheira de viagem. In: Obra reunida, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 20-22.)
Identifique o item que contém descrição INCORRETA do texto lido.
Provas
Cem cruzeiros a mais
Fernando Sabino
Ao receber certa quantia num guichê do Ministério, verificou que o funcionário lhe havia dado(a) cem cruzeiros a mais. Quis voltar para devolver, mas outras pessoas protestaram: entrasse na fila.
Esperou pacientemente a vez, para que o funcionário lhe fechasse na cara a janelinha de vidro:
– Tenham paciência, mas está na hora do meu café.
Agora era uma questão de teimosia. Voltou à tarde, para encontrar fila maior
– não conseguiu sequer aproximar-se do guichê antes de encerrar-se o expediente.
No dia seguinte era o primeiro da fila:
– Olha aqui: o senhor ontem me deu cem cruzeiros a mais.
– Eu?
Só então reparou que o funcionário era outro.
– Seu colega, então. Um bigodinho.
– O Mafra.
– Se o nome dele é Mafra, não sei dizer(b).
– Só pode ter sido o Mafra. Aqui só trabalhamos eu e o Mafra. Não fui eu. Logo(c)...
Ele coçou a cabeça, aborrecido:
– Está bem, foi o Mafra. E daí?
O funcionário lhe explicou com toda urbanidade(d) que não podia responder pela distração do Mafra:
– Isto aqui é uma pagadoria, meu chapa. Não posso receber, só posso pagar. Receber, só na recebedoria. O próximo!
O próximo da fila, já impaciente, empurrou-o com o cotovelo. Amar o próximo como a ti mesmo! Procurou conter-se e se afastou, indeciso. Num súbito impulso de indignação – agora iria até o fim – dirigiu-se à recebedoria.
– O Mafra? Não trabalha aqui, meu amigo, nem nunca trabalhou.
– Eu sei. Ele é da pagadoria. Mas foi quem me deu os cem cruzeiros a mais. Informaram-lhe que não podiam receber: tratava-se de uma devolução, não era isso mesmo? E não de pagamento. Tinha trazido a guia? Pois então? Onde já se viu pagamento sem guia? Receber mil cruzeiros a troco de quê?
– Mil não: cem. A troco de devolução.
– Troco de devolução. Entenda-se.
– Pois devolvo e acabou-se.
– Só com o chefe. O próximo!
O chefe da seção já tinha saído: só no dia seguinte. No dia seguinte, depois de fazê-lo esperar mais de meia hora, o chefe informou-lhe que deveria redigir um ofício, historiando o fato e devolvendo o dinheiro.
– Já que o senhor faz tanta questão de devolver.
– Questão absoluta.
– Louvo o seu escrúpulo.
– Mas o nosso amigo ali do guichê disse que era só entregar ao senhor – suspirou ele.
– Quem disse isso?
– Um homem de óculos naquela seção do lado de lá. Recebedoria, parece.
– O Araújo. Ele disse isso, é? Pois olhe: volte lá e diga-lhe para deixar de ser besta. Pode dizer que fui eu que falei. O Araújo sempre se metendo a entendido!
– Mas e o ofício? Não tenho nada com essa briga, vamos fazer logo o ofício.
– Impossível: tem de dar entrada no protocolo.
Saindo dali, em vez de ir ao protocolo, ou ao Araújo para dizer-lhe que deixasse de ser besta, o honesto cidadão dirigiu-se ao guichê onde recebera o dinheiro, fez da nota de cem cruzeiros uma bolinha, atirou-a lá dentro por cima do vidro e foi-se embora.
(A companheira de viagem. In: Obra reunida, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 20-22.)
A leitura do texto NÃO permite afirmar, quanto aos aspectos gramaticais ou semânticos, que:
Provas
Cem cruzeiros a mais
Fernando Sabino
Ao receber certa quantia num guichê do Ministério, verificou que o funcionário lhe havia dado cem cruzeiros a mais. Quis voltar para devolver, mas outras pessoas protestaram: entrasse na fila.
Esperou pacientemente a vez, para que o funcionário lhe fechasse na cara a janelinha de vidro:
– Tenham paciência, mas está na hora do meu café.
