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TEXTO II
Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na TV
DE MÃE PARA MÃE
Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado. .
Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.
Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs,etc
Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender seu protesto. Quero com ele fazer coro.
Enorme é a distância que me separa do meu filho.
Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.
Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família...
Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha para mim importante papel de amigo e conselheiro espiritual.
Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo-locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... .
Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, viu, que eu estarei pagando, de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem. Nem no cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas “Entidades” que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar “Os meus direitos”! DIREITOS HUMANOS SÃO PARA HUMANOS DIREITOS?
Não se conclui através da leitura do texto que
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TEXTO I
Quanto custa comprar uma criança? E um trabalhador?
21/02/2010 Leonardo Sakamoto
No Pará, ouvi um garimpeiro reclamar que o bordel que frequentava só tinha “puta com idade de vaca velha”. Ou seja, 12 anos.Para levar, de R$ 20,00 a R$ 40,00. Em um posto de combustível no Tocantins, meninas, baixinhas, franzinas, ofereciam programas. Um dos meus companheiros de viagem explicou que elas entram na boleia do caminhão por menos de R$ 30,00
Um trabalhador no Maranhão me contou que, antes de se tornar escravo, foi comprado por um fazendeiro para limpar pasto e derrubar floresta amazônica. Seu preço: R$ 80,00.
A Belém-Brasília, que foi construída sob a justificativa de integrar o país e ocupar o interior ajudou a enriquecer alguns poucos, trouxe outros milhares que perseguiam um sonho de vida melhor e viu milhões serem explorados em fazendas, carvoarias, bordéis, fábricas, garimpos, mineradoras do seu entorno. Em sua região de influência, convivem a riqueza, que manda suas filhas estudarem no exterior, e a pobreza, que empurra as suas filhas para os postos nas madrugadas quentes. Ou seja, não faltam exemplos do que acontece quando o desenvolvimento vem na forma de grandes projetos, como hidrelétricas, siderúrgicas, estradas, estádios da Copa, sem se preocupar com a qualidade de vida das pequenas pessoas.
O tema vai surgir nas eleições presidenciais e estaduais deste ano como parte do debate sobre geração de empregos. Mas, tenha a certeza, sem que se discuta que empregos são esses.
Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil, nos contou que ouviu uma justificativa para toda essa exploração da boca de um fazendeiro português com terras no Mato Grosso: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”.
Analisando o 1° período do 3° parágrafo, estão corretas todas as afirmações, exceto:
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TEXTO I
Quanto custa comprar uma criança? E um trabalhador?
21/02/2010 Leonardo Sakamoto
No Pará, ouvi um garimpeiro reclamar que o bordel que frequentava só tinha “puta com idade de vaca velha”. Ou seja, 12 anos.Para levar, de R$ 20,00 a R$ 40,00. Em um posto de combustível no Tocantins, meninas, baixinhas, franzinas, ofereciam programas. Um dos meus companheiros de viagem explicou que elas entram na boleia do caminhão por menos de R$ 30,00
Um trabalhador no Maranhão me contou que, antes de se tornar escravo, foi comprado por um fazendeiro para limpar pasto e derrubar floresta amazônica. Seu preço: R$ 80,00.
A Belém-Brasília, que foi construída sob a justificativa de integrar o país e ocupar o interior ajudou a enriquecer alguns poucos, trouxe outros milhares que perseguiam um sonho de vida melhor e viu milhões serem explorados em fazendas, carvoarias, bordéis, fábricas, garimpos, mineradoras do seu entorno. Em sua região de influência, convivem a riqueza, que manda suas filhas estudarem no exterior, e a pobreza, que empurra as suas filhas para os postos nas madrugadas quentes. Ou seja, não faltam exemplos do que acontece quando o desenvolvimento vem na forma de grandes projetos, como hidrelétricas, siderúrgicas, estradas, estádios da Copa, sem se preocupar com a qualidade de vida das pequenas pessoas.
O tema vai surgir nas eleições presidenciais e estaduais deste ano como parte do debate sobre geração de empregos. Mas, tenha a certeza, sem que se discuta que empregos são esses.
Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil, nos contou que ouviu uma justificativa para toda essa exploração da boca de um fazendeiro português com terras no Mato Grosso: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”.
As palavras sublinhadas no 2° parágrafo devem ser interpretadas como casos de
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TEXTO I
Quanto custa comprar uma criança? E um trabalhador?
21/02/2010 Leonardo Sakamoto
No Pará, ouvi um garimpeiro reclamar que o bordel que frequentava só tinha “puta com idade de vaca velha”. Ou seja, 12 anos.Para levar, de R$ 20,00 a R$ 40,00. Em um posto de combustível no Tocantins, meninas, baixinhas, franzinas, ofereciam programas. Um dos meus companheiros de viagem explicou que elas entram na boleia do caminhão por menos de R$ 30,00
Um trabalhador no Maranhão me contou que, antes de se tornar escravo, foi comprado por um fazendeiro para limpar pasto e derrubar floresta amazônica. Seu preço: R$ 80,00.
