Magna Concursos

Foram encontradas 40 questões.

1391396 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
“Se não comparecerdes...”
Considerações sobre a relação entre o pronome “vós” e as diabruras do Estado Brasileiro
Roberto Pompeu de Toledo
Uma pessoa humilde, ora pleiteando sua aposentadoria junto ao INSS, em São Paulo, recebeu a seguinte “carta de exigências” da instituição. Os nomes, tanto da pessoa que pleiteia a aposentadoria quanto de quem assina a carta, serão omitidos. O texto vai em sua conturbada e sofrida literalidade:
“Para dar andamento ao processo do Benefício em referência, solicito-vos comparecer, no endereço: Av. Santa Marina 1217, no horário de 07:00 às 15:00, para que as seguintes exigências sejam cumpridas:
- retirar a carteira profissional que se encontra em seu processo para que o empregador atualiza as alterações de salarios em vista da ultima anotação foi 1990 e o salario de contribuição esta divergente da ultima alteração
- recolher o 13 referente ao periodo de 1995 a 2004 que não foram recolhidos e 1 de ferias conforme consta os meses a serem recolhidos na carteira profissional
Comunico-vos que vosso pedido de Benefício sera indeferido por desinteresse, se não comparecerdes dentro de 10 dias a contar desta data.
Deveis apresentar esta carta no ato do comparecimento”.
Impressiona o ucasse desferido na penúltima linha contra o contribuinte: “... o Benefício será indeferido se não comparecerdes...” Mais impressionante ainda se torna quando se tem em conta que, antes de corridos os dez dias, o INSS entrou em greve, parou tudo e que se danem os solicitantes, os pleiteantes e os queixosos. Caso se queira mais uma dose de estupefação, acrescente-se que a carta foi emitida em maio, as exigências foram cumpridas, uma vez terminada a greve, e até agora nada. O benefício ainda não foi concedido. Mas releve-se. Não é esse o nosso ponto. Nem bem seriam as aflições infligidas à língua portuguesa, ao longo daquelas poucas linhas em que o idioma de Camões caminha aos trancos e barrancos, como um veículo desgovernado que despenca ladeira abaixo e bate um pára-lama aqui outro ali, cai num buraco, sofre bruscos solavancos, corcoveia, raspa a porta do barranco, capota, desliza – para enfim se estatelar sem remédio contra o último e insuperável obstáculo.
É este último obstáculo que nos interessa: o pronome “vós”. É verdade que a opção pelo vós, como tudo o mais, vai no vai-da-valsa, e sofre um retrocesso quando se fala em “seu processo”, a alturas tantas, mas sem dúvida é a da preferência do autor da carta, tanto assim que se afirma, triunfal, nas duas últimas linhas. Que razão teria conduzido a tal preferência? Arrisquemos algumas hipóteses.
A primeira é a busca da elegância. O “vós” faz bonito em textos como o célebre soneto de Bilac: “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso! E eu vos direi no entanto/ Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto/ E abro as janelas pálido de espanto”. A segunda seria a intenção de mostrar-se educado, num comunicado que afinal representa a palavra do próprio Estado brasileiro. Seria aconselhável, dada essa alta responsabilidade, o recurso a um pronome que assinala respeito e deferência. Mas... será? Elegância? Educação? São hipóteses que de saída sabemos pouco críveis. Tampouco se pode acreditar que o redator tenha empregado o “vós” porque lhe sai natural. Para isso, precisaríamos supô-lo alguém que tem a segunda pessoa do plural como ferramenta tão banal que é com ela que se comunica com a mulher em casa, os colegas de trabalho, os vendedores na feira. Não, não é possível.
Examinemos de novo o documento. Pensemos nele no contexto da relação do Estado com os cidadãos, no Brasil. Essa relação, segundo expôs recentemente a cientista política Lucia Hippolito, é de desconfiança. “Para a burocracia”, escreveu ela, “o cidadão tem sempre culpa, está sempre devendo, está sempre na obrigação de provar sua inocência com mais um documento, mais uma firma reconhecida, mais uma certidão autenticada em cartório.” Uma suspeita começa a se firmar. A crase não foi feita para humilhar ninguém, mas o “vós” foi. O desejo de acuar o cidadão, de encostar-lhe no peito a ponta da espada, de fazê-lo sentir-se pequeno, diante da majestade do Estado, foi esse, sim, só pode ter sido esse, o motivo pelo qual o redator da carta escolheu o “vós”.
O “vós”, tal qual se apresenta no texto, ressoa amedrontador como um castigo. Humilhar? Não, ainda é pouco. A intenção é aterrorizar. Volte-se ao texto: “Se não comparecerdes...” Isso é muito mais assustador do que “se você não comparecer”, ou “se o senhor não comparecer”. Soa como decreto vindo das alturas inatingíveis, dos príncipes incontrastáveis, do céu. Faz tremer como um trovão. E esse “vós” é tristemente significativo do Brasil. Simboliza o massacre cotidiano a que o Estado submete os cidadãos, os mais humildes em primeiro lugar. Entra governo e sai governo, entra década e sai década, essa é uma situação que permanece, inelutável como fenômeno da natureza. O presidente, os ministros, as CPIs, estes estão sempre preocupados com outras coisas. Cá em baixo, a relação entre o Estado e o cidadão comum sempre foi, e continua sendo, feita de pequenas atrocidades.
