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Foram encontradas 128 questões.

2454433 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Na trilha do Verdeamarelismo, mas bem cedo convertido aos chamados da Antropofagia de Oswald e Tarsila, está Raul Bopp, cuja rapsódia amazônica, Cobra Norato, é o necessário complemento do Manifesto Antropófago. A estrutura da obra é épico-dramática e nela o poeta narra as aventuras de um jovem na selva amazônica, depois de ter estrangulado a Cobra Norato e ter entrado no corpo do monstruoso animal. Cruzam a história descrições mitológicas de um mundo bárbaro sob violentas transformações.

Aproximando Cobra Norato de outras obras míticas do Modernismo, diz, com acerto, Wilson Martins: “Observe-se que o mito da viagem no tempo e no espaço é a viga-mestra de Macunaíma, Martim Cererê, Cobra Norato: o Modernismo foi uma escola ambulante e perambulante, fascinado pela descoberta geográfica.”

Diálogos do protagonista com os seres espantados da floresta e do rio formam o coro cósmico de Cobra Norato, poema ainda vivo como documento do primitivismo entre nós. O telúrico interiorizado e sentido como libido e instinto de morte: essa, a significação da voga africanizante da Paris anterior à I Guerra; no Brasil, o reencontro com as realidades arcaicas ou primordiais fazia-se, isto é, pretendia-se fazer sem intermediários. Era a faixa mais ocidentalizada da cultura nacional que se voltava para o desfrute estético dos temas e da linguagem indígena e negra.

Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1986, p. 416 (com adaptações).

No que concerne às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o item subsequente.

Infere-se do texto que, ao agregar o poema Cobra Norato às obras míticas do Modernismo brasileiro, Alfredo Bosi pretende demonstrar que as tendências literárias na França, como a voga africanizante, não influenciaram a ficção modernista brasileira.

 

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2454088 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Textos para a questão.

Texto I


A civilização deu uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma expressão oral.

A rigor, a linguagem escrita não passa de um sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência depende da maneira por que conseguimos obviar à falta inevitável de determinados elementos expressivos.

Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

Texto II

A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele.

Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins. (…)

Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.

A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se subordina a quem a escolhe.

Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.

Em relação ao vocabulário empregado nos textos I e II, julgue (C ou E) o próximo item.

No texto I, o verbo “obviar” (l.7) foi empregado como sinônimo de opor.

 

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2453757 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Na trilha do Verdeamarelismo, mas bem cedo convertido aos chamados da Antropofagia de Oswald e Tarsila, está Raul Bopp, cuja rapsódia amazônica, Cobra Norato, é o necessário complemento do Manifesto Antropófago. A estrutura da obra é épico-dramática e nela o poeta narra as aventuras de um jovem na selva amazônica, depois de ter estrangulado a Cobra Norato e ter entrado no corpo do monstruoso animal. Cruzam a história descrições mitológicas de um mundo bárbaro sob violentas transformações.

Aproximando Cobra Norato de outras obras míticas do Modernismo, diz, com acerto, Wilson Martins: “Observe-se que o mito da viagem no tempo e no espaço é a viga-mestra de Macunaíma, Martim Cererê, Cobra Norato: o Modernismo foi uma escola ambulante e perambulante, fascinado pela descoberta geográfica.”

Diálogos do protagonista com os seres espantados da floresta e do rio formam o coro cósmico de Cobra Norato, poema ainda vivo como documento do primitivismo entre nós. O telúrico interiorizado e sentido como libido e instinto de morte: essa, a significação da voga africanizante da Paris anterior à I Guerra; no Brasil, o reencontro com as realidades arcaicas ou primordiais fazia-se, isto é, pretendia-se fazer sem intermediários. Era a faixa mais ocidentalizada da cultura nacional que se voltava para o desfrute estético dos temas e da linguagem indígena e negra.

Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1986, p. 416 (com adaptações).

No que concerne às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue ( C ou E) o item subsequente.

De acordo com o texto, Raul Bopp, um dos primeiros escritores a aderir ao Movimento Antropófago, já demonstrava, em sua obra Cobra Norato, alinhamento ao primitivismo literário, tendência que o aproximaria do movimento mais radicalmente nacionalista: o Movimento Verde-amarelo.

