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72229 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS
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Texto I

Briga em salão de beleza deixa oito mulheres queimadas em Salvador

Folha Online 09 de julho de 2009

Uma mulher foi presa nesta quinta-feira após jogar um produto químico em outras oito mulheres que estavam em um salão de beleza no Pelourinho, em Salvador (BA). Segundo a Polícia Civil, as vítimas sofreram queimaduras pelo corpo e ao menos uma delas estava em estado grave.

De acordo com informações da 1ª DP da cidade, o crime ocorreu no início da tarde de hoje, e as vítimas foram socorridas e encaminhadas ao HGE (Hospital Geral do Estado).

Segundo dados preliminares da polícia, a agressora teria atacado uma das mulheres no salão por desconfiar que ela teria um caso com o seu marido. Porém, ao jogar o produto na vítima, o líquido espirrou e atingiu outras sete mulheres.

Ainda de acordo com a polícia, a mulher fugiu e foi presa apenas no início da noite de hoje. Por volta das 21h, ela ainda prestava depoimento ao delegado responsável pela ocorrência. A polícia ainda não identificou que tipo de produto foi usado.

Texto II

Ex-deputado envolvido em acidente que matou 2 no PR agradece orações em outdoors

Agência Folha 10 de julho de 2009

O ex-deputado estadual no Paraná Fernando Carli Filho, 26, que se envolveu em um acidente que matou dois jovens em maio, pagou por cerca de 20 outdoors com mensagens de agradecimento em Guarapuava (PR), sua cidade natal.

Carli Filho é indiciado por homicídio após acidente que deixou dois mortos no Paraná.

No texto publicado no anúncio, assinado por ele, Carli Filho agradece "a Deus pela vida" e a todos que "estão orando" por sua recuperação.

Desde o final de junho, o ex-deputado está em Guarapuava, onde seu pai, Fernando Ribas Carli (PP), é prefeito. No acidente, ocorrido em Curitiba, dois jovens de 26 e 20 anos morreram na hora.

Carli Filho, que dirigia bêbado, chegou a ser internado em estado grave. Ele renunciou ao mandato e foi indiciado sob suspeita de homicídio com dolo eventual (quando é assumido o risco de produzir o crime).

Os outdoors espalhados pela cidade custaram cerca de R$ 300 cada e foram instalados na terça-feira (7) pela manhã.

Na segunda-feira (6), ele teve negado o retorno ao PSB, partido ao qual era filiado. Carli Filho pediu em junho a desfiliação do partido, que havia instaurado um processo de expulsão contra ele.

A Folha procurou o ex-deputado nos últimos três dias, mas ele não ligou de volta. Em junho, a defesa dele reclamou que o caso foi transformado "em um espetáculo" e afirmou que Carli Filho "merece o direito" de se defender.

Sobre o texto II podemos inferir:

 

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72228 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS
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Briga em salão de beleza deixa oito mulheres queimadas em Salvador

Folha Online 09 de julho de 2009

Uma mulher foi presa nesta quinta-feira após jogar um produto químico em outras oito mulheres que estavam em um salão de beleza no Pelourinho, em Salvador (BA). Segundo a Polícia Civil, as vítimas sofreram queimaduras pelo corpo e ao menos uma delas estava em estado grave.

De acordo com informações da 1ª DP da cidade, o crime ocorreu no início da tarde de hoje, e as vítimas foram socorridas e encaminhadas ao HGE (Hospital Geral do Estado).

Segundo dados preliminares da polícia, a agressora teria atacado uma das mulheres no salão por desconfiar que ela teria um caso com o seu marido. Porém, ao jogar o produto na vítima, o líquido espirrou e atingiu outras sete mulheres.

Ainda de acordo com a polícia, a mulher fugiu e foi presa apenas no início da noite de hoje. Por volta das 21h, ela ainda prestava depoimento ao delegado responsável pela ocorrência. A polícia ainda não identificou que tipo de produto foi usado.

Identifique a assertiva adequada.

 

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72227 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS
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Briga em salão de beleza deixa oito mulheres queimadas em Salvador

Folha Online 09 de julho de 2009

Uma mulher foi presa nesta quinta-feira após jogar um produto químico em outras oito mulheres que estavam em um salão de beleza no Pelourinho, em Salvador (BA). Segundo a Polícia Civil, as vítimas sofreram queimaduras pelo corpo e ao menos uma delas estava em estado grave.

De acordo com informações da 1ª DP da cidade, o crime ocorreu no início da tarde de hoje, e as vítimas foram socorridas e encaminhadas ao HGE (Hospital Geral do Estado).