Agora era uma questão de teimosia. Voltou à tarde, para encontrar fila maior
– não conseguiu sequer aproximar-se do guichê antes de encerrar-se o expediente.
No dia seguinte era o primeiro da fila:
– Olha aqui: o senhor ontem me deu cem cruzeiros a mais.
– Eu?
Só então reparou que o funcionário era outro.
– Seu colega, então. Um bigodinho.
– O Mafra.
– Se o nome dele é Mafra, não sei dizer.
– Só pode ter sido o Mafra. Aqui só trabalhamos eu e o Mafra. Não fui eu. Logo...
Ele coçou a cabeça, aborrecido:
– Está bem, foi o Mafra. E daí?
O funcionário lhe explicou com toda urbanidade que não podia responder pela distração do Mafra:
– Isto aqui é uma pagadoria, meu chapa. Não posso receber, só posso pagar. Receber, só na recebedoria. O próximo!
O próximo da fila, já impaciente, empurrou-o com o cotovelo. Amar o próximo como a ti mesmo! Procurou conter-se e se afastou, indeciso. Num súbito impulso de indignação – agora iria até o fim – dirigiu-se à recebedoria.
– O Mafra? Não trabalha aqui, meu amigo, nem nunca trabalhou.
– Eu sei. Ele é da pagadoria. Mas foi quem me deu os cem cruzeiros a mais. Informaram-lhe que não podiam receber: tratava-se de uma devolução, não era isso mesmo? E não de pagamento. Tinha trazido a guia? Pois então? Onde já se viu pagamento sem guia? Receber mil cruzeiros a troco de quê?
– Mil não: cem. A troco de devolução.
– Troco de devolução. Entenda-se.
– Pois devolvo e acabou-se.
– Só com o chefe. O próximo!
O chefe da seção já tinha saído: só no dia seguinte. No dia seguinte, depois de fazê-lo esperar mais de meia hora, o chefe informou-lhe que deveria redigir um ofício, historiando o fato e devolvendo o dinheiro.
– Já que o senhor faz tanta questão de devolver.
– Questão absoluta.
– Louvo o seu escrúpulo.
– Mas o nosso amigo ali do guichê disse que era só entregar ao senhor – suspirou ele.
– Quem disse isso?
– Um homem de óculos naquela seção do lado de lá. Recebedoria, parece.
– O Araújo. Ele disse isso, é? Pois olhe: volte lá e diga-lhe para deixar de ser besta. Pode dizer que fui eu que falei. O Araújo sempre se metendo a entendido!
– Mas e o ofício? Não tenho nada com essa briga, vamos fazer logo o ofício.
– Impossível: tem de dar entrada no protocolo.
Saindo dali, em vez de ir ao protocolo, ou ao Araújo para dizer-lhe que deixasse de ser besta, o honesto cidadão dirigiu-se ao guichê onde recebera o dinheiro, fez da nota de cem cruzeiros uma bolinha, atirou-a lá dentro por cima do vidro e foi-se embora.
(A companheira de viagem. In: Obra reunida, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 20-22.)