 

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2453753 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Visita a Jean-Paul Sartre

Os estudantes do velho Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio, querem levar uma peça de Sartre, Morts sans Sépulture, sem pagar os direitos. O pedido vem às mãos de Roberto Assumpção, secretário da embaixada, que lida com as coisas culturais. Ele escreve a Sartre e recebe logo a resposta, marcando rendez-vous: meio-dia e meia, no apartamento do escritor. Vou também, como penetra. (...)

Sartre mora na esquina da rue de l’Abbaye, num quarto andar aonde se ascende por uma escada meio escura, em caracol. Esse solteirão de 45 anos vive com sua mãe, e tem um apartamento bem-arranjado. Eu melhoraria de estilo se escrevesse como ele, nesse pequeno escritório cheio de livros, com duas janelas dando para o largo: à esquerda, a torre da igreja, à direita, o Deux Magots. (...)

À primeira vista, o dono da casa lembra Portinari; um Portinari que fosse mais forte e mais rústico. Esse parisiense que deriva da Borgonha e da Alsácia tem alguma coisa de camponês do Norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos cor de palha suja. Os pedaços de costeleta que passam sob os ganchos dos óculos já embranqueceram. É impossível saber se está falando com Roberto Assumpção ou comigo, pois cada olho fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão. (...)

Estava escrevendo quando nos recebeu: explica-me que está acabando seu estudo sobre Jean Genet. Tem em sua frente uma edição de luxo de Notre-Dame-des-Fleurs. Automaticamente reparo nos dois livros que tem sobre a mesa: um é Platão, outro de Mallarmé.

É claro que tem prazer em que os estudantes levem sua peça; faz questão de escrever a eles uma carta, dando licença e agradecendo. Roberto lhe fala sobre o interesse que sua obra desperta no Brasil. Já tem notícia disso, e teve um convite de São Paulo para visitar nosso país. “Este ano foi impossível, mas vou dar um jeito de ir no ano que vem.” Conta que o adido cultural francês em São Paulo lhe prometeu mandar a tradução do ensaio de um escritor brasileiro para publicar na Les Temps Modernes, a sua revista. Não se lembra do nome do escritor.

Faz pergunta sobre nosso país. Diz que tem boa impressão dele pelo que lhe contaram Camus, Barrault e outros amigos. Um povo que tem caráter próprio e muita efervescência cultural. Não tem o ar de dizer gentilezas e parece exprimir uma curiosidade sincera. Digo-lhe que, na linguagem do Rio, “existencialismo” tem um sentido não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que S⌀ren Kierkegaard. Ri: não é apenas no Brasil, é no mundo; isso começou aqui no quartier e — nota — os adversários fingem levar a sério essa legenda de “imoralismo” da doutrina.

Rubem Braga. Visita a Jean-Paul Sartre [crônica de 20/11/1950]. In: Retratos parisienses. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013, 2.ª ed., p.115-7
(com adaptações).

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue ( C ou E) o item a seguir.

O autor do texto, Rubem Braga, registra que o adido cultural francês em São Paulo teve conhecimento do problema relativo a direitos autorais e prometeu enviar uma cópia do processo traduzida para o francês.

 

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2453496 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.

It is one of the most pressing questions of our time: what is the relationship between financial and environmental meltdown? Are the two crises the same thing, needing to be dealt with together? Or do we, as even some business leaders suggest, have to fix the environment before we can fix the economy? A slew of books, ebooks, pamphlets and journals are tackling this thorny question.

You might expect a strong “yes” from the greens to fixing the environment ahead of the economy. And in The Environmental Debt: The hidden costs of a changing global economy, long-time Greenpeace activist Amy Larkin does make a cogent argument for this. The high costs of coping with extreme weather, pollution and declining resources are, she says, catching up with capitalism. Our carefree attitude to the “externalities” of wealth generation has run up an environmental debt that is loading unsustainable financial debt on us all.

But environmentalists are not the only ones making the link. In Wall Street and the City, there is similar talk that the worst fears of environmentalists are coming to pass. As shortages of natural resources push up prices, a looming resource crunch is manifested in market meltdown.

Paul Donovan and Julie Hudson, economists for the Swiss bank UBS, agree. They argue that “there is a second credit crunch”, an environmental one. By ransacking global resources and enfeebling ecosystems, the authors say, we are drawing down environmental credit as surely as reckless spending on a credit card draws down financial credit. The two crunches have “a symbiotic relationship”, they argue: “The party has to stop.”

