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Foram encontradas 176 questões.

2707157 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

A imaginação foi sempre o húmus do jardim de Clio. No caso da África, antes do século XVII, é particularmente válido o definir-se a história como o adivinhar do passado.

Dele, abstraídas a Etiópia, a franja sudanesa infiltrada pelo Islão e as cidades-estado do Índico, áreas que conheceram a escrita e nos deixaram alguns poucos documentos — poucos, muitas vezes tardios e também contaminados por lendas —, sabemos apenas o que nos devolve uma arqueologia que mal arranhou as imensas extensões africanas, o que anotaram, a partir do século IX, viajantes e eruditos árabes e, mais tarde, os portugueses e outros europeus, bem como o que nos chegou das tradições e das crônicas orais dos povos negros.

Se, nos textos em que se profetiza às avessas, ainda que fundados sobre o registro, o depoimento e a memória escrita, o rigor de quem os compõe não afasta de todo o mito e deixa que ele freqüente a narrativa e nela se imiscua, é porque é também importante contar, ao lado do que se julga ter realmente acontecido, as imaginações que se fizeram fatos e os fatos que se vestiram de imaginário, porque se incorporaram ao que um povo tem por origem e rastro, e, por isso, o marcam, definem e distinguem. Oraniã, Xangô, Tsoede, Cibinda Ilunga aparecem como personagens neste livro de história porque pertencem iniludivelmente à realidade dos iorubas, dos nupês, e dos lundas e quiocos. Eles estão aqui como Enéias e sua viagem de Tróia ao Lácio, e como Réia Sílvia, a loba, Rômulo e Remo, nos compêndios sobre História romana, cujos autores os sabem mitos, mas não ignoram que fecundaram um destino.

Alberto da Costa e Silva. A enxada e a lança: A África antes dos portugueses. 2.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, p. 3-4.

Considerando os sentidos do texto acima, julgue (C ou E) o seguinte item.

O vocábulo “abstraídas” pode ser substituído por consideradas conjuntamente, sem que se altere o sentido do período.

 

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2707156 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item subseqüente, considerando a articulação de elementos textuais, bem como aspectos semânticos e morfossintáticos do texto.

A posposição de “certa” na expressão “certa maneira” prejudicaria a coerência do texto.

 

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2707155 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item subseqüente, considerando a articulação de elementos textuais, bem como aspectos semânticos e morfossintáticos do texto.

A substituição de “Tanto é assim que” por Tanto que prejudicaria o sentido do período em que tal expressão se insere.

 

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2707154 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item subseqüente, considerando a articulação de elementos textuais, bem como aspectos semânticos e morfossintáticos do texto.

No trecho “mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo”, observa-se a ocorrência de um único termo como complemento de três verbos.

 

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2707153 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item subseqüente, considerando a articulação de elementos textuais, bem como aspectos semânticos e morfossintáticos do texto.

O vocábulo “simplesmente” é empregado com o mesmo sentido nas linhas 6, 15 e 19 do texto.

 

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2707152 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item com relação aos sentidos do texto.

Segundo o autor do texto, a definição das coisas precede a designação delas por meio de signos lingüísticos.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2707151 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item com relação aos sentidos do texto.

A “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade pressupõe que as línguas recortem a realidade, ou seja, categorizem-na, da mesma maneira.

 

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2707150 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item com relação aos sentidos do texto.

O autor do texto alude ao fato de o poeta latino afirmar que tinha três almas — por falar três línguas — para comprovar que o domínio de língua estrangeira compromete a autenticidade do indivíduo.

 

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2707149 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o próximo item com relação aos sentidos do texto.

Depreende-se do texto que há dúvidas quanto aos lugares e às circunstâncias em que cada uma das três línguas mencionadas era usada por seus falantes.

 

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2707148 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Texto para a questão

As três almas do poeta

Ênio, poeta latino do século II a. C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”.

É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo.

A idéia de que a diferença entre as línguas se resume em maneiras distintas de se referir aos objetos do mundo natural pode ser chamada a “teoria ingênua” da relação entre a língua e a realidade. E, como a maior parte das teorias ingênuas, é, ao mesmo tempo, simples, evidente e incorreta (não é óbvio que o Sol nasce no leste? Mas não é o Sol que nasce, é a terra que gira).

Examinemos um exemplo, quanto ao significado das palavras nas línguas. Temos, em português, a palavra dedo, que nos parece muito concreta; diríamos que é simplesmente o nome que damos, em nossa língua, a um objeto que nos é dado pelo mundo real: um dedo é uma coisa, ou seja, uma parte definida do corpo, e o que pode variar é a maneira de designar essa coisa. No entanto, em inglês há duas palavras para “dedo”: finger e toe, que não são a mesma coisa. Um finger é um dedo da mão, e um toe é um dedo do pé; para nós são todos dedos, mas para um inglês são coisas diferentes. Esse é um pequeno exemplo de como duas línguas recortam diferentemente a realidade. Agora podemos ver que a palavra portuguesa dedo não é simplesmente a designação de uma coisa — porque, antes de designar essa coisa, a nossa língua a definiu de certa maneira. Tanto é assim que o inglês fez uma definição diferente, e precisou de duas palavras. O exemplo das distintas maneiras que as línguas têm de designar as cores também é bastante ilustrativo disso.

Falar uma língua é, portanto, ver o mundo de certa maneira, e falar três línguas é, até certo ponto, ter a capacidade de ver o mundo de três maneiras diferentes. Talvez fosse isso que o velho Ênio estivesse tentando dizer, quando afirmou que tinha três almas.

Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004, p. 41-52 (com adaptações).

Acerca de fatos lingüísticos do primeiro parágrafo do texto, julgue (C ou E) o item seguinte.

No trecho “O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais”, utiliza-se uma forma de elipse, por meio da qual se evitam repetições.

 

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