(Veja, 02 de novembro de 2005)
ucasse (s.m.): sentença
No trecho
“... o idioma de Camões caminha aos trancos e barrancos, como um veículo desgovernado que despenca ladeira abaixo e bate um pára-lama aqui outro ali, cai num buraco, sofre bruscos solavancos, corcoveia, raspa a porta do barranco, capota, desliza – para enfim se estatelar sem remédio contra o último e insuperável obstáculo.”,
é correto afirmar que, no fragmento sublinhado, o autor fez uso, predominantemente, do(a)
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1391234 Ano: 2008
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
Leia o enunciado abaixo e responda a questão.
A prova escrita constitui um instrumento avaliativo, podendo ser sua aplicação um momento de construção de conhecimento e não só de verificação de aprendizagem, portanto, é necessário ter critérios e parâmetros para elaboração de cada questão.
A elaboração da prova operatória escrita tem como parâmetro
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Analise as afirmações, tendo por base o disposto na Lei nº. 8.112/90:
I. Da sindicância poderá resultar a penalidade de suspensão de até sessenta dias (Art. 145).
II. O prazo para conclusão da sindicância não excederá 60 (sessenta) dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior (Parágrafo único do Art. 145).
III. Não poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o segundo grau (§ 2º, Art. 149).
IV. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração (Art. 147).
Está(ão) CORRETA(S)
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1387487 Ano: 2008
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
Num currículo por competência, os módulos que compõem os diferentes itinerários profissionais podem ser com terminalidade ou sem terminalidade. Os primeiros preparam para o exercício de algum tipo de atividade profissional e os segundos estão relacionados com as competências mais gerais da Educação Básica. Neste sentido, é CORRETO afirmar que:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1385865 Ano: 2008
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
Leia o enunciado abaixo e responda a questão.
A prova escrita constitui um instrumento avaliativo, podendo ser sua aplicação um momento de construção de conhecimento e não só de verificação de aprendizagem, portanto, é necessário ter critérios e parâmetros para elaboração de cada questão.
No contexto da avaliação, a prova operatória
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1385157 Ano: 2008
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
Os cursos de Educação Profissional Técnica de nível Médio devem ser planejados de modo a conduzirem o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio para atuar com ética e competência no mundo do trabalho. Assim sendo, esses cursos podem ocorrer
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1384529 Ano: 2008
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio explicitam que os conhecimentos e as competências desenvolvidas nas áreas de conhecimentos do Ensino Médio são constituídos de forma contextualizada com as questões pessoais e da sociedade, de maneira que possibilitem aos alunos darem continuidade aos estudos acadêmicos em programas de preparação profissional sequenciais ou concomitantes com o Ensino Médio. Diante disso, o Ensino Médio caracteriza-se por
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1384222 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Em relação ao ambiente de rede em um computador com Windows XP, julgue os seguintes itens:
I) Um usuário precisa acessar dados compartilhados de uma máquina chamada v2004 que está na mesma rede local que a sua. Para isso, esse usuário pode acessar Botão Iniciar !$ \rightarrow !$ Executar, digitar o comando \\v2004 e pressionar Enter.
II) Para um computador se conectar a uma rede local, o usuário precisa sempre configurar manualmente os seguintes parâmetros: Número de IP, Máscara de Sub-Rede, Gateway e DNS.
III) O ícone Enunciado 1384222-1 do Windows XP sempre indica uma conexão de rede local cujo cabo de rede não está conectado ao computador.
Assinale a opção que corresponde aos itens INCORRETOS:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1384196 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
“Se não comparecerdes...”
Considerações sobre a relação entre o pronome “vós” e as diabruras do Estado Brasileiro
Roberto Pompeu de Toledo
Uma pessoa humilde, ora pleiteando sua aposentadoria junto ao INSS, em São Paulo, recebeu a seguinte “carta de exigências” da instituição. Os nomes, tanto da pessoa que pleiteia a aposentadoria quanto de quem assina a carta, serão omitidos. O texto vai em sua conturbada e sofrida literalidade:
“Para dar andamento ao processo do Benefício em referência, solicito-vos comparecer, no endereço: Av. Santa Marina 1217, no horário de 07:00 às 15:00, para que as seguintes exigências sejam cumpridas:
- retirar a carteira profissional que se encontra em seu processo para que o empregador atualiza as alterações de salarios em vista da ultima anotação foi 1990 e o salario de contribuição esta divergente da ultima alteração
- recolher o 13 referente ao periodo de 1995 a 2004 que não foram recolhidos e 1 de ferias conforme consta os meses a serem recolhidos na carteira profissional
Comunico-vos que vosso pedido de Benefício sera indeferido por desinteresse, se não comparecerdes dentro de 10 dias a contar desta data.
