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Foram encontradas 147 questões.

2707402 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item que se segue, a respeito das idéias e das estruturas lexicais, morfossintáticas e semânticas do texto.

No texto, dois campos semânticos confrontam-se: de um lado: “localidade” / “existência” / “eixo da coexistência” / “cooperação”; de outro “globalidade”/ “essência” / “eixo dos tempos internos” / “conflito”.

 

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2707401 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

Quando as 5 mil pequenas lâmpadas iluminaram a fachada do Palácio da Eletricidade, por ocasião da inauguração da Exposição Universal de Paris (1900), causando assombro à multidão que assistia ao espetáculo, comprovou-se o triunfo da ciência e a soberania da máquina. A luz vencera o limite da noite e instaurava as 24 horas como o novo tempo da cidade.

A arte afastava-se do mundo burguês à procura de nova clientela, capaz de um ato de fruição total. Era preciso tornar-se autêntica e, para isso, ela precisava eliminar dos seus efeitos específicos quaisquer outros que pudessem ter sido tomados por empréstimo. Era necessário tornar-se “autárquica”, “pura”.

A busca incessante dessa pureza motivou os artistas do início do século XX, o que resultou na produção de obras que deram corpo a uma notável revolução cultural.

P. E. Grinberg e A. A. Luz. Revoluções artístico-culturais no século XX. In: F. C. Teixeira da Silva (coord.). Século sombrio: guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004 (com adaptações).

Com base no texto, julgue (C ou E) o item que se segue.

A concordância verbal em “comprovou-se” atende regra segundo a qual, em construções com posposição de sujeito composto, é obrigatória a concordância do verbo com o primeiro núcleo do sujeito.

 

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2707400 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

À época da independência, a economia colonial podia ser descrita de maneira simplificada. Era composta por: latifúndios voltados para a produção de mercadorias exportáveis, como o açúcar, o tabaco, o algodão; fazendas dedicadas à produção para o mercado interno (feijão, arroz, milho) e à criação de gado, estas sobretudo no norte e no sul; e centros mineradores já em fase de decadência. Acrescente-se, ainda, grande número de pequenas propriedades voltadas para a agricultura e a pecuária de subsistência. Nas cidades costeiras, capitais de províncias, predominavam o grande e o pequeno comércio. Os comerciantes mais ricos eram os que se dedicavam ao tráfico de escravos.

A única alteração importante nessa economia deu-se com o desenvolvimento da cultura do café. Já na década de 30, o produto assumira o primeiro lugar nas exportações. Mas o café não mudou o padrão econômico anterior: era também um produto de exportação baseado no trabalho escravo. Esse modelo sobreviveu ainda por mais cem anos. Só começou a ser desmontado após 1930. As conseqüências da hegemonia do café foram principalmente políticas. O fato de se ter ela estabelecido a partir do Rio de Janeiro ajudou a consolidar o novo governo do país, sediado nesta província. Se não fosse a coincidência do centro político com o centro econômico, os esforços da elite política para manter a unidade do país poderiam ter fracassado.

J. M. de Carvalho. Fundamentos da política e da sociedade brasileiras. In: L. Avelar e A. O. Cintra (orgs.). Sistema político brasileiro: uma introdução. Rio de Janeiro: Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung; São Paulo: Fundação UNESP, 2004, p. 23.

Julgue (C ou E) o item a seguir, que dizem respeito ao período “Mas o café não mudou o padrão econômico anterior: era também um produto de exportação baseado no trabalho escravo”.

O período permanecerá perfeitamente em conformidade com os padrões da escrita culta se “baseado” for substituído por: que se baseava.

 

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2707399 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

circum-lóquio

(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo terceiro-mundista

7.
o neoliberal
sonha um admirável
mundo fixo
de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes
coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do
perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre – festa
estática
(ainda que sustente sobre
fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)

Haroldo de Campos. Poema inédito. In: Folha de S. Paulo, 12/6/1998.

Com base na análise do vocabulário da estrofe transcrita no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

A composição por justaposição, como processo de formação de palavras, prevalece no texto, tendo como exemplos: “neoliberal”, “multinacionais”, “terratenentes” e “terrapotentes”.

 

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2707398 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

circum-lóquio

(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo terceiro-mundista

7.
o neoliberal
sonha um admirável
mundo fixo

de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes
coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do
perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre – festa
estática
(ainda que sustente sobre
fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)

Haroldo de Campos. Poema inédito. In: Folha de S. Paulo, 12/6/1998.

Haroldo de Campos lançou, em 1956, o movimento nacional e internacional de Poesia Concreta. Julgue (C ou E) o item a seguir, considerando o contexto histórico, cultural e temático do poema acima (texto).

A expressão “admirável mundo fixo” (v.2 e 3) remete a conhecida obra do escritor inglês Aldous Huxley.

 

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2707397 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

circum-lóquio

(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo terceiro-mundista

7.
o neoliberal
sonha um admirável
mundo fixo
de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes
coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do
perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre – festa
estática
(ainda que sustente sobre
fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)

Haroldo de Campos. Poema inédito. In: Folha de S. Paulo, 12/6/1998.

Com base na análise do vocabulário da estrofe transcrita no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

O autor utiliza os seguintes estrangeirismos: “terratenentes”, “status quo”, “privé”, “bunker blau” e “fictas”, que deveriam ter sido obrigatoriamente escritos em itálico.

 

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2707396 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).

Considerando as idéias e as estruturas morfossintáticas do texto, julgue (C ou E) o seguinte item.

No primeiro período do texto, a noção de oposição é produzida, via semântica, pelo emprego de duas antíteses: “localidade”/“globalidade” e “opõe”/ “confunde”.

 

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2707395 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

O período que se seguiu à Grande Guerra pode ser decomposto em três grandes fatias: de 1919 a 1924–28, quando todos os países europeus procuraram liquidar os resquícios deixados pela guerra e voltar às condições econômicas normais, equivale dizer, às condições dominantes em 1914; de 1924–28 a 1931–33, com o grande surto de prosperidade, que trazia, no seu bojo, os elementos da crise detonada
nos EUA em 1929; de 1932–33 a 1939, quando os governos se empenharam no esforço coletivo para superar a crise, desenvolvendo práticas intervencionistas não adotadas até então.

J . J. de Arruda. A crise do capitalismo. D. A. Reis Filho, J. Ferreira, C. Zenha (orgs.). In: O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 22 (com adaptações).

Com relação ao texto, assinale a opção incorreta.

 

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2707394 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

Que outras lições poderia eu receber de um português que viveu no século XVI, que compôs as rimas e as glórias, os naufrágios e os desencantos pátrios de Os Lusíadas, que foi um gênio poético absoluto, o maior da nossa Literatura, por muito que isso pese a Fernando Pessoa, que a si mesmo se proclamou como o Super-Camões dela? Nenhuma lição que estivesse à minha medida, nenhuma lição que eu fosse capaz de aprender, salvo a mais simples que me poderia ser oferecida pelo homem Luís Vaz de Camões na sua extrema humanidade, por exemplo, a humildade orgulhosa de um autor que vai chamando a todas as portas à procura de quem esteja disposto a publicar-lhe o livro que escreveu, sofrendo por isso o desprezo dos ignorantes de sangue e de casta, a indiferença desdenhosa de um rei e da sua companhia de poderosos, o escárnio com que, desde sempre, o mundo tem recebido a visita dos poetas, dos visionários e dos loucos.

Ao menos uma vez na vida, todos os autores tiveram ou terão de ser Luís de Camões, mesmo se não escreveram as redondilhas entre fidalgos da corte e censores do Santo Ofício, entre os amores de antanho e as desilusões da velhice prematura, entre a dor de escrever e a alegria de ter escrito, foi a este homem doente que regressa pobre da Índia, aonde muitos só iam para enriquecer, foi a este soldado cego de um olho e golpeado na alma, foi a este sedutor sem fortuna que não voltará nunca mais a perturbar os sentidos das damas do paço, que eu pus a viver no palco da peça de teatro chamada: Que Farei com Este Livro?, em cujo final ecoa uma outra pergunta, aquela que importa verdadeiramente, aquela que nunca saberemos se alguma vez chegará a ter resposta suficiente: “Que farei com este livro?”

José Saramago. Discurso proferido por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel de Literatura. Estocolmo, 1998 (com adaptações).

No discurso de José Saramago, a obra Os Lusíadas e seu autor, Luís de Camões, são mencionados com admiração e reverência. Julgue (C ou E) o item a seguir, com base no texto.

José Saramago alude a Fernando Pessoa como o “Super-Camões” (l.3), relativizando o sentido do predicado “um gênio poético absoluto” (l.2), atribuído a Camões.

 

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2707393 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).

Considerando as idéias e as estruturas morfossintáticas do texto, julgue (C ou E) o seguinte item.

É possível estabelecer uma analogia entre “tempos externos das escalas superiores” e sincronia e entre “eixo dos tempos internos” e diacronia.

 

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