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Falsificando Machado
A autora de livros infanto-juvenis Patrícia Engel Secco captou recursos da lei de incentivo de Ministério da Cultura para editar uma simplificação da novela O alienista, de Machado de Assis, da qual o Instituto Brasil Leitor distribuirá 300 mil exemplares para diversas instituições. A iniciativa não é isolada: isso também será feito com A pata da gazela, de José de Alencar.
Não se trata de paródia – caso de Memórias de minhas putas tristes, escrito em 2004 pelo Prêmio Nobel colombiano, Gabriel García Márquez, releitura assumida de A casa das belas adormecidas (de 1961), de outro laureado pela Academia Sueca, o japonês Yasunari Kawabata. A Sra. Secco, cuja obra é vasta, mas sem ter necessariamente merecido repercussão crítica proporcional ao total de títulos, também não se propôs a adaptar os textos para seu público costumeiro. Isso já ocorreu antes com as fábulas populares atribuídas ao grego Esopo e vertidas pelo francês Jean de la Fontaine, mil anos depois. Há no mercado uma versão para o texto de Machado para história em quadrinhos, mas também não é o caso.
A idéia original, mas nada luminosa, dela foi diferente dos exemplos citados. Segundo Manya Millen, de O Globo, o objetivo dela é "levar boa leitura a quem não lê, sendo que o foco não é o público infanto-juvenil, mas sim jovens e adultos já alfabetizados que não têm acesso ao livro". Ela "garante, também, que toda a carpintaria literária de Machado, assim como a de Alencar, foi preservada". Segundo a própria coordenadora do projeto, "houve um trabalho bastante elaborado para que Machado continuasse a ser Machado". E, após explicar que não escreveu, mas acompanhou as revisões e aprovou o resultado, ela lembrou: "Falei em facilitar a leitura, não simplificar o texto. A complexidade de Machado está lá, ele é um gênio inigualável".
Não é bem isso. No Caderno2 do Estado de ontem, João Cesar de Castro Rocha deu um exemplo da simplificação: Machado escreveu "sagacidade", "traduzido" para "esperteza". E concluiu: "Esperteza evoca o célebre jeitinho brasileiro e seu sentido nada tem a ver com o contexto das quatro ocorrências da palavra na obra".
A iniciativa gerou polêmica nas redes sociais. O escritor Ronaldo Bressane a apoiou, argumentando: "É preferível que o sujeito comece a ler através de uma adaptação bem-feita de um clássico do que seja obrigado a ler um texto ilegível e incompreensível segundo a linguagem e os parâmetros atuais". Pelo visto, ele parece não ter lido as novelas vitimadas pela simplificação. O alienista e A pata da gazela permitem leitura fácil e agradável sem exigir conhecimentos profundos das obras modificadas nem do vernáculo. Não é necessária ao leitor, por mais leigo que seja, a atenção exigida por Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, ou Os sertões, de Euclides da Cunha. Sem falar em Memórias póstumas de Brás Cubas, do próprio Machado de Assis.
"Pretensão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", diziam os antigos. Não é o caso da empreitada da Sra. Secco: a simplificação de Machado e Alencar é uma contrafação, que, em vez de facilitar a leitura, modificará na essência textos de autores que ela diz admirar. E há algo mais grave: o aval do Ministério da Cultura à falsificação, permitindo o uso de recursos originários da lei de incentivo para enganar o "Brasil leitor" com a grosseira violação da obra de mestres no uso do vernáculo.
Ana Maria Machado, consagrada autora de livros infantis e membro da Academia Brasileira de Letras, definiu o engodo de forma exata e implacável: é "inconcebível passar a limpo um mestre da língua".
Outro acadêmico, Domício Proença Filho, sugeriu: "Seria mais adequado situar em nota explicativa a significação e a sinonímia dos termos usados por ele". Ou, quem sabe, verter para português escorreito os barbarismos dos discursos da companheira Dilma. Tanto uma quanto outra tarefa, contudo, exigiriam esforço intelectual e tempo de trabalho muito maiores do que simplesmente buscar sinônimos mais simples de termos aparentemente de difícil compreensão no dicionário para substituí-los.
(Disponível em: estadão.com.br. Acesso em 11 de maio de 2014, com adaptações).
Os operadores argumentativos têm funções diversas dentro do texto. A principal delas é apontar o curso que a orientação argumentativa está seguindo. Assim, dentro do texto, a alternativa que mostra uma relação exata entre o operador destacado e a orientação argumentativa é:
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Falsificando Machado
A autora de livros infanto-juvenis Patrícia Engel Secco captou recursos da lei de incentivo de Ministério da Cultura para editar uma simplificação da novela O alienista, de Machado de Assis, da qual o Instituto Brasil Leitor distribuirá 300 mil exemplares para diversas instituições. A iniciativa não é isolada: isso também será feito com A pata da gazela, de José de Alencar.
