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Texto I: para a questão
Quanto a mim mesma, sem mentir nem ser verdadeira — como naquele momento em que ontem de manhã estava sentada à mesa do café — quanto a mim mesma, sempre conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim. De algum modo “como se não fosse eu” era mais amplo do que se fosse — uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava como uma invenção. (...)
Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um homem: mulher que sorri e ri.
Essa imagem de mim entre aspas me satisfazia, e não apenas superficialmente. Eu era a imagem do que não era, e essa imagem do não ser me cumulava toda: um dos modos mais fortes é ser negativamente. Como eu não sabia o que era, então “não ser” era a minha maior aproximação da verdade: pelo menos eu tinha o lado avesso: eu pelo menos tinha o “não”, tinha o meu oposto. O meu bem eu não sabia qual era, então vivia com algum pré-fervor, o que era o meu “mal”.
Clarice Lispector. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, p. 30-1 (com adaptações).
Em relação ao texto I acima, julgue (C ou E) o item seguinte.
Em língua portuguesa, as expressões “estar entre aspas” e “viver entre parênteses” equivalem-se, pois ambas significam um estado de suspensão ou de espera diante de acontecimentos.
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Texto para a questão
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão certa profundidade de significado e certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações).
Ainda em relação ao texto, julgue (C ou E) o item subsequente.
No trecho “certa profundidade de significado e certo acabamento de forma”, o adjetivo “certo” e sua forma flexionada no feminino foram utilizados com o sentido exato, preciso, correto.
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Entre os anos 70 e começos da década seguinte, vigorou o que se chamava amável e ironicamente a poesia do desbunde. Dela pode-se dizer que reaclimatou, em tom menor, o ideário modernista. Então revalorizados, o coloquial e o poema-piada deixavam de simplesmente se opor à linguagem empertigada contra a qual os modernistas haviam lutado. Punham-se agora a serviço da territorialidade privada. Enquanto, no primeiro modernismo, aqueles eram meios para a redescoberta procurada do país, agora se tornavam instrumentos domésticos. O país estava ocupado. O regime militar, em seu apogeu, assegurava o milagre das bolsas e o sigilo das torturas. Tratava-se para os jovens literati de salvar a casa; se não toda, o quarto de fundos. Claro que não pensavam assim. Quando faziam declarações, apresentavam como seus inimigos os poetas experimentais e a poesia de João Cabral. Os concretos e Cabral seriam, para eles, os homólogos contemporâneos de Coelho Neto e Olavo Bilac.
Tendo por centro a experiência privada, a poesia do desbunde mantinha a glorificação do eu: estimava-o como jovem e o estimulava a assim se manter. Regra básica: alertar contra todos os modos de engajamento na seriedade. O trabalho, doença da sociedade burguesa, era um infame criador de corpos flácidos e mentes amorfas.
Luiz Costa Lima. Abstração e visualidade. In: Intervenções. São Paulo: EDUSP, 2002, p. 135 (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.
A poesia do desbunde, valendo-se de “instrumentos domésticos”, inspirou-se em retórica antimilitarista e de crítica ao regime político que marcou o ideário modernista.
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Texto para a questão
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão certa profundidade de significado e certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) o item a seguir.
Ao afirmar que a crônica “humaniza” e é “uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição”, o autor demonstra que, de fato, o Prêmio Nobel não poderia ser atribuído a um cronista na categoria de gênero maior, mas, sim, em outra categoria.
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soft power, c'est une bonne nouvelle.
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Disciplina: Direito Internacional Privado
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Disciplina: Espanhol (Língua Espanhola)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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No que diz respeito à classificação das constituições, ao controle de constitucionalidade e ao processo legislativo, julgue (C ou E) o item subsecutivo.
São disciplinados por decreto legislativo os assuntos de competência exclusiva do Congresso Nacional, como, por exemplo, a aprovação de tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
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