The synergies between financial and environmental crunches may be complex, but at root, many economists argue that reckless consumption, driven by easy credit, helped fuel financial crisis. Environmentalists agree that the same consumer binge drove up environmental debt.
F. Pearce. What do we fix first – environment or economy? Newscientist. July 8th, 2013 (adapted).
Based on the text, judge if the item below are right (C) or wrong (E).

Several bank owners claim the economic crisis should be solved first.
 

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2453483 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.

The leaders of the G8 are convening in Northern Ireland for the 39th G8 Summit. The backdrop for this two-day meeting of the globe’s preeminent economic powers is a world facing multiple global crises, all of which demand that summit participants engage in constructive dialogue that leads to measurable progress. Despite that need, the annual G8 Summits are known more for eliciting empty political promises and saddling host cities with exorbitant costs.

The baby boomer generation presidents and prime ministers at the G8 Summit are facing increasingly frustrated populations. With economic instability entrenching in the West, a still teetering world financial order, and escalating tensions in the Middle East, an entire generation of young people is growing up without opportunity, and with few prospects for change. But persistent unemployment, declining standards in health care and education, and environmental degradation are also driving growing numbers of young people to demand sophisticated and coordinated global action.

From this mess, two significant questions arise: are the boomer generation leaders simply incapable of consensusdriven international cooperation, one that sets aside national interests for the collective good of humanity? And if this is the case, are tomorrow’s Facebook generation leaders doomed to inherit the quagmire of their political predecessors?
R. Onley. The future of global diplomacy. June 17th, 2013 (adapted).
In the text, “that need” refers to
 

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2452813 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Lendo provas de um poema

Com Rubem Braga, certa vez,
lia em provas Dois Parlamentos.
Na manhã ipanema e verão,
em volta do alto apartamento,
sem que carniça houvesse perto,
sem explicação, todo um elenco
de urubus se pôs a rondar
a cobertura, em voos pensos:
como se farejassem a morte
no texto que estávamos lendo
e se a inodora morte escrita
não fosse esconjuro mas treno

João Cabral de Melo Neto. In: Museu de tudo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 60 (com adaptações).

O urubu mobilizado

Durante as secas do Sertão, o urubu,
de urubu livre, passa a funcionário.
O urubu não retira, pois prevendo cedo
que lhe mobilizarão a técnica e o tacto,
cala os serviços prestados e diplomas,
que o enquadrariam num melhor salário,
e vai acolitar os empreiteiros da seca,
veterano, mas ainda com zelos de novato:
aviando com eutanásia o morto incerto,
ele, que no civil quer o morto claro.
Embora mobilizado, nesse urubu em ação
reponta logo o perfeito profissional.
No ar compenetrado, curvo e conselheiro,
no todo de guarda-chuva, na unção clerical,
com que age, embora em posto subalterno:
ele, um convicto profissional liberal.

João Cabral de Melo Neto. In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1968, p. 12-3
(com adaptações).

Com relação aos textos acima — poemas de João Cabral de Melo Neto —, julgue (C ou E) o item subsequente.

Ao afirmar, no segundo texto, que o urubu “vai acolitar os empreiteiros da seca” (v.7), o poeta ironiza aqueles que lucram com a longa estiagem sertaneja, comparando-os à ave que, no mesmo período, encontra farta comida.

 

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2452728 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Visita a Jean-Paul Sartre

Os estudantes do velho Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio, querem levar uma peça de Sartre, Morts sans Sépulture, sem pagar os direitos. O pedido vem às mãos de Roberto Assumpção, secretário da embaixada, que lida com as coisas culturais. Ele escreve a Sartre e recebe logo a resposta, marcando rendez-vous: meio-dia e meia, no apartamento do escritor. Vou também, como penetra. (...)

Sartre mora na esquina da rue de l’Abbaye, num quarto andar aonde se ascende por uma escada meio escura, em caracol. Esse solteirão de 45 anos vive com sua mãe, e tem um apartamento bem-arranjado. Eu melhoraria de estilo se escrevesse como ele, nesse pequeno escritório cheio de livros, com duas janelas dando para o largo: à esquerda, a torre da igreja, à direita, o Deux Magots. (...)

À primeira vista, o dono da casa lembra Portinari; um Portinari que fosse mais forte e mais rústico. Esse parisiense que deriva da Borgonha e da Alsácia tem alguma coisa de camponês do Norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos cor de palha suja. Os pedaços de costeleta que passam sob os ganchos dos óculos já embranqueceram. É impossível saber se está falando com Roberto Assumpção ou comigo, pois cada olho fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão. (...)