Não se trata de paródia – caso de Memórias de minhas putas tristes, escrito em 2004 pelo Prêmio Nobel colombiano, Gabriel García Márquez, releitura assumida de A casa das belas adormecidas (de 1961), de outro laureado pela Academia Sueca, o japonês Yasunari Kawabata. A Sra. Secco, cuja obra é vasta, mas sem ter necessariamente merecido repercussão crítica proporcional ao total de títulos, também não se propôs a adaptar os textos para seu público costumeiro. Isso já ocorreu antes com as fábulas populares atribuídas ao grego Esopo e vertidas pelo francês Jean de la Fontaine, mil anos depois. Há no mercado uma versão para o texto de Machado para história em quadrinhos, mas também não é o caso.
A idéia original, mas nada luminosa, dela foi diferente dos exemplos citados. Segundo Manya Millen, de O Globo, o objetivo dela é "levar boa leitura a quem não lê, sendo que o foco não é o público infanto-juvenil, mas sim jovens e adultos já alfabetizados que não têm acesso ao livro". Ela "garante, também, que toda a carpintaria literária de Machado, assim como a de Alencar, foi preservada". Segundo a própria coordenadora do projeto, "houve um trabalho bastante elaborado para que Machado continuasse a ser Machado". E, após explicar que não escreveu, mas acompanhou as revisões e aprovou o resultado, ela lembrou: "Falei em facilitar a leitura, não simplificar o texto. A complexidade de Machado está lá, ele é um gênio inigualável".
Não é bem isso. No Caderno2 do Estado de ontem, João Cesar de Castro Rocha deu um exemplo da simplificação: Machado escreveu "sagacidade", "traduzido" para "esperteza". E concluiu: "Esperteza evoca o célebre jeitinho brasileiro e seu sentido nada tem a ver com o contexto das quatro ocorrências da palavra na obra".
A iniciativa gerou polêmica nas redes sociais. O escritor Ronaldo Bressane a apoiou, argumentando: "É preferível que o sujeito comece a ler através de uma adaptação bem-feita de um clássico do que seja obrigado a ler um texto ilegível e incompreensível segundo a linguagem e os parâmetros atuais". Pelo visto, ele parece não ter lido as novelas vitimadas pela simplificação. O alienista e A pata da gazela permitem leitura fácil e agradável sem exigir conhecimentos profundos das obras modificadas nem do vernáculo. Não é necessária ao leitor, por mais leigo que seja, a atenção exigida por Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, ou Os sertões, de Euclides da Cunha. Sem falar em Memórias póstumas de Brás Cubas, do próprio Machado de Assis.
"Pretensão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", diziam os antigos. Não é o caso da empreitada da Sra. Secco: a simplificação de Machado e Alencar é uma contrafação, que, em vez de facilitar a leitura, modificará na essência textos de autores que ela diz admirar. E há algo mais grave: o aval do Ministério da Cultura à falsificação, permitindo o uso de recursos originários da lei de incentivo para enganar o "Brasil leitor" com a grosseira violação da obra de mestres no uso do vernáculo.
Ana Maria Machado, consagrada autora de livros infantis e membro da Academia Brasileira de Letras, definiu o engodo de forma exata e implacável: é "inconcebível passar a limpo um mestre da língua".
Outro acadêmico, Domício Proença Filho, sugeriu: "Seria mais adequado situar em nota explicativa a significação e a sinonímia dos termos usados por ele". Ou, quem sabe, verter para português escorreito os barbarismos dos discursos da companheira Dilma. Tanto uma quanto outra tarefa, contudo, exigiriam esforço intelectual e tempo de trabalho muito maiores do que simplesmente buscar sinônimos mais simples de termos aparentemente de difícil compreensão no dicionário para substituí-los.
(Disponível em: estadão.com.br. Acesso em 11 de maio de 2014, com adaptações).
De acordo com definições teóricas para o fenômeno da polifonia, ela pode ser observada nos seguintes trechos destacados:
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Falsificando Machado
A autora de livros infanto-juvenis Patrícia Engel Secco captou recursos da lei de incentivo de Ministério da Cultura para editar uma simplificação da novela O alienista, de Machado de Assis, da qual o Instituto Brasil Leitor distribuirá 300 mil exemplares para diversas instituições. A iniciativa não é isolada: isso também será feito com A pata da gazela, de José de Alencar.
Não se trata de paródia – caso de Memórias de minhas putas tristes, escrito em 2004 pelo Prêmio Nobel colombiano, Gabriel García Márquez, releitura assumida de A casa das belas adormecidas (de 1961), de outro laureado pela Academia Sueca, o japonês Yasunari Kawabata. A Sra. Secco, cuja obra é vasta, mas sem ter necessariamente merecido repercussão crítica proporcional ao total de títulos, também não se propôs a adaptar os textos para seu público costumeiro. Isso já ocorreu antes com as fábulas populares atribuídas ao grego Esopo e vertidas pelo francês Jean de la Fontaine, mil anos depois. Há no mercado uma versão para o texto de Machado para história em quadrinhos, mas também não é o caso.
