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OS PEQUENOS MALABARISTAS
Walcyr Carrasco

ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Do que se lê no texto, pode-se afirmar que:
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OS PEQUENOS MALABARISTAS
Walcyr Carrasco

ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Marque a alternativa em que haja referência ao parágrafo no qual se descobre a cidade onde se passa a narrativa:

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ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Analisando as principais características do texto lido, pode-se dizer que nele:

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ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Pode-se afirmar que o objetivo do narrador é:
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ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
“Os pequenos malabaristas” é um texto em 1ª pessoa, com narrador personagem, já que ele participa dos acontecimentos. Qual alternativa apresenta um trecho que pode comprovar essa afirmação?
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ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Marque a alternativa em que aparece um trecho que contenha uma opinião do narrador e não um fato que se passa com ele:
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ASDParo no semáforo. Um garoto muito desajeitado entra na frente do carro. Começa a agitar dois pedaços de madeira. Gira um, gira outro. Derruba no chão. Pega e volta a tentar o malabarismo. Vem a luz verde. Ele corre na minha janela. Quando entrego uma cédula, uma amiga, no banco do passageiro, reclama:
ASD– Você não devia ter dado.
ASDNa minha opinião, não se trata propriamente de esmola:
ASD– Pelo menos, ele está tentando fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Se continuar insistindo, pode vir a ser até um bom malabarista.
ASDDe fato. Dias atrás, assisti ao desempenho de outro menino, com três bolas, que as jogava, uma atrás da outra. Até gostei. Minha amiga explicou didaticamente.
ASD– Existem máfias que exploram esses garotos. Se você der o dinheiro, estará ajudando os bandidos.
ASDJá ouvi essa acusação muitas outras vezes. É possível, mais ainda, provável.
ASD– Mas, se eu não der o dinheiro, aí que não estarei ajudando coisa nenhuma.
ASDHouve uma época em que, mal parava no semáforo, alguém jogava um balde d’água no meu vidro. Depois limpava. Um serviço não pedido que, frequentemente, causava mau humor. Serei franco. Não costumo andar com dinheiro. Moedas boto em um vidro e depois troco todas de uma vez. Por um motivo simples. As moedas pesam no bolso. Minha barriga há tempos está pior que a do Papai Noel. As calças escorregam até embaixo do umbigo. Costumo andar pisando nas barras. Com o peso das moedas, uma ou duas vezes quase fiquei de cuecas na rua.
ASDCada vez que alguém jogava água no meu vidro, eu me sentia na obrigação de avisar que não tinha dinheiro. Recebia de volta um olhar de péssimo humor. Pior, de descrença. Quem passa os dias numa esquina limpando vidros simplesmente não acredita em um motorista que diz estar sem nenhum trocado.
ASDDo ponto de vista humano, entretanto, sempre considerei mais correta a atitude de querer fazer alguma coisa para merecer o auxílio. Noite dessas, por exemplo, parei em um viaduto. Um deficiente físico já adulto bateu no meu vidro. Fiz um gesto para indicar que estava sem nada. Ele começou a gritar comigo. Fugi. Os meninos malabaristas sorriem, tentam fazer seu espetáculo. Confio que em breve os pequenos paulistanos também estarão dando verdadeiros shows, embora eventualmente possa haver um ou outro vidro arrebentado após um show de bolas. Já vi, em outras ocasiões, palhaços maquiados, gente fantasiada. Recentemente, deparei com um engolidor de fogo. Fiquei bem apavorado enquanto ele engolia chamas no meio da rua. Um errinho... e até eu poderia estar no meio da fogueira!
ASDEnfim, no futuro um folheto turístico da cidade poderá até fazer referência aos números circenses exercidos nos semáforos.
ASDMuitas pessoas que conheço compartilham a opinião de minha amiga. Não concordam em pagar pelos shows de semáforos. O discurso é sempre o mesmo, e não posso negar que tenha sua lógica.
ASD– Essas crianças não deveriam estar na esquina, mas estudando – explica um conhecido.
ASDConcordo. Mas também sou realista. A verdade, só quem sabe, são essas crianças. Talvez o pouco que consigam seja essencial para sua sobrevivência. Certamente, praticar malabarismo é uma alternativa bem melhor que assaltar. Mas não tenho certeza do que é certo ou errado nessa situação. Sou só um sujeito que anda olhando o mundo com perplexidade cada vez maior. Fico confuso. Tenho vontade de ajudar, de pagar meu “ingresso” até pelos números malfeitos. Fico pensando: que mundo é este onde mesmo um gesto de caridade é motivo de dúvida?
(Carrasco, Walcyr.crônicas . Histórias para a sala de aula:do cotidiano. São Paulo: Moderna, 2015.)
Marque a alternativa cujo trecho sinaliza que o foco narrativo está em 1ª pessoa:
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração Subordinada
- MorfologiaSubstantivosClassificação dos Substantivos
Leia os textos V e VI para responder do item 16 ao 20.
TEXTO V
Como a internet influencia secretamente nossas escolhas
Em uma época na qual softwares nos dizem no que devemos pensar, uma prática um pouco mais antiquada tem ganhado destaque no noticiário: o trabalho de um seleto grupo de enigmáticos indivíduos que decidem o que é e o que não é notícia.
Recentemente foi divulgado que o Facebook usa pessoas para selecionar quais assuntos são ou não vistos por seus usuários. [...]
A argumentação mais polêmica que surgiu com a notícia foi a de que a seleção de "trending topics" do site teria um viés anticonservador. Ou seja, o Facebook esconderia notícias e opiniões mais conservadoras de maneira desproporcional. [...]
Meios como o Facebook estão selecionando as notícias e as informações que consumimos sob títulos chamativos como "trending topics" ou critérios como "relevância". Mas nós praticamente não sabemos como isso tudo é filtrado.
É importante ressaltar que essas informações às quais somos expostos podem transformar nosso comportamento, com um insight vindo da internet: o "empurrãozinho". [...]
Quando navegamos na internet, enfrentamos escolhas continuamente – do que comprar ao que acreditar – e engenheiros e designers também podem sutilmente manejar nossas decisões nesse ponto. [...] Isso, no entanto, gera algumas tensões fundamentais: entre a conveniência e a deliberação; entre o que o usuário deseja e o que é melhor para ele; entre a transparência e o lado comercial. [...]
Fonte: <http://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36410030> - Tom Chatfield Da BBC Future, em 30 maio 2016. (Texto adaptado para esta prova)
TEXTO VI
SUICÍDIO NA INTERNET
Após o lançamento de 13 reasons why,
buscas sobre suicídio aumentam
Volume de buscas sobre suicídio

