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417418 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Epidemia polissilábica
Otto Lara Resende
Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Ronái denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.
A maior parte delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois desse advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.
Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.
Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.
Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verboônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platinodolarização contingencial.
RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. Seleção e posfácio de
Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 175.
Os verbos dicendi são abundantes no primeiro parágrafo do texto, em razão do uso do discurso relatado (pelo autor). Uma de suas ocorrências é o verbo
 

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417416 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Epidemia polissilábica
Otto Lara Resende
Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Ronái denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.
A maior parte delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois desse advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.
Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.
Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.
Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verboônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platinodolarização contingencial.
RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. Seleção e posfácio de
Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 175.
O texto é escrito obedecendo ao novo acordo ortográfico da língua portuguesa. De acordo essas novas regras, o hífen está empregado corretamente em todos os termos em
 

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417410 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Epidemia polissilábica
Otto Lara Resende
Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Ronái denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.
A maior parte delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois desse advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.
Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.
Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.
Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verboônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platinodolarização contingencial.
RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. Seleção e posfácio de
Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 175.
No texto, o autor critica certo tipo de falantes da língua pelo fato de adotarem, em sua compreensão da realidade, palavras que apresentam traços
 

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417375 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Epidemia polissilábica
Otto Lara Resende
Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Ronái denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.
A maior parte delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois desse advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.
Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.
Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.
Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verboônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platinodolarização contingencial.
RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. Seleção e posfácio de
Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 175.
Ao se analisar a palavra “inconstitucionalissimamente”, observa- se que ela é formada pelo processo de
 

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417265 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Epidemia polissilábica
Otto Lara Resende
Já se disse que a crise é de dicionário. Paulo Ronái denunciou a existência de uma geração sem palavras. Uma só, não, digo eu. Várias. A crise é semântica, disse um professor na Sorbonne, que convocou um seminário. Pode ser, diz o Pedro Gomes. Mas é também polissilábica. E me expõe a sua tese: nenhum país aguenta tantos palavrões como os que circulam agora por aí. Palavrão no sentido estrito de palavra grande.
A maior parte delas, como aprendemos na remota infância, tem até governado o Brasil. É essa mesmo: inconstitucionalissimamente. Depois desse advérbio, no seu hoje modesto pioneirismo, apareceram verdadeiros bondes vocabulares. Autênticos minhocões. São cada vez mais numerosos e compridos, como a composição ferroviária que transporta minérios. A perder de vista, todos têm de cinco sílabas para cima. São centopeias de tirar o fôlego e de destroncar a língua.
Na porta do Jockey, depois do almoço, um sujeito conversava outro dia, sereno, sobre a atratividade do investimento superavitário. Temi pela sua digestão, se é que não foi vítima de uma congestão. Ou de um insulto cerebral. É o caso do cidadão que discorreu sobre o obstaculizado caminho que o Brasil tem de percorrer, se quiser alcançar um nível de competitividade num cenário de internacionalização do livre-cambismo.
Até a carta-testamento do Getúlio, obstaculizar não tinha feito a sua aparição triunfal. Dizem que foi ideia do Maciel Filho, que tinha este vezo nacionalista da palavra complicada. Na verdade, é difícil inovar o jargão político. Para atacar José Américo de Almeida, história antiga, Benedito Valladares lançou no mercado a palavra boquirroto. Logo os adversários disseram que era soprado pelo Orozimbo Nonato, um íntimo do Vieira e do Bernardes. Arrazoava com um cunho seiscentista.
Enfim, tudo hoje em dia gera distorções. Gerar é um verboônibus. Serve para tudo. Confiemos, porém, que a seu tempo, a nível de país, na expressão abominável que hoje é corrente, a solução seja equacionada. A desestabilização extrapola de qualquer colocação. Longe de mim o catastrofismo, mas no caminho polissilábico em que vamos, a ingovernabilidade é fatal. E talvez passemos antes pela platinodolarização contingencial.
RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. Seleção e posfácio de
Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 175.
O texto “Epidemia polissilábica” pertence ao gênero
 

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415873 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Enunciado 415873-1
Qual dos elementos visuais que formam a charge representa uma crítica ao ensino do alfabeto?
 

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415854 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
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Enunciado 415854-1
A charge é um gênero que se constitui com base em dois códigos: o visual e o verbal. A relação entre esses códigos é de
 

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415852 Ano: 2013
Disciplina: Comunicação Social
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
Provas:
Numa publicidade on-line, adotam-se as mesmas estratégias da mídia off-line para se atingir os objetivos de marketing e de comunicação. E, por isso, deve-se considerar que
 

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415845 Ano: 2013
Disciplina: Comunicação Social
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
Provas:
Um planejamento de mídia atinge diferentes públicos-alvo em diferentes veículos, e, por isso, deve-se considerar que a
 

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415843 Ano: 2013
Disciplina: Comunicação Social
Banca: UFG
Orgão: IF-Goiano
Provas:
Em termos de mídia, considera-se que a abrangência geográfica é necessária para se calcular a audiência e assim os objetivos da campanha podem ser atingidos. Compreende-se, portanto, que a abrangência geográfica
 

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