A idéia original, mas nada luminosa, dela foi diferente dos exemplos citados. Segundo Manya Millen, de O Globo, o objetivo dela é "levar boa leitura a quem não lê, sendo que o foco não é o público infanto-juvenil, mas sim jovens e adultos já alfabetizados que não têm acesso ao livro". Ela "garante, também, que toda a carpintaria literária de Machado, assim como a de Alencar, foi preservada". Segundo a própria coordenadora do projeto, "houve um trabalho bastante elaborado para que Machado continuasse a ser Machado". E, após explicar que não escreveu, mas acompanhou as revisões e aprovou o resultado, ela lembrou: "Falei em facilitar a leitura, não simplificar o texto. A complexidade de Machado está lá, ele é um gênio inigualável".
Não é bem isso. No Caderno2 do Estado de ontem, João Cesar de Castro Rocha deu um exemplo da simplificação: Machado escreveu "sagacidade", "traduzido" para "esperteza". E concluiu: "Esperteza evoca o célebre jeitinho brasileiro e seu sentido nada tem a ver com o contexto das quatro ocorrências da palavra na obra".
A iniciativa gerou polêmica nas redes sociais. O escritor Ronaldo Bressane a apoiou, argumentando: "É preferível que o sujeito comece a ler através de uma adaptação bem-feita de um clássico do que seja obrigado a ler um texto ilegível e incompreensível segundo a linguagem e os parâmetros atuais". Pelo visto, ele parece não ter lido as novelas vitimadas pela simplificação. O alienista e A pata da gazela permitem leitura fácil e agradável sem exigir conhecimentos profundos das obras modificadas nem do vernáculo. Não é necessária ao leitor, por mais leigo que seja, a atenção exigida por Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, ou Os sertões, de Euclides da Cunha. Sem falar em Memórias póstumas de Brás Cubas, do próprio Machado de Assis.
"Pretensão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", diziam os antigos. Não é o caso da empreitada da Sra. Secco: a simplificação de Machado e Alencar é uma contrafação, que, em vez de facilitar a leitura, modificará na essência textos de autores que ela diz admirar. E há algo mais grave: o aval do Ministério da Cultura à falsificação, permitindo o uso de recursos originários da lei de incentivo para enganar o "Brasil leitor" com a grosseira violação da obra de mestres no uso do vernáculo.
Ana Maria Machado, consagrada autora de livros infantis e membro da Academia Brasileira de Letras, definiu o engodo de forma exata e implacável: é "inconcebível passar a limpo um mestre da língua".
Outro acadêmico, Domício Proença Filho, sugeriu: "Seria mais adequado situar em nota explicativa a significação e a sinonímia dos termos usados por ele". Ou, quem sabe, verter para português escorreito os barbarismos dos discursos da companheira Dilma. Tanto uma quanto outra tarefa, contudo, exigiriam esforço intelectual e tempo de trabalho muito maiores do que simplesmente buscar sinônimos mais simples de termos aparentemente de difícil compreensão no dicionário para substituí-los.
(Disponível em: estadão.com.br. Acesso em 11 de maio de 2014, com adaptações).
O título do artigo tem uma carga semântica levemente negativa, o que já marca um posicionamento por parte do autor do artigo. Dentro do texto, “falsificando” indica:
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Leia o poema a seguir para a questão.
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
Assim como o poema trabalha com a noção de oposição (antonímias), também se utiliza da noção de sinonímias, aproximando termos que inicialmente não seriam encarados como tal. Dois dos termos aproximados como sinônimos são:
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Leia o poema a seguir para a questão.
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
Ao longo do poema de Vinicius de Moraes, são construídos vários sentidos novos para o substantivo “rosa”. Um desses sentidos se constrói pela antítese de “rosa” com “Hiroshima” e “Sem cor sem perfume”. Tais relações antonímias expressam:
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Leia o excerto abaixo para a questão.
66. Botafogo etc.
Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
As figuras de linguagem também têm um papel especial na composição poética de Oswald de Andrade. De acordo com o excerto apresentado, podemos apontar que:
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Leia o excerto abaixo para a questão.
66. Botafogo etc.
Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
A palavra "bandeiranacionalizavam" passou por dois processos especiais de formação, os quais são:
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Leia o excerto abaixo para a questão.
66. Botafogo etc.
Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
Ainda sobre as palavras destacadas na questão anterior, por elas terem sido deslocadas de sua classe gramatical e pertencerem, dentro do excerto, a uma nova classe, o efeito de sentido obtido foi:
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Leia o excerto abaixo para a questão.
66. Botafogo etc.
Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
Nas palavras "Beiramarávamos" e "bandeiranacionalizavam" é visível um processo de deslocamento de classes gramaticais. Essa troca ocorre entre:
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Leia o excerto abaixo para a questão.
66. Botafogo etc.
Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam o verde dos montes interiores. No outro lado da baía a serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava entrava em túneis. Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.
Analisando formalmente a linguagem empregada na obra Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, da qual o excerto faz parte, alguns teóricos a aproximam da estética cubista. E podemos notar no texto algumas características próprias dessa estética, tais como:
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