Estava escrevendo quando nos recebeu: explica-me que está acabando seu estudo sobre Jean Genet. Tem em sua frente uma edição de luxo de Notre-Dame-des-Fleurs. Automaticamente reparo nos dois livros que tem sobre a mesa: um é Platão, outro de Mallarmé.

É claro que tem prazer em que os estudantes levem sua peça; faz questão de escrever a eles uma carta, dando licença e agradecendo. Roberto lhe fala sobre o interesse que sua obra desperta no Brasil. Já tem notícia disso, e teve um convite de São Paulo para visitar nosso país. “Este ano foi impossível, mas vou dar um jeito de ir no ano que vem.” Conta que o adido cultural francês em São Paulo lhe prometeu mandar a tradução do ensaio de um escritor brasileiro para publicar na Les Temps Modernes, a sua revista. Não se lembra do nome do escritor.

Faz pergunta sobre nosso país. Diz que tem boa impressão dele pelo que lhe contaram Camus, Barrault e outros amigos. Um povo que tem caráter próprio e muita efervescência cultural. Não tem o ar de dizer gentilezas e parece exprimir uma curiosidade sincera. Digo-lhe que, na linguagem do Rio, “existencialismo” tem um sentido não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que S⌀ren Kierkegaard. Ri: não é apenas no Brasil, é no mundo; isso começou aqui no quartier e — nota — os adversários fingem levar a sério essa legenda de “imoralismo” da doutrina.

Rubem Braga. Visita a Jean-Paul Sartre [crônica de 20/11/1950]. In: Retratos parisienses. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013, 2.ª ed., p.115-7
(com adaptações).

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item a seguir.

O encontro dos dois brasileiros com Jean Paul-Sartre foi marcado com urgência em razão de um processo penal que, relativo a direitos autorais, envolvia estudantes do Rio de Janeiro e o escritor francês.

 

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2451952 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Na trilha do Verdeamarelismo, mas bem cedo convertido aos chamados da Antropofagia de Oswald e Tarsila, está Raul Bopp, cuja rapsódia amazônica, Cobra Norato, é o necessário complemento do Manifesto Antropófago. A estrutura da obra é épico-dramática e nela o poeta narra as aventuras de um jovem na selva amazônica, depois de ter estrangulado a Cobra Norato e ter entrado no corpo do monstruoso animal. Cruzam a história descrições mitológicas de um mundo bárbaro sob violentas transformações.

Aproximando Cobra Norato de outras obras míticas do Modernismo, diz, com acerto, Wilson Martins: “Observe-se que o mito da viagem no tempo e no espaço é a viga-mestra de Macunaíma, Martim Cererê, Cobra Norato: o Modernismo foi uma escola ambulante e perambulante, fascinado pela descoberta geográfica.”

Diálogos do protagonista com os seres espantados da floresta e do rio formam o coro cósmico de Cobra Norato, poema ainda vivo como documento do primitivismo entre nós. O telúrico interiorizado e sentido como libido e instinto de morte: essa, a significação da voga africanizante da Paris anterior à I Guerra; no Brasil, o reencontro com as realidades arcaicas ou primordiais fazia-se, isto é, pretendia-se fazer sem intermediários. Era a faixa mais ocidentalizada da cultura nacional que se voltava para o desfrute estético dos temas e da linguagem indígena e negra.

Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1986, p. 416 (com adaptações).

No que concerne às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) o item subsequente.

A ausência de vírgula na denominação “Antropofagia de Oswald e Tarsila” (l.1) indica que o autor do texto considera que, além de Raul Bopp, só Oswald e Tarsila seguiram, com rigor, os postulados do Manifesto Antropófago.

 

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2451933 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Textos para a questão.

Texto I


A civilização deu uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma expressão oral.

A rigor, a linguagem escrita não passa de um sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência depende da maneira por que conseguimos obviar à falta inevitável de determinados elementos expressivos.

Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

Texto II

A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele.

Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins. (…)

Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.

A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se subordina a quem a escolhe.

Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.

No que se refere aos sentidos dos textos I e II, julgue (C ou E) o item a seguir.

Do trecho do texto II “Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio” (l.9) infere-se que Fernando Pessoa associa pensamento e linguagem.

 

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