A Belém-Brasília, que foi construída sob a justificativa de integrar o país e ocupar o interior ajudou a enriquecer alguns poucos, trouxe outros milhares que perseguiam um sonho de vida melhor e viu milhões serem explorados em fazendas, carvoarias, bordéis, fábricas, garimpos, mineradoras do seu entorno. Em sua região de influência, convivem a riqueza, que manda suas filhas estudarem no exterior, e a pobreza, que empurra as suas filhas para os postos nas madrugadas quentes. Ou seja, não faltam exemplos do que acontece quando o desenvolvimento vem na forma de grandes projetos, como hidrelétricas, siderúrgicas, estradas, estádios da Copa, sem se preocupar com a qualidade de vida das pequenas pessoas.
O tema vai surgir nas eleições presidenciais e estaduais deste ano como parte do debate sobre geração de empregos. Mas, tenha a certeza, sem que se discuta que empregos são esses.
Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil, nos contou que ouviu uma justificativa para toda essa exploração da boca de um fazendeiro português com terras no Mato Grosso: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”.
Conclui-se através da leitura do texto que
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
Considerando pelo menos três dos quatro textos, só não podemos inferir o seguinte:
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
Em “...que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação...”
I. A eliminação das vírgulas alteraria o sentido.
II. O elemento sublinhado tem função sintática.
III. Temos aí uma oração subordinada que restringe o sentido da principal.
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
Ainda sobre o texto se conclui:
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
A partir do texto se conclui que as cotas
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
Em “...o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano...”, só não se pode afirmar que
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TEXTO IV
Cotas ampliam a possibilidade de mobilidade social
A política de cotas, seja racial ou social, representa um dos mais expressivos avanços da sociedade brasileira com vistas a reparar a sua histórica e quase naturalizada política de discriminação e intolerância. Em nosso país “varonil”, democracia, liberdade e igualdade de direitos e oportunidades, durante muito tempo e para muitos, só teve sentido quando não conflitava com os interesses pessoais ou de grupos político, ideológico e economicamente hegemônicos. As cotas, além de ampliar a possibilidade de mobilidade social, revigoram o necessário debate sobre lutas de classe, intolerância e naturalização dos fenômenos históricos.
Na grande teia global, onde a uniformização dos traços materiais e simbólicos se impõe de modo avassalador, qualquer movimento em descompasso com a ordem costuma ser intransigentemente desqualificado. A tônica liberal do estabelecimento por competência se reafirma e discrimina qualquer perspectiva que culpe o sistema pelo atual estado de parcelas expressivas das populações negras e pobres. Para os da “competente e competitiva ordem” os problemas dessas populações carentes se iniciam e se encerram nelas mesmas, são elas a raiz e copa da frondosa árvore de maus frutos sociais. Os discursos que se arvoram na defesa da meritocracia liberal são excludentes e estão convencidos e comprometidos com o convencimento de que é democrático e justo tratar com igualdade os desiguais, oferecendo aos sem oportunidades (leia-se sem qualidade de educação, sem boa saúde, sem saneamento, sem respeito, sem etc...), a oportunidade de concorrer e alcançar os mais destacados papéis e status sociais. Mera quimera!
Incisivas críticas anti-cotas são vociferadas por diversas instituições privadas de Ensino Médio, que têm nos índices de aprovação dos vestibulares a pretensa e frágil certificação da sua qualidade.Aqui, nas terras do cacique Serigy, até passeatas já foram realizadas pelos que se diziam preocupados com os “riscos” que o acesso dos negros e pobres poderiam causar à qualidade do Ensino Superior sergipano. Mas o que realmente se descortina no gesto “cívico” dos serygienses do Ensino Médio privado é um deslavado sentimento de posse das vagas do Ensino Superior público. Professores, alunos e direção, que raciocinam prioritariamente pelo método falso-verdadeiro como se o maniqueísmo das suas sentenças fosse um representação válida e coerente da qualidade da boa educação.
Para mim, filho e neto de negros pobres, a ocupação de papéis e status no ambiente acadêmico não foram resultantes de cotas, pois elas ainda não estavam estabelecidas, mas se já as tivessem faria questão de ingressar ao Ensino Superior por esta via, pois entendo as cotas, raciais ou sociais, como um instrumento, sobretudo, político e, portanto uma ação de poder que resulta da luta organizada dos movimentos sociais. Cotas não são um benefício, uma premiação ou uma demonstração de arrependimento ou piedade, são instrumentos, tentativas de reparação das injustiças de um cenário em que a pretos e pobres sempre foram reservadas cotas nos papéis de bandidos.
(Antonio Bittencourt Júnior, Coordenador do curso de História da Unit, graduado em História pela UFS e mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ. 12/08/2008 – INFONET)
O emprego das aspas em “varonil” se justifica como marca de
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