Deveis apresentar esta carta no ato do comparecimento”.
Impressiona o ucasse desferido na penúltima linha contra o contribuinte: “... o Benefício será indeferido se não comparecerdes...” Mais impressionante ainda se torna quando se tem em conta que, antes de corridos os dez dias, o INSS entrou em greve, parou tudo e que se danem os solicitantes, os pleiteantes e os queixosos. Caso se queira mais uma dose de estupefação, acrescente-se que a carta foi emitida em maio, as exigências foram cumpridas, uma vez terminada a greve, e até agora nada. O benefício ainda não foi concedido. Mas releve-se. Não é esse o nosso ponto. Nem bem seriam as aflições infligidas à língua portuguesa, ao longo daquelas poucas linhas em que o idioma de Camões caminha aos trancos e barrancos, como um veículo desgovernado que despenca ladeira abaixo e bate um pára-lama aqui outro ali, cai num buraco, sofre bruscos solavancos, corcoveia, raspa a porta do barranco, capota, desliza – para enfim se estatelar sem remédio contra o último e insuperável obstáculo.
É este último obstáculo que nos interessa: o pronome “vós”. É verdade que a opção pelo vós, como tudo o mais, vai no vai-da-valsa, e sofre um retrocesso quando se fala em “seu processo”, a alturas tantas, mas sem dúvida é a da preferência do autor da carta, tanto assim que se afirma, triunfal, nas duas últimas linhas. Que razão teria conduzido a tal preferência? Arrisquemos algumas hipóteses.
A primeira é a busca da elegância. O “vós” faz bonito em textos como o célebre soneto de Bilac: “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso! E eu vos direi no entanto/ Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto/ E abro as janelas pálido de espanto”. A segunda seria a intenção de mostrar-se educado, num comunicado que afinal representa a palavra do próprio Estado brasileiro. Seria aconselhável, dada essa alta responsabilidade, o recurso a um pronome que assinala respeito e deferência. Mas... será? Elegância? Educação? São hipóteses que de saída sabemos pouco críveis. Tampouco se pode acreditar que o redator tenha empregado o “vós” porque lhe sai natural. Para isso, precisaríamos supô-lo alguém que tem a segunda pessoa do plural como ferramenta tão banal que é com ela que se comunica com a mulher em casa, os colegas de trabalho, os vendedores na feira. Não, não é possível.
Examinemos de novo o documento. Pensemos nele no contexto da relação do Estado com os cidadãos, no Brasil. Essa relação, segundo expôs recentemente a cientista política Lucia Hippolito, é de desconfiança. “Para a burocracia”, escreveu ela, “o cidadão tem sempre culpa, está sempre devendo, está sempre na obrigação de provar sua inocência com mais um documento, mais uma firma reconhecida, mais uma certidão autenticada em cartório.” Uma suspeita começa a se firmar. A crase não foi feita para humilhar ninguém, mas o “vós” foi. O desejo de acuar o cidadão, de encostar-lhe no peito a ponta da espada, de fazê-lo sentir-se pequeno, diante da majestade do Estado, foi esse, sim, só pode ter sido esse, o motivo pelo qual o redator da carta escolheu o “vós”.
O “vós”, tal qual se apresenta no texto, ressoa amedrontador como um castigo. Humilhar? Não, ainda é pouco. A intenção é aterrorizar. Volte-se ao texto: “Se não comparecerdes...” Isso é muito mais assustador do que “se você não comparecer”, ou “se o senhor não comparecer”. Soa como decreto vindo das alturas inatingíveis, dos príncipes incontrastáveis, do céu. Faz tremer como um trovão. E esse “vós” é tristemente significativo do Brasil. Simboliza o massacre cotidiano a que o Estado submete os cidadãos, os mais humildes em primeiro lugar. Entra governo e sai governo, entra década e sai década, essa é uma situação que permanece, inelutável como fenômeno da natureza. O presidente, os ministros, as CPIs, estes estão sempre preocupados com outras coisas. Cá em baixo, a relação entre o Estado e o cidadão comum sempre foi, e continua sendo, feita de pequenas atrocidades.
(Veja, 02 de novembro de 2005)
ucasse (s.m.): sentença
Considerando-se a análise que Roberto Pompeu de Toledo faz da carta enviada pelo INSS, é correto concluir que a linguagem das correspondências administrativas deve ser
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
1383580 Ano: 2008
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: IF-RN
Orgão: IF-RN
Provas:
A educação escolar é direito de todos os brasileiros como condição de acesso ao trabalho, à cidadania e à cultura, sendo uma das responsabilidades do poder público a elaboração de planos, programas e políticas de acesso à escola. Assim sendo, a partir da década de 1990 os planos e os programas de ensino oficiais para o Ensino Médio são traduzidos por meio
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas