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Texto para a questão
As três almas do poeta
Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.
É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.
A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).
Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.
Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.
Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).
Acerca de fatos lingüísticos do primeiro parágrafo do texto, julgue (C ou E) o item seguinte.
Na oração “por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália”, pode-se substituir “de” por da sem prejuízo para o sentido original do texto.
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Texto para a questão
As três almas do poeta
Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.
É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.
A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).
Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.
Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.
Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).
Acerca de fatos lingüísticos do primeiro parágrafo do texto, julgue (C ou E) o item seguinte.
No primeiro parágrafo, há mais de um aposto.
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Texto para a questão
As três almas do poeta
Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.
É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.
A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).
Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.
Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.
Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).
Acerca de fatos lingüísticos do primeiro parágrafo do texto, julgue (C ou E) o item seguinte.
Há, no primeiro parágrafo, quatro orações subordinadas de natureza explicativa.
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Texto para a questão
Frente à tradição hindu que há 2.500 anos divide a sociedade indiana em mais de 2.000 castas, os 60 anos dos ideais liberais de Gandhi e os 10 anos da legalização do casamento entre castas revelam-se impotentes para transformar a organização hierárquica da sociedade. Em confronto direto com o costume milenar, o governo da Índia oferece uma recompensa de R$ 2.400 para homens e mulheres de diferentes grupos sociais que formalizem sua união.
O dinheiro equivale ao dobro da renda per capita anual do país. O governo justifica que a medida é um passo para a reacomodação das desigualdades. Para grande parte da sociedade, é um passo no escuro.
O governo — que já enfrenta protesto contra cotas em universidades — vê-se, agora, diante de um desafio maior. O esquema está sob ataque de todos os lados. Os conservadores alegam que a medida é gatilho para o caos social. Os liberais sustentam que poucos vão receber a oferta porque o dinheiro vai desaparecer no bolso de autoridades corruptas.
Indianos de castas mais baixas dizem que rejeitariam a recompensa, pois perderiam o acesso preferencial às universidades, garantido pelas já controversas cotas. Hoje, o governo oferece 22,5% das vagas aos intocáveis, os últimos na hierarquia hindu, mas pretende aumentá-las para 50%.
“Sei que esta não é a única maneira de pôr um fim à discriminação, mas é preciso começar de algum lugar”, defende a ministra da Justiça Social. Para a socióloga Radhika Chopra, a oferta é uma forma de sinalizar que esses casamentos não devem ser condenados. “Com a medida, o governo apóia os indivíduos que transgrediram barreiras sociais e mostra que podem funcionar como exemplos”, acrescenta a socióloga.
Jornal do Brasil, 17/12/2006 (com adaptações).
Assinale a opção em que a reescrita de segmentos do texto, em registro formal da linguagem e baseada exclusivamente nas informações apresentadas, não imprimiria precisão ao texto original.
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Texto para a questão
Frente à tradição hindu que há 2.500 anos divide a sociedade indiana em mais de 2.000 castas, os 60 anos dos ideais liberais de Gandhi e os 10 anos da legalização do casamento entre castas revelam-se impotentes para transformar a organização hierárquica da sociedade. Em confronto direto com o costume milenar, o governo da Índia oferece uma recompensa de R$ 2.400 para homens e mulheres de diferentes grupos sociais que formalizem sua união.
O dinheiro equivale ao dobro da renda per capita anual do país. O governo justifica que a medida é um passo para a reacomodação das desigualdades. Para grande parte da sociedade, é um passo no escuro.
O governo — que já enfrenta protesto contra cotas em universidades — vê-se, agora, diante de um desafio maior. O esquema está sob ataque de todos os lados. Os conservadores alegam que a medida é gatilho para o caos social. Os liberais sustentam que poucos vão receber a oferta porque o dinheiro vai desaparecer no bolso de autoridades corruptas.
Indianos de castas mais baixas dizem que rejeitariam a recompensa, pois perderiam o acesso preferencial às universidades, garantido pelas já controversas cotas. Hoje, o governo oferece 22,5% das vagas aos intocáveis, os últimos na hierarquia hindu, mas pretende aumentá-las para 50%.
“Sei que esta não é a única maneira de pôr um fim à discriminação, mas é preciso começar de algum lugar”, defende a ministra da Justiça Social. Para a socióloga Radhika Chopra, a oferta é uma forma de sinalizar que esses casamentos não devem ser condenados. “Com a medida, o governo apóia os indivíduos que transgrediram barreiras sociais e mostra que podem funcionar como exemplos”, acrescenta a socióloga.
Jornal do Brasil, 17/12/2006 (com adaptações).
Com base no texto, assinale a opção correta.
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Texto para a questão
Frente à tradição hindu que há 2.500 anos divide a sociedade indiana em mais de 2.000 castas, os 60 anos dos ideais liberais de Gandhi e os 10 anos da legalização do casamento entre castas revelam-se impotentes para transformar a organização hierárquica da sociedade. Em confronto direto com o costume milenar, o governo da Índia oferece uma recompensa de R$ 2.400 para homens e mulheres de diferentes grupos sociais que formalizem sua união.
O dinheiro equivale ao dobro da renda per capita anual do país. O governo justifica que a medida é um passo para a reacomodação das desigualdades. Para grande parte da sociedade, é um passo no escuro.
O governo — que já enfrenta protesto contra cotas em universidades — vê-se, agora, diante de um desafio maior. O esquema está sob ataque de todos os lados. Os conservadores alegam que a medida é gatilho para o caos social. Os liberais sustentam que poucos vão receber a oferta porque o dinheiro vai desaparecer no bolso de autoridades corruptas.
Indianos de castas mais baixas dizem que rejeitariam a recompensa, pois perderiam o acesso preferencial às universidades, garantido pelas já controversas cotas. Hoje, o governo oferece 22,5% das vagas aos intocáveis, os últimos na hierarquia hindu, mas pretende aumentá-las para 50%.
“Sei que esta não é a única maneira de pôr um fim à discriminação, mas é preciso começar de algum lugar”, defende a ministra da Justiça Social. Para a socióloga Radhika Chopra, a oferta é uma forma de sinalizar que esses casamentos não devem ser condenados. “Com a medida, o governo apóia os indivíduos que transgrediram barreiras sociais e mostra que podem funcionar como exemplos”, acrescenta a socióloga.
Jornal do Brasil, 17/12/2006 (com adaptações).
No que se refere a funções da linguagem, predomina, no texto, a função
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Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se crêem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológico da divisão do trabalho:
“Em qualquer trabalho físico, até no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, um mínimo de atividade intelectual criadora.
Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais. Não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens.”
O que distingue, portanto, a figura pública do homem da palavra é a rede peculiar de funções que os intelectuais costumam desempenhar no complexo das relações sociais.
À medida que o técnico se quer cada vez mais técnico, restringindo-se a mero órgão do sistema, e à medida que o humanista é deixado avulso do contexto, um e outro se irão fechando em suas pseudototalidades. O seu conhecimento político decairá. E o sistema, contentando-se com alguns profissionais mais à mão, alijará dos centros de decisão a maior parte dos intelectuais.
Um Gramsci puramente historicista talvez não pudesse dizer mais nada. Os fatos têm a sua razão, os intelectuais são o que são, e ponto final. Mas Gramsci foi um pensador revolucionário. Por isso, via uma possibilidade de projeto no intelectual moderno, que sucederia, nesse caso, o apóstolo e o reformador de outrora.
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988, p. 242-3 (com adaptações).
Assinale a opção em que a relação lógica estabelecida no período traduz, de forma coerente, idéia apresentada no texto.
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Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se crêem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológico da divisão do trabalho:
“Em qualquer trabalho físico, até no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, um mínimo de atividade intelectual criadora.
Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais. Não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens.”
O que distingue, portanto, a figura pública do homem da palavra é a rede peculiar de funções que os intelectuais costumam desempenhar no complexo das relações sociais.
À medida que o técnico se quer cada vez mais técnico, restringindo-se a mero órgão do sistema, e à medida que o humanista é deixado avulso do contexto, um e outro se irão fechando em suas pseudototalidades. O seu conhecimento político decairá. E o sistema, contentando-se com alguns profissionais mais à mão, alijará dos centros de decisão a maior parte dos intelectuais.
Um Gramsci puramente historicista talvez não pudesse dizer mais nada. Os fatos têm a sua razão, os intelectuais são o que são, e ponto final. Mas Gramsci foi um pensador revolucionário. Por isso, via uma possibilidade de projeto no intelectual moderno, que sucederia, nesse caso, o apóstolo e o reformador de outrora.
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988, p. 242-3 (com adaptações).
Acerca de aspectos gramaticais e estilísticos do texto, julgue (C ou E) o item que se segue.
O período “Todos os (...) de intelectuais” poderia, sem que se alterasse seu sentido original, ser corretamente reescrito da seguinte forma: Pode-se dizer que, apesar de não exercer sempre, na sociedade, a função de intelectual, todo o ser humano é intelectual.
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Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se crêem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológico da divisão do trabalho:
“Em qualquer trabalho físico, até no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, um mínimo de atividade intelectual criadora.
Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais. Não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens.”
O que distingue, portanto, a figura pública do homem da palavra é a rede peculiar de funções que os intelectuais costumam desempenhar no complexo das relações sociais.
À medida que o técnico se quer cada vez mais técnico, restringindo-se a mero órgão do sistema, e à medida que o humanista é deixado avulso do contexto, um e outro se irão fechando em suas pseudototalidades. O seu conhecimento político decairá. E o sistema, contentando-se com alguns profissionais mais à mão, alijará dos centros de decisão a maior parte dos intelectuais.
Um Gramsci puramente historicista talvez não pudesse dizer mais nada. Os fatos têm a sua razão, os intelectuais são o que são, e ponto final. Mas Gramsci foi um pensador revolucionário. Por isso, via uma possibilidade de projeto no intelectual moderno, que sucederia, nesse caso, o apóstolo e o reformador de outrora.
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988, p. 242-3 (com adaptações).
Acerca de aspectos gramaticais e estilísticos do texto, julgue (C ou E) o item que se segue.
A forma verbal “apartaria” está flexionada no futuro do pretérito porque denota uma ação que compõe uma hipótese, uma suposição.
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Texto para a questão
Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se crêem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológico da divisão do trabalho:
“Em qualquer trabalho físico, até no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, um mínimo de atividade intelectual criadora.
Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais. Não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens.”
O que distingue, portanto, a figura pública do homem da palavra é a rede peculiar de funções que os intelectuais costumam desempenhar no complexo das relações sociais.
À medida que o técnico se quer cada vez mais técnico, restringindo-se a mero órgão do sistema, e à medida que o humanista é deixado avulso do contexto, um e outro se irão fechando em suas pseudototalidades. O seu conhecimento político decairá. E o sistema, contentando-se com alguns profissionais mais à mão, alijará dos centros de decisão a maior parte dos intelectuais.
Um Gramsci puramente historicista talvez não pudesse dizer mais nada. Os fatos têm a sua razão, os intelectuais são o que são, e ponto final. Mas Gramsci foi um pensador revolucionário. Por isso, via uma possibilidade de projeto no intelectual moderno, que sucederia, nesse caso, o apóstolo e o reformador de outrora.
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988, p. 242-3 (com adaptações).
Acerca de aspectos gramaticais e estilísticos do texto, julgue (C ou E) o item que se segue.
A inserção do fragmento que é imediatamente antes da expressão “inerente a seus cérebros”, apesar de atender a preceito gramatical, não resultaria em estrutura mais adequada estilisticamente que a original, se considerado o contexto do período.
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