Com base no texto lido, é CORRETO afirmar que:
Provas
| Estoque Inicial de Matéria-Prima | R$300.000,00 |
| Estoque Final de Matéria-Prima | R$360.000,00 |
| Estoque Inicial de Produtos em Elaboração | R$0,00 |
| Estoque Final de Produtos em Elaboração | R$0,00 |
| Estoque Inicial de Produtos Acabados | R$160.000,00 |
| Estoque Final de Produtos Acabados | R$1.200.000,00 |
| Custo dos Produtos Vendidos | R$320.000,00 |
| Custo da Mão de Obra Direta | R$400.000,00 |
| Custos Indiretos de Fabricação | R$360.000,00 |
| Produção do Mês | 32 unidades |
Provas
Provas
| Itens de Gastos | Saldos |
| Seguro da Fábrica | R$1.200,00 |
| Consumo de Material de Escritório | R$430,00 |
| Compras de Matérias-Primas | R$25.000,00 |
| Salários e Encargos Pessoal de Fábrica | R$10.960,00 |
| Propaganda e Publicidade | R$1.150,00 |
| Matéria-Prima utilizada na produção | R$12.600,00 |
| Aluguel da Fábrica | R$2.300,00 |
| Energia Elétrica da Fábrica | R$1.980,00 |
| Depreciação de Maquinas e Equipamentos da Fábrica | R$3.700,00 |
| Serviços de Assistência Pós-Venda | R$650,00 |
| Salário do Encarregado da Produção | R$3.900,00 |
| Dias Parados por Inundação na Fábrica | R$1.000,00 |
| Adicional de Insalubridade do Pessoal da Fábrica | R$860,00 |
| Depreciação de Veículos de Vendas | R$1.200,00 |
| Juros e Despesas de Financiamentos | R$2.200,00 |
| Adicional de Periculosidade do Pessoal da Fábrica | R$1.300,00 |
| Total | R$69.430,00 |
Provas
| (1) Custo | ( ) Frete de Mercadorias Vendidas no período. |
| (2) Despesa | ( ) Aquisição de Mercadoria para estoque. |
| (3) Investimento | ( ) Estoque de matéria-prima, não segurada, consumida por incêndio. |
| (4) Perda | ( ) Materiais utilizados na produção de bens. |
Provas
Provas
| ATIVO | PASSIVO | ||
| Ativo Circulante | R$34.200,00 | Passivo Circulante | R$29.000,00 |
| Caixa | R$13.200,00 | Contas a Pagar | R$8.100,00 |
| Duplicatas a Receber | R$21.000,00 | Empréstimos a Pagar | R$20.900,00 |
| Ativo Não Circulante | R$33.000,00 | Passivo Não Circulante | R$16.300,00 |
| Realizável a Longo Prazo | R$6.000,00 | Debêntures | R$16.300,00 |
| Investimentos | R$7.000,00 | Patrimônio Líquido | R$21.900,00 |
| Imobilizado | R$15.000,00 | Capital Social | R$12.000,00 |
| Intangível | R$5.000,00 | Reservas de Lucros | R$9.900,00 |
| Total do Ativo | R$67.200,00 | Total do Passivo | R$67.200,00 |
!$ \surd !$ Custos com Mercadorias Vendidas R$35.000,00
!$ \surd !$ Despesas Gerais R$26.000,00
!$ \surd !$ Despesas Financeiras R$12.000,00
!$ \surd !$ Receitas Financeiras R$21.000,00
!$ \surd !$ Despesas com Tributos R$1.400,00
Provas
| Contas | Saldo Devedor | Saldo Credor |
| Aplicações Financeiras | R$359.000,00 | |
| Bancos Conta Movimento | R$175.000,00 | |
| Caixa | R$267.000,00 | |
| Capital Social | R$694.441,00 | |
| CSLL a Pagar | R$4.323,00 | |
| Depreciação Acumulada de Edificações em Uso | R$1.680,00 | |
| Depreciação Acumulada de Móveis e Utensílios | R$12.000,00 | |
| Depreciação Acumulada de Veículos | R$48.000,00 | |
| Duplicatas a Receber em 2012 | R$825.000,00 | |
| Edificações de Uso | R$250.000,00 | |
| Empréstimos Bancários com vencimento em 2012 | R$420.000,00 | |
| Estoque de Matéria-Prima | R$190.000,00 | |
| Estoque de Produtos em Elaboração | R$260.000,00 | |
| Estoque Final de Produtos Acabados | R$350.000,00 | |
| Fornecedores com vencimento para 2012 | R$490.000,00 | |
| ICMS a Recuperar | R$44.100,00 | |
| IPI a Recolher | R$166.500,00 | |
| IRPJ a Pagar | R$7.205,00 | |
| Móveis e Utensílios | R$60.000,00 | |
| Provisões para Riscos Trabalhistas Realizáveis no Exercício Seguinte | R$390.000,00 | |
| Reserva Legal | R$70.000,00 | |
| Reservas de Lucros | R$715.951,00 | |
| Terrenos para uso próprio | R$120.000,00 | |
| Veículos | R$120.000,00 | |
| TOTAL | R$3.020.100,00 | R$3.020.100,00 |
Provas
Caderno Container