Segundo dados preliminares da polícia, a agressora teria atacado uma das mulheres no salão por desconfiar que ela teria um caso com o seu marido. Porém, ao jogar o produto na vítima, o líquido espirrou e atingiu outras sete mulheres.

Ainda de acordo com a polícia, a mulher fugiu e foi presa apenas no início da noite de hoje. Por volta das 21h, ela ainda prestava depoimento ao delegado responsável pela ocorrência. A polícia ainda não identificou que tipo de produto foi usado.

Não se pode defender a seguinte afirmação:

 

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72226 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS
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Briga em salão de beleza deixa oito mulheres queimadas em Salvador

Folha Online 09 de julho de 2009

Uma mulher foi presa nesta quinta-feira após jogar um produto químico em outras oito mulheres que estavam em um salão de beleza no Pelourinho, em Salvador (BA). Segundo a Polícia Civil, as vítimas sofreram queimaduras pelo corpo e ao menos uma delas estava em estado grave.

De acordo com informações da 1ª DP da cidade, o crime ocorreu no início da tarde de hoje, e as vítimas foram socorridas e encaminhadas ao HGE (Hospital Geral do Estado).

Segundo dados preliminares da polícia, a agressora teria atacado uma das mulheres no salão por desconfiar que ela teria um caso com o seu marido. Porém, ao jogar o produto na vítima, o líquido espirrou e atingiu outras sete mulheres.

Ainda de acordo com a polícia, a mulher fugiu e foi presa apenas no início da noite de hoje. Por volta das 21h, ela ainda prestava depoimento ao delegado responsável pela ocorrência. A polícia ainda não identificou que tipo de produto foi usado.

Infere-se da leitura do texto que

 

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72225 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS

Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Analise os itens abaixo.

I.A leitura atenta do texto nos mostra que o comportamento dos jovens tem influência direta da situação social, da mídia, da própria índole, de traumas, entre outros fatores. Isso está presente a partir do 1º parágrafo.

II.O texto apresenta linguagem eminentemente denotativa, por isso não há casos de metáforas.

III.Em “e tento respeitar também os *nãos* que recebo.” O verbo destacado é transitivo direto e tem como objeto direto o pronome que.

 

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72224 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS

Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Julgue as assertivas.

I. No 6º parágrafo, em “Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas.” O elemento destacado retoma adolescentes ou jovens.

II. No 4º parágrafo, em “Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.” É possível termos nesse caso, em destaque, o sinal indicador de crase, mas haverá alteração de funções sintáticas.

III. No 8º parágrafo, em “Transam sem camisinha. Batem em professores.” Temos para os dois verbos destacados um típico caso de sujeito indeterminado com verbos na 3ª pessoa do plural.

 

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72223 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS

Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Escolha a informação inadequada a partir do excerto: “Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida.”

 

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72222 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
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Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Em “Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles.” (8º parágrafo) e em “O *não* protege, ensina e prepara.” (9º parágrafo), não temos:

 

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72221 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
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Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

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72220 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: IFS
Orgão: IFS

Criando um monstro

(Karina dos Santos Cabral)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: 'ela *não* quis falar comigo'. A garota disse *não*, *não* quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um *não*. Seu desejo era mais importante.

Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o *não* da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros *nãos* nessa história toda. Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos *NÃO* podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que *NÃO* iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que *NÃO* iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer *NÃO* ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer *NÃO* ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. *N Ã O*.

Pelo jeito, a única que disse *não* nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de *nãos*. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer *não* às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer *não* aos maridos (e alguns maridos, temem dizer *não* às esposas). Pessoas têm medo de dizer *não* aos amigos. Noras que não conseguem dizer *não* às sogras, chefes que não dizem *não* aos subordinados, gente que não consegue dizer *não* aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.

Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um *não*, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer *não*, você *não* pode bater no seu amiguinho. *Não*, você *não* vai assistir a uma novela feita para adultos. *Não*, você *não* vai fumar maconha enquanto for contra a lei. *Não*, você *não* vai passar a madrugada na rua. *Não*, você *não* vai dirigir sem carteira de habilitação. *Não*, você *não* vai beber uma cervejinha enquanto *não* fizer 18 anos. *Não*, essas pessoas *não* são companhias pra você. *Não*, hoje você *não* vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. *Não*, aqui *não* é lugar para você ficar. *Não*, você *não* vai faltar na escola sem estar doente. *Não*, essa conversa *não* é pra você se meter. *Não*, com isto você *não* vai brincar. *Não*, hoje você está de castigo e *não* vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes *NÃOS* crescem sem saber que o mundo *não* é só deles. E aí, no primeiro *não* que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um *não*. Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns *nãos* de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer *não* a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.

O *não* protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer *não* aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os *nãos* que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

Em “Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias.” Não podemos inferir que:

 

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