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Texto 2.

Inimigos

O apelido de Maria Tereza, para Norberto, era ‘Quequinha’. Depois do casamento, sempre que queria contar para os outros uma de sua mulher, o Norberto pegava na sua mão, carinhosamente, e começava:

— Pois a Quequinha…

E a Quequinha, dengosa, protestava:

— Ora, Beto!

Com o passar do tempo o Norberto deixou de chamar a Maria Tereza de Quequinha. Se ela estivesse ao seu lado e ele quisesse se referir a ela, dizia:

— A mulher aqui…

Ou, às vezes:

— Esta mulherzinha…

Mas nunca mais Quequinha.

(O tempo, o tempo. O amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca o silêncio. O tempo usa armas químicas.)

Com o tempo, Norberto passou a tratar a mulher por Ela.

— Ela odeia o Charles Bronson.

— Ah, não gosto mesmo.

Deve-se dizer que o Norberto, a esta altura, embora a chamasse de Ela, ainda usava um vago gesto de mão para indicá-la. Pior foi quando passou a dizer ‘essa aí’ e a apontava com o queixo.

— Essa aí…

E apontava com o queixo, até curvando a boca com um certo desdém.

(O tempo, o tempo. Tempo captura o amor e não o mata na hora. Vai tirando uma asa, depois cura.)

Hoje, quando quer contar alguma coisa da mulher, o Norberto nem olha na direção. Faz um meneio de lado com a cabeça e diz:

— Aquilo…

Luis Fernando Veríssimo

Observe as frases retiradas do texto 2. ƒ

  • Frase 1: … o Norberto pegava na sua mão, carinhosamente, e começava… ƒ
  • Frase 2: Com o tempo, Norberto passou a tratar a mulher por Ela.

Analise as afirmativas abaixo feitas sobre elas.

1. Na frase 1, na primeira oração, o adjunto adverbial pode ser deslocado, sem prejuízo de sentido.

2. Na frase 1, seu sentido seria alterado se fosse assim redigida: “… carinhosamente, o Norberto pegava na sua mão e começava…

3. Em 1, o sentido da frase não seria alterado se fosse assim redigida: “… o Norberto, na sua mão pegava, carinhosamente, e começava…

4. Na frase 2 há dois sujeitos simples, já que há dois nomes próprios: “Norberto e Ela”; o último referindo-se à Maria Teresa.

5. Na frase 2, a vírgula usada não é obrigatória. Foi usada para enfatizar a expressão “Com o tempo” que é adjunto adverbial deslocado.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

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Texto 1.

Notícia de jornal

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

Fernando Sabino

Avalie se os sinônimos usados para a(s) palavra(s) entre parênteses estão corretos e coloque ( V ) para verdadeiro e ( F ) para falso.

( ) Um homem de cor branca, trinta anos plausíveis. (presumíveis)

( ) Depois de setenta e duas horas de diligência em plena rua, morreu. (inanição)

( ) Um marginalizado, um preterido morreu na rua. (pária, proscrito)

( ) Para reprimenda dos outros homens. (escarmento)

( ) Com um olhar de nojo e deferência. (desdém)

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

 

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Texto 1.

Notícia de jornal

Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

Fernando Sabino

Analise as afirmativas sobre o texto 1.

1. O autor mostra sua indignação diante da morte por inanição.

2. O autor critica a insensibilidade de pessoas da sociedade diante da miséria dos desabrigados.

3. O autor mostra a naturalização da morte no cotidiano das pessoas.

4. O autor, no terceiro parágrafo, prestando um serviço de utilidade pública, informa o fato de que os mendigos são da competência de autoridades especializadas, como a Delegacia de Mendicância.

5. O autor critica o fato de um homem estar morto na calçada, durante setenta e duas horas, e ser ignorado pelos transeuntes.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

 

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2610632 Ano: 2022
Disciplina: Fonoaudiologia
Banca: FEPESE
Orgão: FCEE-SC
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Conhecer os marcos do desenvolvimento da linguagem é fundamental para a identificação de alterações de linguagem. Todo clínico, na condução terapêutica ou no diagnóstico, deve se respaldar não só na sintomatologia dos quadros, mas também no quanto essas características se afastam do desenvolvimento típico.

Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação ao assunto.

1. As primeiras 50 palavras adquiridas pelas crianças são, em sua maioria, palavras da categoria lexical, pois as crianças demonstram um maior repertório de substantivos, verbos e adjetivos, pois são mais concretamente observáveis no contexto.

2. Quando a criança demonstra que é capaz de estabelecer relações entre as palavras numa frase e usar flexões (mesmo que de forma incorreta em relação à norma da língua), tem-se aí o início da morfossintaxe, por volta dos 18 meses.

3. No período das últimas aquisições (após os 54 meses), a criança é capaz de produzir estruturas sintáticas complexas, como as condicionais, as circunstanciais, as de tempo, além de aperfeiçoar aquelas que já produzia.

4. Crianças com alterações primárias de linguagem dificilmente terão manifestações na esfera sintática.

5. Infantes antes dos três anos de idade podem apresentar simplificações que comprometem substancialmente a inteligibilidade da fala, como a reduplicação de sílaba, anteriorização de velares e plosivação de fricativas.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Questão Anulada

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2610624 Ano: 2022
Disciplina: Fonoaudiologia
Banca: FEPESE
Orgão: FCEE-SC
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Segundo a American Speech-Language-Hearing Association (ASHA), a Apraxia de Fala Infantil é um distúrbio de origem neurológica na ausência de déficits neuromusculares.

Assinale a alternativa correta sobre as características presentes nesse quadro.

Questão Anulada

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