Analise a oração destacada: “Recentemente foi divulgado que o Facebook usa pessoas para selecionar assuntos.” (adaptada)
A oração destacada é subordinada substantiva, pois desempenha a função que, no período simples, normalmente é desempenhada por substantivos. De posse dessa informação, marque a alternativa CORRETA sobre ela:
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Leia os textos V e VI para responder do item 16 ao 20.
TEXTO V
Como a internet influencia secretamente nossas escolhas
Em uma época na qual softwares nos dizem no que devemos pensar, uma prática um pouco mais antiquada tem ganhado destaque no noticiário: o trabalho de um seleto grupo de enigmáticos indivíduos que decidem o que é e o que não é notícia.
Recentemente foi divulgado que o Facebook usa pessoas para selecionar quais assuntos são ou não vistos por seus usuários. [...]
A argumentação mais polêmica que surgiu com a notícia foi a de que a seleção de "trending topics" do site teria um viés anticonservador. Ou seja, o Facebook esconderia notícias e opiniões mais conservadoras de maneira desproporcional. [...]
Meios como o Facebook estão selecionando as notícias e as informações que consumimos sob títulos chamativos como "trending topics" ou critérios como "relevância". Mas nós praticamente não sabemos como isso tudo é filtrado.
É importante ressaltar que essas informações às quais somos expostos podem transformar nosso comportamento, com um insight vindo da internet: o "empurrãozinho". [...]
Quando navegamos na internet, enfrentamos escolhas continuamente – do que comprar ao que acreditar – e engenheiros e designers também podem sutilmente manejar nossas decisões nesse ponto. [...] Isso, no entanto, gera algumas tensões fundamentais: entre a conveniência e a deliberação; entre o que o usuário deseja e o que é melhor para ele; entre a transparência e o lado comercial. [...]
Fonte: <http://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36410030> - Tom Chatfield Da BBC Future, em 30 maio 2016. (Texto adaptado para esta prova)
TEXTO VI
SUICÍDIO NA INTERNET
Após o lançamento de 13 reasons why,
buscas sobre suicídio aumentam
Volume de buscas sobre suicídio

Marque a frase em que o sentido do pronome relativo NÃO está empregado corretamente:
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Leia os textos V e VI para responder do item 16 ao 20.
TEXTO V
Como a internet influencia secretamente nossas escolhas
Em uma época na qual softwares nos dizem no que devemos pensar, uma prática um pouco mais antiquada tem ganhado destaque no noticiário: o trabalho de um seleto grupo de enigmáticos indivíduos que decidem o que é e o que não é notícia.
Recentemente foi divulgado que o Facebook usa pessoas para selecionar quais assuntos são ou não vistos por seus usuários. [...]
A argumentação mais polêmica que surgiu com a notícia foi a de que a seleção de "trending topics" do site teria um viés anticonservador. Ou seja, o Facebook esconderia notícias e opiniões mais conservadoras de maneira desproporcional. [...]
Meios como o Facebook estão selecionando as notícias e as informações que consumimos sob títulos chamativos como "trending topics" ou critérios como "relevância". Mas nós praticamente não sabemos como isso tudo é filtrado.
É importante ressaltar que essas informações às quais somos expostos podem transformar nosso comportamento, com um insight vindo da internet: o "empurrãozinho". [...]
Quando navegamos na internet, enfrentamos escolhas continuamente – do que comprar ao que acreditar – e engenheiros e designers também podem sutilmente manejar nossas decisões nesse ponto. [...] Isso, no entanto, gera algumas tensões fundamentais: entre a conveniência e a deliberação; entre o que o usuário deseja e o que é melhor para ele; entre a transparência e o lado comercial. [...]
Fonte: <http://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36410030> - Tom Chatfield Da BBC Future, em 30 maio 2016. (Texto adaptado para esta prova)
TEXTO VI
SUICÍDIO NA INTERNET
Após o lançamento de 13 reasons why,
buscas sobre suicídio aumentam
Volume de buscas sobre suicídio

Marque a alternativa cujo(s) termo(s) destacado(s), na oração, está(o) independente(s) sintática e semanticamente, permitindo deslocar(em)-se livremente nos caminhos da oração, sem alteração dos demais termos:
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